Vitaminas. Será que ainda são necessárias?



As carências vitamínicas foram e ainda são, em certas partes do globo uma causa importante de doença, com desta que especial para as crianças.

Só no século XIX, se estabeleceu definitivamente que a ausência de certos fatores na alimentação era responsável por essas doenças e a partir dos anos 30 começaram a sintetizar-se vitaminas para utilização preventiva ou curativa. A sua utilidade pôde, assim, ser demonstrada sem qualquer margem para dúvidas.

Foi também a partir do uso mais extenso dos suplementos vitamínicos que se descobriu que algumas delas eram um pau de dois bicos, podendo induzir situações indesejáveis e perigosas, como é o caso das vitaminas A e D.

«Vitamina»(ou «amina da vida»), termo utilizado por um cientista a partir de 1911, é o nome dado a certas substâncias que não têm qualquer valor calórico mas que são essenciais aos processos metabólicos que todos os dias e a todos os momentos têm lugar no corpo humano; acresce que as vitaminas nào são integralmente fabricadas no organismo, necessitando assim o homem de as ingerir, seja na sua forma já acabada, seja numa forma ainda anterior, designada por vezes por provitamina.

Existem inúmeras vitaminas, inicialmente nomeadas segundo as letras do alfabeto: A, B (complexo formado por várias vitaminas, com destaque para a B1, B2, B6 e B12). C, D, E, K, etc.
No quadro da página seguinte referem-se algumas vitaminas e a sua fonte e ação.

As crianças precisam de vitaminas?

Precisam, como qualquer ser humano.
A questão deve ser posta de outra forma:
será que as crianças precisam de SUPLEMENTOS vitamínicos, ou poderão elas ingerir quantidades suficientes de vitaminas através da dieta normal e da prática de uma vida saudável?
Praticamente todos os pais pedem ao médico, nem que seja uma só vez, que receite à criança -umas vitaminas». As vitaminas fazem parte do imaginário dos pais.

Mesmo com crianças bem nutridas, rosadas, cheias de vitalidade, que raramente adoecem (pelo menos de maneira moderada ou grave), os pais quase que exigem as «eternas» vitaminas.

Compreende-se que, culturalmente, assim seja. Por várias razões históricas, os suplementos vitamínicos desempenharam um papel muito importante na prevenção de doenças causadas pela carência desses elementos na dieta. Sem ir aos tempos do escorbuto (que não foram só os das caravelas), muitos pediatras lembrar-se-ão de ver diariamente casos de doenças que tinham nomes quase impronunciáveis: «raquitismo-, «pelagra», «beribéri», ou anemias por deficiência de vitamina B12. Hoje em dia, essas doenças são raríssimas em Portugal porque a nutrição das crianças portuguesas é incomparavelmente melhor e serão poucas as que vivem ainda situações arrastadas de grandes carências alimentares. Por outro lado, a ideia de que quando se ia ao médico era «obrigatório» sair de lá com uma dúzia de medicamentos já passou à história, embora ainda muita gente reclame quando o médico «nem sequer receita umas vitamina. Mas é assim, muitas vezes, provavelmente na maioria das consultas de saude, o médico não precisará de receitar qualquer medicamento, nem mesmo vitaminas.
A mudança de atitude perante o e a medicina que e o que se passa nas cônsultas, o primado da saúde sobre a doença, o crescente grau de saúde e de bom estado físico das gerações mais novas e a nutrição mais adequada das crianças, fazem com que os suplementos vitamínicos tenham perdido muita da sua atualidade. Pais: não receitar vitaminas poderá provavelmente ser a atitude mais
moderna, mais actualizada e mais correta… portanto não pensem que o médico assistente do vosso filho está a proceder erradamente se optar por não dar vitaminas ao vosso filho.
No que toca à vitamina D, o seu «fabrico» envolve a pele, o sol e os rins.
Há alguns anos, Portugal era um país onde o raquitismo abundava, isto apesar de ser um país de sol, mas haver sol não bastava quando a maioria das crianças pouca vida ao ar livre fazia e pouco ia à praia. A situação mudou, como podemos constatar todos os Verões. As praias enchem-se e qualquer criança de qualquer meio social frequenta a praia.

De qualquer modo, parece ainda justificar-se a suplementação de vitamina D no primeiro ano de vida, altura da vida em que o crescimento é mais rápido.

O leite materno, os substitutos comerciais e as vitaminas
O leite materno tem todas as vitaminas necessárias ao desenvolvimento do bebé, isto, claro, se a mãe nào sofrer ela própria qualquer carência alimentar e nutritiva. À excepção da vitamina D. os bebés alimentados ao peito não necessitam de qualquer outro suplemento vitamínico e só em condições excepcionais poderão requerer suplementos de vitamina C.

Claro que se excetuam as crianças com qualquer tipo de problema, prematuros ou recém-nascidos de baixo peso, os quais, por condições várias, poderão precisar de suplementos mais alargados. Neste ponto estamos a falar de crianças saudáveis, com peso normal à nascença.

O leite materno, os substitutos
comerciais e as vitaminas

O leite materno tem todas as vitaminas necessárias ao desenvolvimento do bebé, isto, claro, se a mãe não sofrer ela própria qualquer carência alimentar e nutritiva. À exceção da vitamina D, os bebés
alimentados ao peito não necessitam de qualquer outro suplemento vitamínico e só em condições excepcionais poderão requerer suplementos de vitamina C.
Claro que se excetuam as crianças com qualquer tipo de problema, prematuros ou
recém-nascidos de baixo peso, os quais, por condições várias, poderão precisar de suplementos mais alargados. Neste ponto estamos a falar de crianças saudáveis, com peso normal à nascença.
Os leites comerciais também têm vitaminas. Os leitores que têm filhos que estão a ser alimentados com substitutos do leite materno (seja qual for a marca), peguem na lata e vejam a quantidade de
vitaminas.
E mais, enquanto as quantidades das vitaminas dos leites comerciais são analisadas e controladas, num processo em que intervém a Direção-Geral da Saúde, sendo Portugal um país onde as coisas, neste capítulo, funcionam muitíssimo bem e com muito rigor, as vitaminas dos produtos que se compram na farmácia (xaropes, gotas) são muito menos controladas, além de se distribuírem mal pelo frasco, de modo que um número «x» de gotas ou uma colher pode conter uma grande quantidade, enquanto outra pode não ter quase nada.

Choques vitamínicos – Não!

São realmente muito poucas as situações em que, excetuando a vitamina D no primeiro ano de vida, há lugar para os suplementos vitamínicos. Então, que dizer dos famigerados e perigosos «choques de
vitaminas» ?
Embora ainda haja alguns «dinossauros» que receitem esses «choques», a verdade é que eles são perigosos e indesejáveis.
Não é por isso que a criança vai ter os dentes mais cedo ou andar mais precocemente, Pais: fujam dessas terapêuticas.
Nos casos raríssimos em que se tem que recorrer a tal tratamento, ele deve ser feito numa consulta especializada de um hospital, porque é sinal de que o vosso filho tem um problema que deve ser seguido em consulta hospitalar.
Assunto com alguma atenção, esperando-se que o futuro próximo possa fazer ainda mais luz sobre a eficácia relativa de todas estas medidas.

As doenças cardiovasculares e a
obesidade previnem-se na infância

É cada vez mais reconhecido que a saúde e a qualidade de vida na infância e na adolescência, designadamente no que se refere aos saberes, atitudes, comportamentos e hábitos alimentares têm uma importância determinante na gênese e desenvolvimento de situações de doença na idade adulta. São exemplos disso, a diabetes, as doenças cardiovasculares, a hipertensão, a obesidade, e tantas e tantas outras doenças que só se manifestam abertamente depois dos quarenta, cinquenta anos, mas que verdadeiramente se iniciam nas idades infantis e juvenis.
Um dos fatores mais importantes, mas infelizmente só recordado quando já é demasiado tarde para medidas preventivas, é a alimentação.
É bom as crianças, desde bebés, adquirirem hábitos nutricionais e alimentares corretos ou, pelo menos, sem asneiras de maior. Sabido, como é, que estes hábitos
se adquirem fundamentalmente nos primeiros dois anos de vida, os pais deveriam, desde o início:

• evitar na dieta das crianças tudo o que seja excesso de gorduras saturadas (provenientes de animais, na carne, leite, natas, queijo, manteiga, gema de ovo);

• evitar excesso de calorias «vazias» (açúcar e doces);

• evitar junção de gorduras e hidratos de carbono (como os croissant, pastéis, donuts ou queques e bolos de arroz);

• não deixar as refeições muito espaçadas e com grandes quantidades de alimentos;

•estar atento à escassez de legumes e de
frutos;

•evitar o excesso de sal;

•optar por leite meio gordo;

•ensinar a criança a não exagerar na manteiga que põe no pão;

•habituar o bebé a beber água, principalmente fora das refeições;

•não engolir os alimentos quase inteiros, pelo contrário, habituar-se a mastigar os alimentos até ficarem em papa.

Estes cuidados, que devem ser ensinados e exercitados desde o primeiro momento, podem fazer a diferença entre um processo de transição tranquilo entre a infância, a adolescência e a idade adulta.
Portugal é um país onde as doenças vasculares e a obesidade estão a aumentar, e a surgir em idades cada vez mais baixas, com todas as consequências dramáticas individuais e sociais. Trata-se de um problema nacional de impacto tremendo.

A alimentação dos bebés, quando regrada, lógica, adequada, sensata, pode constituir um enorme fator protetor e permitir que as gerações que nos seguem possam ser, pelo menos neste capítulo, muito mais saudáveis do que as que as precederam.

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