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Corpo e mente jogam em equipa

Ao avaliar o desenvolvimento, há que ter em conta que a mente e o corpo não se encontram desligados. Mais, que atuam em conjunto, sendo o corpo o executor das ordens cerebrais, o tradutor dos sentimentos e, ainda, o «avisador» do cérebro do que se passa no ambiente interno e externo. O jogo de equipa entre mente e corpo faz-se a vários níveis, e é nestas coordenadas que uma criança deverá ser avaliada: • Controlo da atenção que leva a que o cérebro mantenha as funções de alerta, atenção e produção. As crianças deste grupo etário são egocêntricas e referem tudo o que se passa em relação à sua pessoa e aos seus desejos. Sem deixar de desenvolver uma atitude solidária e mais sistémica (que depois dos 4 anos começa a evidenciar-se, através do «saber esperar»), é bom não estar sempre a cortar a atividade em que a criança está profundamente envolvida para lhe pedir alguma coisa ou impor uma atividade, seja o banho, seja qualquer outra similar. Do mesmo modo, quando aos 2 anos e meio, 3 anos, se entra em plena fantasia, não se deve fazer remoques ou destruir o faz-de-conta só porque não existem «elefantes azuis- ou «carros que voam»; • Memória - trata-se de aprender a recordar, e recordar o aprender. A exercitação da memória, feita de uma maneira lúdica e em ambiente descontraído. É bom estimular os vários tipos de memória: olfativa, de sabor, visual, auditiva e táctil, através de jogos e adivinhas. Não apenas no reconhecimento factual, mas na recordação quando o estímulo já está ausente; • Linguagem - como se refere no capítulo próprio, o desenvolvimento dos vários aspetos da linguagem, designadamente da fala, é uma das peças essenciais desta idade. Avançar cuidadosamente com conceitos cada vez mais abstratos e tentar que a criança os vá descrevendo através de palavras ( «Diz lá o que é achas que é o respeito?») pode ajudar a fazer essa ponte, sobretudo depois dos 4 anos O estímulo da linguagem deve ser feito com trocadilhos, versos e rimas - o cérebro entenderá as pequenas diferenças entre as palavras e a melodia delas, ajudando a construir uma fala mais clara, escolhida e também mais rica; • Organização e sequenciação espacial - para o cérebro se organizar, aos vários níveis, é bom que a criança veja no mundo real uma exigência de organização. Arrumar os brinquedos por classes (peluches aqui, legos ali), dividir livros por coleções, etc , são exemplos do que deve ser feito para que a criança se habitue às ordens e classificações; • A mente sobre o músculo - até aos 3 anos, as crianças não entendem bem que são elas próprias que controlam o corpo. Pensam que o corpo corre, trepa e se mexe por si, e que por acaso esses movimentos até permitem alcançar o que quer. A ginástica e outros desportos, nesta idade, mesmo de uma forma incipiente e não destinada a formar «campeões», ajuda muito a perceber que quem comanda os músculos é o cérebro e a vontade, seja para atingir um objetivo positivo, seja por exemplo para conter uma reação violenta ou excessiva; o desenho será outro exemplo de controlo; • Criatividade, poder de crítica e formação de conceitos - é outro polo de desenvolvimento neste grupo etário. Abordamos este tema ao longo deste capítulo, mas há que dar espaço para a exercitação de todo este mundo mental. Não se pode reduzir a expressão corporal ou plástica da criança ao que nós, adultos, entendemos que deve ser: um cão pode ter duas cabeças e uma pata, mas para a criança é sempre um cão. Por outro lado, o poder de crítica tem de ser estimulado, mesmo quando dizem «a mãe é má!» - em vez de repreender imediata- mente e, assim, não descodificar a situação, há que, neste exemplo, dar margem para que explique porque é que acha que a mãe é má, e depois explicar porque é que a mãe não foi má. A conceptualização também deve ser desenvolvida, de um modo pedagógico, através de jogos: «Diz lá coisas que fazes e que mostram que gostas do teu mano.»; • Pensamento social para além do que adiante se descreve, sobre honestidade, rigor e outros dados de carácter, é entre os 3 e os 5 anos que se formam os conceitos de valores sociais, aprendidos nos diversos espaços que a criança frequenta e com as várias pessoas que lidam com ela. É indispensável que os pais definam que escala de valores sociais pretendem que os filhos interiorizem, e que estejam atentos para mostrar práticas certas ou erradas. Embora a sensibilidade social também tenha um componente inato, a informação e a experiência têm um papel decisivo. Ler Mais...

Os valores

Os valores Quem são as pessoas que nós desejaríamos encontrar por esse país fora, fosse onde fosse, nos serviços ou nos espaços de lazer, como amigos ou representantes políticos? Essas mesmas, essas pessoas simpáticas, afáveis, competentes, tranquilas, solidárias, inteligentes, diversificadas, criativas, pacíficas... e tantas outras coisas bonitas. São essas pessoas que nós gostaríamos de encontrar. São essas pessoas que nós podemos tentar «criar», sempre com respeito pelas suas opções finais, mas opções essas que dependerão, em grande parte, dos caminhos e limites que formos ensinando e mostrando. As crianças aprendem como esponjas. Não apenas sob o ponto de vista cognitivo e académico, mas na área emocional e ética. O que fazemos, mostramos e dizemos é sentido pelos nossos filhos como padrões dourados. Principalmente as duas primeiras vias, que correspondem ao modelo e ao exemplo. Não queria terminar esta introdução a «Quem é o vosso filho», que terá continuidade ao longo do Livro, sem rever as dezanove «máximas» de Dorothy Law Noite, expressas de forma sublime em 1954, e que bem nos revelam as estratégias que deveremos ensaiar para que os nossos filhos tenham mais hipóteses de ser pessoas felizes, amadas e realizadas: Se as crianças vivem com críticas, aprendem a condenar. Se as crianças vivem com hostilidade, aprendem a ser agressivas. Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser apreensivas. Se as crianças vivem com pena, aprendem a sentir pena de si próprias. Se as crianças vivem com o ridículo, aprendem a ser tímidas. Se as crianças vivem com inveja, aprendem a ser invejosas. Se as crianças vivem com vergonha, aprendem a sentir-se culpadas. Se as crianças vivem com encorajamento, aprendem a ser confiantes. Se as crianças vivem com tolerância, aprendem a ser pacientes. Se as crianças vivem com elogios, aprendem a apreciar. Se as crianças vivem com aceitação, aprendem a amar Se as crianças vivem com aprovação, aprendem a gostar de si próprias. Se as crianças vivem com reconhecimento, aprendem que é bom ter objetivos. Se as crianças vivem com partilha, aprendem a ser generosas. Se as crianças vivem com honestidade, aprendem a ser verdadeiras. Se as crianças vivem com justiça, aprendem a ser justas. Se as crianças vivem com amabilidade e consideração, aprendem o que é o respeito. Se as crianças vivem com segurança, aprendem a confiar em si próprias e naqueles que as rodeiam. Se as crianças vivem com amizade, aprendem que o mundo é um lugar bom para se viver. Posto isto, avancemos para aspetos práticos, mas mais adiante, neste Livro, voltaremos a abordar os aspetos comportamentais da criança do 1 aos 5, através de situações mais objetivas e concretas, como os amigos imaginários ou a timidez, o mentir, furtar e morder, o partilhar, o autocontrolo ou as visitas da «Dona Birra», entre muitas outras.   Ler Mais...

A escolha de uma casa

A questão da habitação é das mais importantes. A relação quase perversa entre o poder de compra e a qualidade habitacional é um dos espelhos mais gritantes das desigualdades, traduzidas quase automaticamente no estado de saúde das crianças. Mesmo sem falar nos bairros de barracas. A qualidade da habitação e dos espaços circundantes é um fator a que os pais têm de estar particularmente atentos. Uma casa deve, oferecer condições, inerentes à qualidade mínima habitacional, não apenas em termos de conforto, mas de manutenção da saúde física e mental, e promotor de saudáveis relações interpessoais. Ler Mais...

O que causa um aborto numa gravidez avançada?

Um aborto numa gravidez avançada pode acontecer devido a um colo do útero fraco (ou “incompetente”), o que causa a dilatação demasiado cedo. Isto ocorre em 15% dos abortos repetidos. Para uma futura gravidez, uma sutura do colo do útero pode fortalecer o músculo e prevenir uma abertura precoce. Outra causa pode ser o mau funcionamento da placenta, o que afecta o desenvolvimento do bebé. Ler Mais...

O que causa a asma?

A asma é uma situação inflamatória das vias aéreas associada a hiper-reactividade brônquica, ou seja, os brônquios reagem «violentamente» quando agredidos por essa inflamação, a qual é provocada pelos agentes alergénicos que o organismo reconhece como indesejáveis - desde alimentos, pólenes ou pó da casa, ácaros, baratas ou animais de pêlo (vivos ou de peluche), até humidade, poluição, fumos, tabaco, esforço físico ou a ansiedade e o riso. Na maioria das pessoas, estes elementos ou situações não provocam qualquer alteração inflamatória nas vias aéreas. No asmático, podem desencadear uma crise. Quando esta reacção inflamatória se dá, os brônquios apertam-se e a criança tem dificuldade em respirar, principalmente em deitar o ar fora - aparece então a pieira. As crises podem começar em qualquer idade, mas já no primeiro ano de vida pode haver manifestações deste tipo, como algumas bronquiolites. As alergias, que não são sinónimo de asma, mas que lhe estão associadas na maioria dos casos, podem também atingir outros «órgãos-alvo», como a pele (eczemas e dermatites), o nariz (rinites alérgicas), o tubo digestivo (colites e diarreias) ou os olhos (lacrimejo e ardor nos olhos). Por vezes as crises repetem-se e a criança pode entrar num estado de quase permanente crise, com necessidade de ida à urgência ou até mesmo de hospitalização. Ler Mais...

Ato seis – a reposição da normalidade

Com o tempo a criança verá que a rotina continua e que ninguém a abandona. Haverá momentos de maior stresse, quando há atrasos a ir buscar, quando as suas expectativas parecem ser defraudadas - é preciso muito cuidado em ter a certeza, por exemplo, que quando nos deslocamos numa fila de uma pastelaria ou nos corredores de um supermercado, as crianças continuam a ver-nos. O nosso desaparecimento, mesmo que por instantes, designadamente em locais públicos, pode ser vivido como um filme de terror. Devagar, com tempo, dar-se-á a habituação à existência e permanência do bebé, e a força dos sentimentos mais negativos será, a pouco e pouco, substituída pela força dos sentimentos apelativos. O amor fraternal é assim: transparente, sem cerimónias, mas intenso. Ler Mais...
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