Tratar ou não a febre?



Não basta pensar em tratar a febre tem que se pensar no que se ganha e no que se perde, em função dos riscos associados ao uso dos medicamentos e, além disso, que as variações metabólicas causadas pela descida da febre provocada pelos antipiréticos (acompanhada de sudação intensa) e subsequente subida quando o seu efeito decresce (acompanhada de calafrios e tremores musculares) podem resultar mais desconfortáveis para a criança do que se se mantiver uma temperatura ligeiramente elevada, mas estável.

De qualquer forma, no caso de febre são os antipiréticos que devem ser usados, não estando o arrefecimento indicado, pois o seu uso, nesta situação, vai diminuir a temperatura da pele, o que provoca uma reação de subida da temperatura e um esforço metabólico grande. É o mesmo que acontece quando se despe uma criança febril num ambiente frio. Quanto muito, na tentativa de fazer perder calor enquanto os antipiréticos não actuam, poder-se-á causar vasodilatação friccionando a pele até ficar bem vermelha, nas pernas e nos braços, com água tépida (3°C a 4°C abaixo da temperatura do doente).

Pais, recordem-se que:

a medição da temperatura retal deve efetuada cuidadosamente, a fim de evitar lesões da mucosa rectal;
a temperatura rectal é normal até 38°C;
ao atribuir importância à temperatura, tomem em consideração a idade criança (quanto mais jovem maior o significado da elevação da temperatura);
a elevação da temperatura no decurso de uma infecção é uma resposta fisiológica com efeitos benéficos;
mais importante do que medir a febre é valorizar outros sinais e sintomas, particularmente nos primeiros meses vida;

O risco imediato para a criança é a sufocação por aspiração do conteúdo do vómito.
Assim, embora não esteja em causa a recomendação de que se leve a criança ao serviço de urgência mais próximo, ela deve ser posicionada de modo a que se vomitar – o que acontece com frequência não corra
o risco de se sufocar com os alimentos que vomitou, nomeadamente durante o transporte para o serviço de urgência. Deitá-la de bruços ou de lado é a melhor atitude.

Outro aspecto importante é baixar a temperatura. Não nos podemos esquecer que muitas das convulsões febris aparecem durante a subida da febre e em que, portanto, os pais podem ainda não ter dado nada à criança para baixar a temperatura. Convém pôr imediatamente um supositório de um antipirético.

Há medicamentos, administrados na forma de clister, que podem ajudar a controlar a convulsão, nos casos em que durem mais de cinco minutos.

Se a criança está em plena convulsão não se deve tentar dar nada a beber porque aumenta o risco de sufocação. Por outro lado, embora seja importante evitar mordeduras da língua introduzindo um objeto tipo espátula na boca, há que ter cuidado para não o fazer de modo intempestivo, para não causar lesões e para o adulto que o faz não ser mordido. A ideia antiga de que a criança poderia enrolar a língua não tem confirmação científica.

Se a convulsão não cede e a criança não acorda nos 30 minutos subsequentes, então justifica-se ir a um serviço de urgência. Ao chegar ao serviço de urgência deve dizer-se que a criança está com convulsão, para poder ser assistida de imediato.

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