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Dentes pigmentados de preto

A chamada pigmentação cromo génica, que é o nome que tem esta coloração preta nos dentes, formando uma linha preta junto à gengiva, uniforme, em toda a roda dos dentes, por dentro e por fora, não tem nada a ver com a cárie. Todavia, muitas crianças são discriminadas e humilhadas por isso. Esta pigmentação deve-se a uma bactéria, chamada cromo génica, que forma esse pigmento nos dentes - e esta bactéria existe em algumas bocas e noutras não. Não há absolutamente nenhuma relação com cárie ou má higiene oral. O único problema desta pigmentação é a questão estética, mas curiosamente até parece haver uma relação entre esta pigmentação e um menor número de cáries nas crianças que a possuem, provavelmente por concorrência desta bactéria com as que causam a cárie. Esta pigmentação é difícil de remover em casa e, normalmente para o fazer é necessário ir ao médico dentista ou à higienista. Com a erupção dos dentes definitivos tende a desaparecer. Ler Mais...

Perguntas e respostas sobre a saúde oral

Porque é que um irmão tem cáries e o outro não, se comem o mesmo? Não é raro acontecer, mas nunca comem os dois exatamente a mesma coisa. Por outro lado, a cárie é uma doença multifatorial influenciada também peto próprio organismo, tipo de saliva, morfologia dos dentes, tipo de bactérias existentes na boca e outros fatores Isso explica as diferenças, maiores às vezes do que se poderia supor É normal que os dentes de leite sejam «dentes de mentiroso»? Na dentição de leite é normal e desejável que os dentes apresentem espaços entre eles. Os dentes permanentes são maiores do que os de leite e nascem já com o tamanho final. Assim, os espaços entre os dentes de leite ajudam a arranjar espaço para a posterior erupção e correta colocação dos dentes permanentes na arcada A cárie ainda é um problema das crianças, em Portugal? A cárie dentária continua a ser a doença mais frequente da população infantil e, simultaneamente, a sua prevenção é eficaz e eficiente, existindo já todos os saberes e os «arsenais» que permitem baixar, de modo fácil e económico, a sua incidência e a sua prevalência para valores de cerca de um quinto dos valores atuais. Os dentes podem dar febre? A erupção dos dentes de leite pode trazer algumas situações mas incómodas, como as gengivas ficarem inflamadas, inchadas e avermelhadas, e a criança apresentar algum desconforto na boca e irritabilidade. Por outro lado, a criança pode babar-se com maior frequência. Os anéis de borracha que se colocam no frio ajudam bastante no alívio do mal-estar Contudo, a erupção dos dentes não está relacionada com febre alta ou diarreia. O que são alimentos cariogénicos? São aqueles que podem, com maior probabilidade, favorecer o aparecimento de cárie, designadamente os que contêm açúcar. Uma dieta com excesso de hidratos de carbono, mesmo sem doces, também pode tornar-se nociva para a saúde dos dentes da criança, aumentando o risco de aparecimento de cárie. O que é a síndroma do biberão, no que se refere aos dentes? A síndroma do biberão caracteriza-se pelo aparecimento rápido de cáries profundas em crianças pequenas, devido à exposição frequente, por longos períodos de tempo, a líquidos contendo açúcar. Os dentes da frente e de cima são os mais afetados É importante tratar as cáries dos dentes de leite? Eles de qualquer forma vão cair... Frequentemente subestimam-se as cáries nos dentes de leite e os pais acham que, como o dente vai «cair» não vale a pena tratá-lo, mas tudo depende da idade da criança e do dente afetado. Mas é bom não esquecer que, por exemplo, os molares de leite vão permanecer na boca até cerca dos 11-12 anos, mesmo que a mudança de dentes se inicie aos 5-6 anos. Assim, se estes dentes apresentam uma cárie, não é lógico que esta não seja tratada porque o dente ainda vai estar na boca cerca de mais 7 ou 8 anos. Quando é que se deve começar a escovagem dos dentes? Quando nascem os primemos molares de leite {cerca dos 12-18 meses), deve iniciar-se a escovagem duas vezes por dia - de manhã após o pequeno-almoço e à noite antes de dormir. A escovagem da noite é a mais importante, e depois dela a criança não deve comer nenhum alimento (nem mesmo leite que também contém açúcar), caso contrário ter-se-á que reiniciar o processo e repelir a escovagem. Que escova de dentes devo escolher para a minha filha? A escova deve ser adequada à idade da criança. A cabeça não deve ser muito grande e o cabo adequado ao tamanho da mão As cerdas devem ser macias e todas do mesmo tamanho. É melhor escova elétrica ou manual? Tanto a escova manual como a elétrica são igualmente eficazes se se utilizar uma boa técnica. A aquisição de uma escova elétrica pode, por vezes, ser uma novidade que aumenta o seu uso durante um tempo e confere rotatividade no dente quase sem se dar por isso, mas se não houver uma boa educação e motivação para a saúdo oral, o estímulo positivo durará pouco tempo. Com que Idade se deve começar a usar pasta de dentes? Até aos 2-3 anos de idade não se recomenda o uso de pasta de dentes devido ao risco de ingestão da mesma. A escovagem deve ser feita com uma escova e água Entre os 2 e os 5 anos. a pasta de dentes deve ser adequada à idade por apresentar uma dose de flúor menor que a pasta dos adultos, devido ao risco de ingestão, ainda presente (250 ou 500 ppm de flúor). Como é que posso ensinar o meu filho de 4 anos a lavar os dentes sozinho? Deve ensiná-lo a escovar de maneira ordenada e sistematizada, para que não se esqueça de nenhuma superfície. A escovagem deve começar sempre peto mesmo lado e seguir sempre a mesma ordem. Na zona dos dentes que mastigam diga-lhe para fazer um movimento do «comboio» ou seja um movimento de vaivém, para a frente e para trás, em cada dois dentes e contando até 10. Nas outras superfícies lisas dos dentes o movimento deve ser de «bolinha», como se estivesse a desenhar bolinhas com a mão que tem a escova É importante insistir em escovar junto á gengiva para evitar inflamações nossa área. A escova pode e deve tocar o escovar a gengiva. Porque é que as gengivas da minha filha, que tem 5 anos, às vezes sangram? As gengivas sangram porque os dentes não estão a ser bem escovados e há uma acumulação de placa bacteriana nas gengivas, que ficam inflamadas e sangram. Mesmo que as gengivas sangrem, a escovagem deve ser mantida pois a pouco e pouco, se a limpeza dos dentes for bem feita, as bactérias vão desaparecendo e as gengivas vão deixar de sangrar Qual a diferença entre um dentista e um médico dentista, ou um odontopediatra? Há uma diferença entre ser dentista c sor médico dentista os primeiros têm um grau equivalente a bacharel, os segundos são licenciados depois de um curso de seis anos, tal e qual o de Medicina. São médicos, pois. Mas a diferença importante reside na odontopediatria, como englobando profissionais vocacionados para as crianças, uma área da Medicina Dentaria que cuida da saúde oral dos bebés, crianças e adolescentes. Com que idade as crianças devem ir ao médico dentista? Pelo menos aos 3 anos de idade. É muilo importante que esta primeira visita ocorra cedo, para se poder detetar qualquer problema na boca da criança (cárie alterações nos dentes ou mucosas, alterações de crescimento ou estrutura, etc.) e para a criança se ir familiarizando com a cadeira e os instrumentos do dentista. De quanto em quanto tempo devo levar o meu filho ao dentista? A periodicidade das visitas vai depender da saúde oral da criança. Se não existirem problemas, os controlos podem ser semestrais ou anuais. Quando os dentes definitivos começarem a erupcionar os controlos devem ser no mínimo semestrais. Deve-se escolher pastas com flúor? O flúor da pasta de dentes, que e portanto de aplicação tópica, é essencial para uma redução das caries. Em alguns casos, que serão avaliados pelo médico dentista podem ser necessários bochechos em casa ou aplicações de flúor no consultório. A minha filha, de 4 anos, tem os dentes sempre com uma coisa que parece bolor, preto, como aparece nas paredes quando há humidade... O que ela tem é a chamada pigmentação cromo génica, que forma uma linha preta junto à gengiva uniforme, em toda a roda dos dentes, por dentro e por fora, e que não tem nada a ver com a cárie. Contudo, muitas crianças são discriminadas e humilhadas por isso. Esta pigmentação deve-se a uma bactéria, chamada cromo génica, que forma esse pigmento nos dentes – e esta bactéria existe em algumas bocas e noutras não. O único problema desta pigmentação é a questão estética, mas curiosamente até parece haver uma relação entre esta pigmentação e um menor número de cáries nas crianças que a possuem, provavelmente por concorrência desta bactéria com as que causam a cárie. O meu filho tem 3 anos e está sempre a cair. Tenho receio que um dia possa partir os dentes... Para além de verificar se ele tem algum problema ortopédico que o laça cair como bater com os joelhos um no outro, nesta idade é muito comum cair e bater com a face, aumentando o risco de lesionar os dentes da frente e o lábio A preocupação destes traumatismos é não só o estado do dente de leite mas, principalmente, o dente permanente que, apesar de não estar ainda à vista, está «guardado» no osso em formação. O médico dentista realizará uma radiografia local dos dentes afetados para poder fazer um controlo da situação, tanto do dente de leite como do dente permanente que não está visível na boca. Os pais devem passar a boca da criança com água ou algum bochecho antisséptico oral e colocar gelo na região exterior para reduzir o inchaço (bochechas ou lábios) Se o dente se fraturou, o fragmento deve ser levado para o consultório. Se um dia o meu filho der uma queda e cair o dente, o que devo fazer? Se o dente é de leite e saiu completamente do seu «buraco» (avulsão), nunca deve ser recolocado, pois há grandes probabilidades de, ao fazê-lo, dado que tem de empurrar, lesionar o dente permanente que está no osso. Ler Mais...

Birras de provocação

Primeiro ponto: o Pedro já perdeu o seu sentido de omnipotência e tem receio de ser abandonado. E quando já ouviu os pais dizerem-lhe: «Estou farto de ti!» - ou, mesmo não tendo ouvido, já pressentiu que isso poderá (na cabeça dele, claro) acontecer -, tem medo de que o façam sair de casa, para um mundo onde (ele bem sabe!) não sobrevive- ria. E não gostarem dele será o pontapé de saída...para a saída. Segundo ponto: o Pedro tem já muito desenvolvido o seu sentido ético. Sabe distinguir o bem do mal, e se faz asneiras é porque é isso mesmo que quer fazer. Terceiro ponto: o Pedro descobriu que tem duas versões: uma boa e outra «menos boa». Descobriu, afinal, a condição humana, mais outro «peso-pesado» que tem de assumir. Quarto ponto: o Pedro não sabe se consegue controlar a versão «má», a tal que lhe garante «cama e roupa lavada», está já assente, e com ela o amor dos pais. Quinto ponto: o Pedro tem medo de ser mau, de «acordar mau», porque não sabe como é que estas coisas se controlam. E se tal acontecer, os pais não gostarão dele, e daí a porem-no na rua será um ápice. Sexto ponto: Perante esta dúvida angustiante, o Pedro tem de se testar, a ele e aos pais. Como o amor dos pais já é um dado adquirido, para a versão «boa», vai então experimentar a outra versão, a «má». Para ver o que dá...antes que a situação escape ao seu controlo e as coisas aconteçam sem travão. Sétimo ponto: o Pedro tem de ser educado dentro das regras e dos limites estabelecidos pelos pais. Mas há que ter a arte e o cuidado de distinguir a pessoa dos seus atos. Se estes podem ser passíveis de elogio e prémio, ou censura e castigo, já a pessoa tem de ser sempre reafirmada como objetos de amor. Seja qual for a versão que esteja «em vigor». Oitavo ponto: não é muitas vezes o que fazemos, mas é quando se deve mais fazer: na fase da asneira e da versão «má», que é afinal quando surgem as dúvidas se os pais gostam ou não dela, há que dar afeto e garantir à criança (portanto, à pessoa) que se gosta dela, que o amor nunca estará em causa. Dizer «Gosto de ti. És querido!- e só depois, debruçamo-nos sobre o ato, e então condenarmos e castigarmos se for esse o caso. Este, o ato. Não aquela, a criança. Com esta estratégia, o Pedro deixará de ter dúvidas sobre o amor dos pais. Sabe que será sempre desejado e querido (do verbo «querer), mesmo que a tecla carregue na versão «má». Tiram-lhe toneladas de cima. E verá que consegue, gradualmente, controlar a parte «má», sendo cada vez mais «querido». Além disso, porque os pais lhe ensinaram os conceitos éticos, dos quais ele tem uma noção muito clara, sentir-se-á bem consigo próprio por agir bem, tendo ainda o acréscimo de receber uma recompensa pelas atitudes corretas. A pouco e pouco deixará as provocações baratas, «rascas» e (quase) incompreensíveis, muito mais rapidamente e com menos trauma do que se nada disto for feito. Ler Mais...

Prevenção da tuberculose

Fundamentalmente, a prevenção da tuberculose assenta em vários pontos:
  • melhoria das condições sócio-económicas e nutricionais;
  • bem-estar psicológico e relacional;
  • deteção das pessoas infetadas e isolamento até começarem tratamento e deixarem de ser bacilíferas (duas semanas de tratamento);
  • rastreio das crianças que contactam regularmente com uma dessas pessoas (a tuberculose é uma doença «lenta», pelo que há que ver se o contacto não foi há uns meses);
  • tratamento adequado dos infetados (e atualmente, está a aumentar o número de bactérias resistentes a vários dos agentes tuberculostáticos que se usam nos esquemas terapêuticos, o que constitui um problema muito grave);
  • vacina BCG que, apesar de não ser extremamente eficaz, ainda confere um bom grau de proteção e também evita os casos de maior gravidade, mesmo que a infeção se dê. Em Portugal, tendo em conta as nossas taxas de infeção, continua a ser conveniente vacinar à nascença com o BCG, embora muitos outros países já tenham abandonado a vacinação por rotina.
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Quais são os sintomas?

A meningite é uma inflamação das meninges, na prática uma infecção das membranas meníngeas que revestem e protegem o nosso cérebro bem como do espaço que fica entre elas e que inclui o líquido céfalo-raquidiano, que as lubrifica. De uma maneira geral, as meninges infetam-se através do sangue os micróbios saem de um ponto de infecção inicial (o nariz, a garganta, as vias respiratórias, ou até os intestinos) e penetram no espaço meníngeo. No entanto, em casos mais raros a infecção acontece diretamente a partir de um foco infeccioso que fica próximo, seja uma otite não tratada, uma infecção do globo ocular ou quando um traumatismo craniano abre uma porta de entrada. Os sintomas da doença relacionam-se com a idade da criança e com o agente causador; de qualquer forma a sua interpretação nem sempre é fácil. São sinais incaracterísticos o que facilmente nos despista, baralha e confunde. Por exemplo, uma febre de 40° graus acompanhada de vómito pode levantar suspeitas, mas também é normal em algumas crianças vomitarem quando a temperatura fica muito alta. Os sintomas e sinais de meningite são conhecidos da população em geral febre, vómitos, prostração e rigidez dos músculos da nuca -, no entanto nenhum deles é exclusivo da meningite e, especialmente no bebé pequeno, podem estar ausentes, ou substituídos por sintomas e sinais ainda mais inespecíficos. Nas crianças mais velhas e nos adultos, a doença aparece de uma forma brusca com febre alta, vómitos, aversão à luz e grande prostração. Uma convulsão ou perda da consciência podem ser as primeiras manifestações de que algo se passa. Depois, na observação médica ressaltam os chamados sinais meníngeos, como a rigidez dos músculos da nuca quando se flete a cabeça. Nas crianças mais pequeninas, principalmente no primeiro ano de vida, esses sintomas incluem a febre, gemido, vómitos, irritabilidade ou prostração. A criança fica pálida e com frequência faz convulsões. Nestes casos o achado médico é a hipertensão da fontanela (a moleirinha), que fica abaulada e proeminente. Nos bebés recém-nascidos os sintomas são muito in característicos recusa o peito da mãe ou o biberão, geme, grita (que não é o mesmo que um choro forte), fica prostrado. Estes sintomas e sinais são indicadores de que a criança está muito doente. E o melhor é mesmo não perder tempo e recorrer ao serviço de urgência. É claro que com um bebé tão pequenino doente, os pais ficam por vezes num tal estado de ansiedade que não lhes permite discernir com clareza. Por exemplo, não é por a criança vomitar uma vez e que apenas isso, um vómito, que os pais devem ir a correr ao hospital, muito menos se ela parece estar bem. O mesmo se passa quando se fala em recusa alimentar, não é por deixar ficar metade do biberão que está doente. De qualquer forma, em caso de dúvida, é aconselhável uma ida imediata à urgência. Falta dizer ainda que em algumas meningites, nomeadamente naquelas em que o agente é o meningococo, podem surgir lesões na pele, umas hemorragias tipo picada de alfinete designadas por petéquias ou maiores, idênticas a uma nódoa negra, chamadas equimoses. Podem ainda surgir queixas gastrointestinais ou articulares. Os sintomas de meningite são semelhantes, mesmo com micróbios causadores diferentes, embora a gravidade e a evolução variem conforme o micróbio que lhe deu origem: - febre - sonolência ou confusão - dores de cabeça intensas - rigidez da nuca (excepto nos bebés com menos de ano e meio de idade) - aversão à luz - náuseas e vómitos Em geral, nos bebés com menos de ano e meio de idade, os sintomas são mais inespecíficos e podem não se perceber tão bem. Entre eles estão: - febre - agitação ou irritabilidade, especialmente quando se pega no bebé - dificuldade em acordar - dificuldade em se alimentar recusa de mamar - vómitos - prostração - gemido ou grito (tem uma alta tonalidade e distingue-se do choro forte) Nestes bebés pequenos pode não haver rigidez da nuca, mas a fontanela (moleirinha) está abaulada, para cima, e tensa. Ler Mais...

Receita…mas não médica

Imaginem um caldeirão, daqueles grandes, pretos, com três pernas, que vão diretamente ao fogo. Atirem-lhe lá para dentro um quilo de ansiedade, dois de isolamento, cem gramas de maior longevidade, três quartos de gerações cada vez mais próximas em idades e estilos de vida, mas também dois pés de gerações mais longínquas em distâncias reais.

Um telefone, quatro telemóveis e uma pitada de e-mail.  E ainda todas as revistas sobre pais e bebés, desde o número um.

Seguidamente, deixem ferver e juntem cento e cinquenta gramas de falta de tempo com duas réstias de complexos de culpa e a mesma quantidade de tentativas de compensação. Quatro dúzias de inexperiência com outras tantas de tentativa de meter o bedelho, cinco pitadas de instabilidade do poder parental duas mãos-cheias de dúvidas e uma equipa inteira de profissionais de saúde que nunca estão onde ou quando são necessários, e que falam sempre de coisas que não são prioritárias.

Tempere-se com a imposição social de ser pais perfeitos, e adicione-se, q.b., a obrigação de ser cidadão perfeito, conjugue perfeito, amante perfeito, tísica e psicologicamente perfeito, intelectualmente perfeito e ainda pagador de impostos a horas, honesto e bem-educado.

Termine-se juntando o isolamento dos mais velhos, a falta de projeto de vida da terceira idade, ponham-se todos os filhos que as avós não tiveram, mas que gostariam de ter tido, decore-se com telenovelas a granel, concursos onde se engolem sapos, futebol e reality shows, apresentadoras bacocas e locutores que se esganiçam (mesmo para nos dizer que «hoje não aconteceu nada!»).

Mexa-se tudo com uma enorme colher de pau - aprovada pela União Europeia – e sirva-se de preferência num apartamento onde o espaço vital não dá para viver, numa definição perfeita do que são «conceitos de vida letais».

A prestações e com juros, tal como o carro, as férias, os fatos, e se calhar o amor, entre filas de automóveis e de hipermercados, variando criativamente entre 40 horas de trabalho semanais, monotonamente iguais, uma reforma que tem tanto de inativa como de retribuição económica miserável, e a consideração nostálgica e fisiologicamente difícil de engolir, que os nossos filhos já têm filhos...

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