Violência



As crianças têm necessidades irredutíveis e a elas respondem-se com um leque de requisitos que há que promover. Quando alguns deles estão em falta, podemos considerar que a criança está a ser vítima de uma violência e cabe-nos – como pais, educadores e cidadãos – tentar colmatar essas lacunas, para que as crianças não sofram, mas também para que as gerações possam assumir graus crescentes de desenvolvimento humano.

TER – habitação condigna, processo de escolarização, garantia de emprego futuro, saneamento básico, água potável, fontes de energia, «poder de compra» mínimo, saúde orgânica e psicológica;

AMAR – ser objeto de afeto, ter objetos de afeto, gostar/acreditar nas pessoas numa perspetiva positiva e humanista da sociedade, aprender a saborear as pequenas realizações e momentos;

SER – sentir-se único e insubstituível, ter relações de pertença com ecossistemas e grupos, partilhar valores éticos e estéticos com a sociedade, poder desenvolver um leque variado de interesses e de competências, talentos e diversidade criativa.

Há crianças, e pessoas em geral, que têm um estado basal muito próximo do limiar da violência. Por esta razão, podem, em resposta a estímulos negativos de diversa ordem, aproximar-se ou mesmo ultrapassar esse limiar.

A resposta não é diretamente proporcional ao estímulo: são múltiplos os casos de maus-tratos físicos, por exemplo, em que o agressor vai sofrendo o que entende serem múltiplas injustiças, como perder o emprego, o clube favorito ser derrotado, não poder adquirir um carro ou qualquer outra desilusão parecida, mas o episódio que o faz «rebentar» numa explosão violenta pode ser tão ridículo como o filho fazer uma birra porque quer um gelado.

Por outro lado, a violência maltratante expressa sempre uma relação perversa de poder. O agressor sente-se injustiçado e digamos que recebe uma dose de «energia violenta» que tem de dar a alguém, sob pena de não conseguir viver com ela. Devolve-a então (leia-se: vinga-se) nos mais fracos, sejam idosos, mulheres ou crianças.

Como o pode fazer em subordinados ou empregados. O agressor é eminentemente cobarde pois «não se mete com pessoas do tamanho dele». As crianças deste grupo etário, por serem fisicamente pequenas, frágeis e dependentes, além de não terem capacidade de argumentação e de não entenderem a linguagem simbólica, têm o perfil ideal para serem vítimas de violência.

Por vezes, são as crianças que exercem violência sobre outras – este assunto é tratado no capítulo sobre «Escola e amigos».

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