Traumatismos, ferimentos e lesões acidentais



Praticamente todos os pais sabem que os acidentes ou melhor, os traumatismos, ferimentos e lesões causados pelos acidentes (que designaremos pela sigla TFLA) – são, nas crianças, a maior causa de morte, anos de vida potenciais perdidos, doença, internamento, idas aos serviços de urgência, incapacidades temporárias e definitivas e, consequentemente, um dos problemas com custos socioeconómicos mais elevados.

Infelizmente, no nosso país o problema é pior do que nos nossos parceiros europeus, com taxas de mortalidade, por exemplo, quatro vezes superiores às da Suécia.

E, reparem, que sentido faz desenvolver tantos esforços para que a gravidez seja vigiada e se faça a prevenção e detecção de várias doenças, as crianças nasçam saudáveis, se vacinem, tenham uma alimentação adequada, beneficiem de consultas de vigilância da sua saúde, para depois as expormos a todo o tipo de riscos como os que existem no ambiente que nos rodeia, no qual a criança tem que crescer e viver e, por outro lado, o qual afinal construímos e ao qual pertencemos?

A origem dos acidentes não reside no «mau» comportamento das crianças mas, pelo contrário, na agressividade e desadaptação do ambiente às suas características físicas, mentais e psicológicas.

Por outras palavras, não são as crianças que estão erradas o mundo que os rodeia e onde são forçados a viver é que se torna, dia a dia, mais e mais agressivo, menos fiável e cada vez mais recheado de
armadilhas.

O ambiente constitui pois, atualmente, a maior ameaça à vida e à saúde das crianças e dos jovens. Culpar a criança dos acidentes será, afinal, culpar a vítima e desculpar o «criminoso».

Sempre que se fala em ambiente dá ideia que a sua melhoria é tarefa para entidades como os governos, as autarquias, etc.

É em parte verdade. Mas os pais podem fazer muito, porque o ambiente de casa, do carro, do infantário, os brinquedos que compram, os utensílios que têm em casa, o local onde guardam os remédios, e tantos mais exemplos, são da sua inteira responsabilidade.

Temos mais graus de liberdade para agir do que, à primeira, poderemos pensar.

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