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Perguntas e respostas sobre a alimentação

Existem elementos que possam chamar «completos»? É uma pergunta que não tem uma resposta simples. Há uns alimentos que são mais adequados e mais ricos do que outros, ou seja, com um maior leque de fatores considerados importantes para a alimentação das pessoas, mas não se pode dizer que exista um alimento «ideal» que tenha tudo o que é necessário ou seja, não existe o «alimento perfeito». A Natureza parece exigir, assim, uma harmonia de alimentos de forma a compor uma dieta completa. Um exemplo: alguns vegetais, como os legumes, as batatas e os cereais, entre outros, são especialmente ricos em hidratos de carbono, mas também contêm uma parte proteica e lipídica. Outros alimentos - como a carne, o peixe ou os ovos -, são especialmente ricos em proteínas mas também incluem, em diversas proporções, lípidos e até pequenas quantidades de hidratos de carbono. O mesmo ocorre com as vitaminas e os sais minerais: alguns produtos são muito ricos nestes micronutrientes, mas nenhum tem as quantidades suficientes para uma refeição" completa. É, pois, evidente, que se torna necessário compor, com sabedoria, uma dieta que tenha o que a pessoa precisa, sem compostos de mais ou de menos. É este equilíbrio que tem de conseguir... o que não é fácil. Mas se optarmos por uma alimentação variada e diversificada, provavelmente estaremos a comer de forma inteligente. Podemos dividir os alimentos em bons e maus? Não. Não há propriamente alimentos '«malditos», embora alguns sejam muito desequilibrados, não devendo, por isso entrar na composição das refeições. De qualquer forma, praticamente todos os alimentos têm algo «de bom», sejam proteínas, sejam vitaminas. Mais do que este aquele alimento, os problemas surgem sobretudo por se abusar desses alimentos, com menor ingestão dos outros. O que é, então, correto, é - insistimos - compor as refeições de forma diversificada e variada, dentro do que poderíamos chamar «dieta mista». E se não, propriamente, alimentos maus e bons, o que é verdade é que alguns deles são particularmente bons, no que chamamos um bom «valor biológico». As proteínas, que formam, as estruturas do nosso organismo - dos ossos ao sangue -, encontram-se em alimentos caros e, portanto, escasseiam na dieta das populações mais desfavorecidas, como aconteceu em Portugal durante muitos anos (comer carne ou peixe foi, durante muitas gerações, um privilégio reservado para os domingos). Contudo, o excesso de proteínas na dieta, a que se assiste hoje (basta ver o tamanho e a frequência com que se comem bifes ou postas de peixe), a continuai vai seguramente trazer muito «amargos de boca- no futuro, pois os rins e o nosso organismo em geral têm um limite para as metabolizar. É importante que os pais se consciencializem que o peixe, e sobretudo a carne, devem ser dadas em quantidades muito pequenas. Qual a importância da carne, do peixe e dos ovos? A importância destes alimentos reside principalmente no seu conteúdo de proteínas, com «alto valor biológico», ou seja, com grande valor nutricional, garantindo que a criança tem os aminoácidos essenciais para o seu crescimento. Para além disso, a carne é uma importante fonte ferro e de vitamina B12, elementos muito importantes para todos os sistemas do organismo, como o sangue ou o sistema imunológico. O peixe, por exemplo, tem bastante cálcio e fósforo, além dos chamados «ácidos gordos ómega 3», que são muito importantes na prevenção da arteriosclerose. O ovo, além de ter proteínas de tão boa qualidade como as da carne o do peixe, tem um equilíbrio muito adequado de ácidos gordos (na gema) e uma quantidade aceitável de vitaminas minerais. Como já foi referido, a carne e o peixe contêm uma grande quantidade de ferro, fácil de absorver, e são também bons reservatórios de zinco, um mineral a que se dá cada vez mais importância, pois a sua carência provoca atrasos de crescimento, má cicatrização e diminuição das respostas do sistema imunitário. O excesso de proteínas deve ser uma preocupação para a saúde? As proteínas - carne, peixe, ovo - são metabolizadas pelos rins e o seu excesso crónico pode causar deterioração da função renal, o que poderá vir a ter uma importância enorme se os erros forem muitos e precoces, tendo em linha de conta que os atuais bebés são pessoas com elevada probabilidade de vir a viver muitas e muitas dezenas de anos. Se não tomarmos cuida- do com a quantidade das proteínas que os nossos filhos ingerem, alguns deles poderão ver a sua função renal deteriorada em idades jovens, com perspect.va de viver muitos anos dependentes de tratamentos e de máquinas. Por outro lado, as proteína^ animais são importantes, e são ricas em ferro, e a carne deve ser iniciada com o primeiro puré: em pequena*: quantidades diárias (cerca de 20 gramas, ou seja, uma almôndega pequena), cozida e triturada com os legumes. Se não houver contra-indicação (alergias, por exemplo), o peixe é iniciado por volta dos 6 meses, quando a criança começa a comer o segundo puré, em quantidades mais ou menos iguais (30 gramas por dia, ou seja, um medalhão pequeno). Deve ser peixe «branco», sem gordura - solha, linguado, pregado, ou pescada nas crianças que não têm alergias familiares importantes. Assim, aos 6 meses (ou aos 8 nos que começaram mais tarde a diversificação), a criança terá uma alimentação com dois purés de legumes (um com carne, outro com peixe). O ovo deverá ser introduzido pelos 9 meses, ou mais tarde se houver história de alergias. O ovo substitui a carne ou o peixe (o bife com ovo-a-cavalo é um erro alimentar, por muito bem que nos saiba ao paladar). A carne alimenta mais que o peixe? Quando se come carne, geralmente a pessoa sente-se «bem», às vezes até mesmo «enfartada», com a sensação de que os alimentos estão no estômago mais tempo do que, por exemplo, quando se come peixe, mesmo que cozinhados da mesma maneira. Mas, na realidade, a qualidade proteica é muito semelhante, tratando-se, em ambos os casos, de proteínas de «alto valor biológico», apesar de o peixe ter um pouco mais de água do que a carne. A carne tem mais gordura do que o peixe (mesmo do que o peixe gordo, «azul»). Contudo, além da quantidade, é importante ter em conta outras diferenças, já que nas carnes predominam os ácidos gordos saturados, os quais estão praticamente ausentes no peixe - este tem uma razoável quantidade de ácidos gordos polinsaturados (ómega 3), característicos das gorduras marinhas, e que têm um fator protetor relativamente às doenças cardiovasculares. A gordura de peixe é, assim, muito melhor para a saúde do que a da carne. A carne vermelha alimenta mais que a branca? A diferença entre as carnes e vísceras vermelhas, em relação às brancas, é o seu maior conteúdo de ferro. Todas as carnes têm quantidades variáveis, mas sempre importantes, deste mineral. Ainda por cima, o ferro dos produtos animais é melhor absorvido e utilizado do que o ferro de origem vegetal. Em relação às proteínas, vitaminas e minerais, não existem grandes diferenças entre a carne vermelha e a carne branca. O seu conteúdo em gordura saturada e colesterol é muito semelhante. A principal diferença no valor nutritivo destes alimentos refere-se, pois, ao conteúdo em ferral pelo que não existe justificação para afirmar que as carnes vermelhas são melhores do que as brancas. O fundamental é que sejam carnes de confiança, no que toca à higiene, doenças; produtos adicionados nas rações ou administrados aos animais. As verduras e frutos completam-se ou substituem-se? Estes dois grupos de alimentos pertencem ao mundo vegetal e têm muitas afinidades; baixo conteúdo em calorias, proteínas de «valor biológico» similar, escasso teor de gorduras, elevada percentagem de água e de hidratos de carbono (amidos ou açúcares), libra, vitaminas (vitamina C e A) e sais minerais Os alimentos vegetais integram-se num conjunto e, de facto, existe uma regra na alimentação que aconselha a tomar um mínimo de cinco porções/dia de frutas e verduras. No geral, convém incluir os dois grupos de alimentos na dieta, sem pensar em escolher apenas um ou outro tipo de produtos Acostumar a criança a comer, por dia, uma salada, dois pratos de verduras (como prato base e/ou guarnição) e duas porções de fruta (uma de tipo cítrico e uma das chamadas frutas da época), seria o -ideal- e há que investir nesta opção, mesmo que, a princípio os miúdos «torçam o nariz». Qual é o valor nutritivo dos sumos? Na natureza só existem um alimento em estado líquido - a água. Existem também frutos que apertados, libertam sumo, mas com outros elementos, nomeadamente libra. Os sumos de fruta mesmo os chamados (impropriamente) «naturais-, são feitos «artificialmente». Embora tenham muitos deles, vitamina C e outros compostos deste grupo, os sumos de fruta tem uma grande quantidade de açúcares e perdem algumas das suas riquezas maiores, como as fibras, que regulam o transito intestinal. Por outro lado, enquanto, por exemplo, se come uma ou duas laranjas, no máximo, em sumo bebe-se rapidamente o correspondente ao açúcar de várias laranjas. Acresce que a fibra ajuda a saciar o apetite e tem uma absorção mais lenta. Já o sumo, por ser líquido, é absorvido quase instantaneamente, fazendo subir rapidamente o açúcar no sangue, o que não é muito adequado na maioria dos casos Os sumos engarrafados, apesar de muitos deles serem enriquecidos com vitaminas e minerais, frequentemente perdem ainda outros nutrientes. Portanto, é sempre melhor ingerir a fruta completa. E quando a questão é a seca ou a acompanhar as refeições, a bebida devera ser a água. Quando é que posso dar água com gás ao meu filho? É que tanto como o pai como eu gostamos de águas com gás e ele está sempre a pedir… A água gaseificada não deve ser, em principio, dada a crianças come menos de 2, 3 anos. Já lá vai o tempo em que se dava «água das pedras» para curara icterícia do recém-nascido Ao dar água com gás (e a questão é: qual o valor acrescentado do gás, relativamente à água natural?) está a dar ao seu filho um acréscimo de gases, num organismo que, por múltiplas e variadas razões, tem uma má gestão do ar. As crianças engolem ar porque têm o nariz tapado, porque engolem ar ao comer ou a falar, enfim, por múltiplas razões. Por outro lado, algumas águas gaseificadas contêm sal, açúcar ou corantes e substâncias artificiais que quanto menos se ingerirem melhor. Claro está que, ao ver os pais beberem água com sabor a morango, manga ou seja o que for, o vosso filho ficará curioso e quererá provar. Não lhe neguem, mas avisem que as bolhinhas «fazem impressão- e que aquilo é feito para o crescidos, havendo coisas muito melhores para as crianças.´ Qual é mais saudável: o pão integral ou o pão branco? Num dado momento da história, o pão branco começou a ser consumido pelas classes sociais mais favorecidas, como forma de se «separarem» das classes mais pobres. Poderia ser muito «nobre», mas tratava-se de um monumental erro nutritivo. Infelizmente a «moda» pegou e o consumo de pão branco estendeu-se a todas as pessoas. Felizmente, está-se a observar uma inversão desta tendência. No processo de refinamento do pão perdem-se fibras e alguns nutrientes importantes para o equilíbrio da criança. Baseando-nos nisto, podemos afirmar que, embora o pão branco seja eventualmente mais agradável e de mais fácil digestão, r pão integrai, apesar de ser de mais difícil conservação e digestão, tem elementos nutritivos importantes que o branco perdeu, e que são protetores em relação à saúde. Tem, pois, de se valorizar o pão integral, mas também não é caso de se exorcizar o branco, dado que o consumo de pão (em geral) é muito importante. Qual o papel dos lacticínios durante a infância e a adolescência? Os lacticínios são uma excelente fonte de proteínas de alta qualidade minerais, oligoelementos e vitaminas, extremamente importantes em determinados ciclos da "vida». Na infância e adolescência, por exemplo, as proteínas e o cálcio são indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento da massa óssea. O cálcio é absorvido nos intestinos, com a «ajudda vitamina D. Só se absorve aproximadamente 10% da quantidade presente na dieta, pelo que, se esta for escassa, podem surgir deficiências de cálcio. O leite completo é um veículo ecológico perfeito para a absorção de cálcio. Para quem sofre de intolerância à lactose (açúcar do leite), podem-se utilizar produtos fermentados lácteos (como o iogurte) com apenas 30% da lactose total do leite. O queijo, sem lactose ou apenas com resíduos, é muito rico em proteínas, gorduras e cálcio. Convém dar leite «leite magro» às crianças? Magro, não... a não set em raras situações, muito especiais, por recomendação médica. O leite inteiro é um alimento muito completo, já que contém quase todos os nutrientes, embora o teor de proteínas e de gordura seja exagerado para as necessidades da criança (não esqueçamos que o leite de vaca é feito para o vitelo...). Uma das questões que surgem ao retirar-se a gordura do leite é, por consequência direta, eliminarem-se também em parte ou por completo as vitaminas que estão associadas à gordura (A, D. E e K). Deste modo, em crianças saudáveis está indicado o leite gordo ou o meio-gordo. Uma das vantagens de habituar a criança ao sabor do leite-magro é fazer com que não sinta um «choque» quando, em mais velho, tiver que beber este leite por ser adequado à prevenção das doenças cardiovasculares. O que é que engorda mais: grão, lentilhas, feijão ou pão? Acontece com frequência culparmos um alimento pelo aumento de peso e atribuímos-lhe injustificadamente, uma grande capacidade para engordar Um alimento sozinho nunca e gorda, e o aumento de peso é consequência do consumo abundante de diversos alimente que trazem, em conjunto, uma quantidade de calorias superior à que se gasta. Outro aspeto, é «queque» a ingestão de certos elementos ao mesmo tempo faz com que o seu potencial para engordar aumente - é o caso das gorduras e dos hidratos de carbono, e o exemplo é o típico «queque-, que parece ser inofensivo, mas que engorda mais do que doces que sejam feito apenas de açúcar e hidratos de carbono. Se fazemos uma valorização objetiva, utilizando as tabelas de composição de alimentos 100 gramas de qualquer tipo de legume têm cerca de 325 calorias e 100 gramas de pão, 258 calorias. A questão não é tanto, pois, a quantidade de calorias, mas sim a porção de pão, ou legumes, que se consome durante o dia., os alimentos com que se combinam e a valorização do conjunto em termos de calorias para responder às necessidades da pessoa. Assim, a recomendação será consumir legumes pelo menos uma ou duas vezes por sem e pão diariamente, acompanhando o resto dos alimentos. O açúcar amarelo é mais saudável? A diferença reside no refinamento durante a fabricação. O açúcar branco é o produto cristalino refinado que se obtém da cana-de-açúcar ou da beterraba. O conteúdo em sacarose é de 99%. A forma comercial mais habitual é o açúcar granulado, mas também se encontra em pó mascavado, «amarelo», etc. Os cubos são torres de açúcares duros, submetidos a pressão quando estão húmidos, para que tenham essa forma. O açúcar cristalizado é incolor e de grande firmeza. Se se lhe adicionar caramelo durante a cristalização, o açúcar torna-se castanho. Alguns açúcares são amarelos porque, simplesmente, se tornaram dessa cor durante a refinação. A outros são incorporados «melaços», que são subprodutos da refinação do açúcar, dando lugar a variedades mais ou menos escuras. O açúcar mascavado tem um ligeiro sabor a rum, dependendo da quantidade de melaço que se lhe incorpore. O seu impacto nutricional depende da percentagem final de sacarose e outros açúcares, como a glucose e a frutose. Mas, quanto ao seu carácter dietético, podemos dizer que são igualmente saudáveis. O mel é melhor que açúcar? Do ponto de vista nutritivo, o mel é equivalente ao açúcar, e tem fundamentalmente hidratos de carbono (frutose e glucose), e substâncias derivadas do pólen, bem como algumas outras que lhe conferem cor e sabor, mas que não têm importância nutricional. Por outro lado, há que relembrar que o mel na chupeta ou no biberão que os pais dão – com muito amor- à noite, em crianças que já têm dentes, são fatores terríveis, porque a criança fica todo o período da noite com açúcar nos dentes, o que faz aumentar, em muito, a cárie dentária. Deve controlar-se o consumo de sal numa alimentação infantil? O sal é uma substância que se junta aos alimentos para lhes dar sabor e com funções de conservação Os alimentos naturais contêm quantidades variáveis de cloreto de sódio. Conforme o procedimento culinário, e com a eliminação da água em que foram cozidos, o sal pode ser também fortemente reduzido ou até eliminado. Não há dúvida de que alguns alimentos são pouco apetitosos, depois de cozidos, e ganham em sabor quando se lhe adicionam um pouco sal. As crianças, aliás, a partir dos 8-9 meses começam a gostar de um bocadinho de sal na comida. O problema para a saúde aparece quando se ena o hábito de salgar em excesso os alimentos, dado que, em indivíduos geneticamente predispostos, se observa a existência de uma relação direta entre o consumo de produtos excessivamente salgados e o aparecimento ou agravamento da hipertensão arterial conveniente, nas crianças, controlar o consumo de sal, pois quando se desenvolve, desde infância, uma grande apetência pelo mesmo, a comida parece sempre insonsa e facilmente se superam os 5 a 6 g de sal estabelecidos como a dose diária recomendada, com os riscos cardiovasculares de que falámos. Quando posso dar marisco à minha filha? Ela tem 18 meses... Os mariscos são considerados dos alimentos mais alergénicos, peto que a sua introdução na alimentação infantil deverá ser o mais tardia possível, e devagar, sem ser ao mesmo tempo que novos alimentos, para perceber se causam ou não alguma hipotética reação alérgica, a qual surge em cerca de 5% dos casos. A introdução dos mariscos deve ser protelada o mais possível se houver história de alergias na criança ou nos seus parentes mais próximos Os sinais de alergia são borbulhas, falta de ar, dores de barriga, vómitos e sinais que simulam asfixia. Como os mariscos pertencem ao nosso mundo gastronómico, não vale a pena ter ilusões de que os vossos filhos nunca hão-de provar. Que o façam i mais tarde possível, e que comecem pelo marisco simples, sem molhos à mistura. E se gostaram, tanto melhor para eles… que alguns mariscos são realmente muito saborosos. As crianças devem consumir vinagre e/ou especiarias? Há crianças que, muito precocemente, mostram um gosto definido para os alimentos com vinagre e limão, mostarda e conservas avinagradas, como os pickles. Este comportamento corresponde por vezes, a crianças que apresentam uma insuficiência gástrica que lhes produz um certo mal-estar, e que melhora de forma considerável depois da ingestão destes alimentos. Nestes casos, é conveniente, não propriamente fomentar o seu consumo, mas respeitá-lo quando se processa de maneira moderada, procurando que sejam da melhor qualidade possível e dando preferência ao limão, em vez do vinagre e outras especiarias. Obviamente que também há, em tudo isto, uma componente cultural, pois em muitas sociedades o consumo de picantes, por exemplo, começa de tenra idade. A partir do primeiro ano é legítimo incluir estes compostos na alimentação da criança, mal sempre com moderação e atendendo a eventuais gostos, ocorrência de alergias e intolerâncias. Que alimentos podem causar alergias com maior frequência? Não há praticamente nenhum alimento que não possa produzir uma alergia. No entanto, temos de considerar que, assim como há crianças especialmente propícias a alergias, também há alimentos que são mais alergizantes. E, frequentemente, é a associação de vários alimentos deste tipo que pode desencadear a reação. Entre os mais «culpados» encontram-se: leite ovos, trigo, milho, legumes, frutos secos e peixe. Existem igualmente muitas pessoas com alergia aos morangos, citrinos (laranjas, kiwi, tangerinas, etc.), tomate, chocolate e cerejas. Além do consumo destes alimentos há outras influências que podem agravar, ou favorecer, o aparecimento de uma resposta alérgica, mais concretamente a luz do sol, o calor, picadas de insetos, produtos de limpeza ou detergentes, bactérias ou presença de parasitas no intestino, e até o próprio stresse. A alergia ao kiwi é assim tão grande? É que é um fruto que dizem ter vitamina C e isso ser bom para as infeções... O kiwi (fruto muito recente na nossa alimentação, se formos a pensar, mas que se desenvolveu há exatamente cem anos na Nova Zelândia, tendo recebido o nome do pássaro tradicional daquele arquipélago) é causador de alergias, e o número de crianças com essas reações alérgicas tem crescido substancialmente nos últimos anos, sobretudo antes dos 5 anos idade, e com a particularidade de os sintomas poderem ser graves nestas idades. O kiwi generalizou-se nos supermercados e nas nossas mesas antes mesmo de ser possível estudar os seus eleitos. Como muitas das coisas associadas à globalização e à universalização dos produtos de consumo, «atira-se primeiro e pergunta-se depois-. A Ciência dirá mais o assunto, mas provavelmente não será bom dar kiwi antes do ano de idade, e prever que a sua introdução na alimentação da criança possa ter efeitos de alergia. A crianças com antecedentes diretos (pais e irmãos) com alergia e tendo tido, ela própria, episódios de alergia, é bom reservar o kiwi para o mais tarde possível. Curiosamente, há potenciação entre a alergia ao kiwi e a outras substâncias, como o látex. Quando pode uma criança beber álcool? A resposta é simples: Nunca! Uma criança nunca deve beber álcool. Para além dos efeitos imediatos, alguns deles graves, como a hipoglicemia, a lesão do fígado e do cérebro, etc., o álcool tem um efeito cumulativo a longo prazo. Os estudos demonstraram também que os adolescentes consumidores de álcool iniciaram o consumo numa idade significativamente mais precoce que os adolescentes abstémios. Por todos estes motivos, não convém que os pais incentivem os seus filhos a provar bebidas alcoólicas, mesmo que em quantidades pequenas. O álcool exerce um efeito tóxico (a curto e a longo prazo) e cria dependência, para além de que, do ponto de vista nutricional, o seu consumo é negativo pois proporciona calorias (7 kcal/g) e poucos nutrientes essenciais, o que, numa fase de crescimento, é muito contraproducente. Que alimentos facilitam a digestão? Os alimentos com pouca gordura são, em geral, mais fáceis de digerir. Nas crianças com problemas intestinais, ou de saúde em geral, aconselha-se, assim, uma dieta ligeira. Também os alimentos do tipo dos iogurtes são úteis nestas circunstâncias, pois são uma boa fonte de nutrientes, e conseguem ser bem tolerados e digeridos. Entre as frutas, as mais maduras digerem-se melhor que as verdes. Por outro lado, o comer espaçadamente, mastigando bem os alimentos, contribui para facilitar o processo digestivo. A alimentação pode ajudar a evitar as infeções frequentes das crianças? O funcionamento do sistema imunitário depende da situação nutricional da criança e das carências em proteínas, vitaminas ou minerais, que se associa ao aumento da incidência de infeções Por isso, melhorar a alimentação é um bom caminho para conseguir ingestões adequadas de energia e nutrientes, o que contribui para melhorar a saúde, ao otimizar a resposta imunitária e proteger a criança dos processos infeciosos. Embora estes processos patológicos dependam de diversas influências, a alimentação (correta ou incorreta) é uma delas. Qual a relação entre a alimentação, nomeadamente o consumo de açúcares, e a cárie dentária? Quando pensamos em cárie e em açúcar, temos por vezes a tendência de pôr «tudo no mesmo saco». Mas há diferenças que são Importantes e que podem fazer com que, sem abolirmos totalmente os açúcares - o que, das duas, uma, ou se torna impossível, ou seria causa de uma extrema infelicidade -, poderemos racionalizar o seu consumo. Assim, é fundamental ponderar os seguintes fatores: tipo de açúcar, período da noite, frequência com que se come, escovagem dos dentes e higiene oral. O açúcar é um dos grandes inimigos dos dentes, embora não cause diretamente a cárie (ao contrário do que julga). Mas serve de substrato ao crescimento das bactérias e, portanto, a sua presença oral é um convite ao desenvolvimento dos microrganismos. Há açúcares que são especialmente cariogénicos, como os chamados açúcares «rápidos» - a sacarose ou açúcar vulgar, sobretudo na forma líquida ou pastosa, ingerido e mastigado na forma de caramelos, pastilhas elásticas e não-elásticas, xaropes, etc. Os açúcares relacionados com outros alimentos não são tão cariogénicos e podemos escolher os que menos mal fazem (por exemplo, os que têm um tempo de contacto menor com o dente), a melhor hora de os comer (durante as refeições), redescobrir outros alimentos (um iogurte ou uma peça de fruta fazem muito melhor do que um pastel de nata ou uma bola-de-berlim...) E, ao comer açúcar, quais os cuidados que se devem ter? O período da noite é o pior, dado que dois dos principais fatores protetores, a saliva (que é alcalina e contraria a produção de ácido) e os movimentos da língua (que limpam os dentes, naturalmente), estão «adormecidos». Outro fator importante é o tempo de permanência do açúcar na boca e as vezes que novos açúcares são introduzidos. O dente, no intervalo entre o contacto com dois açúcares, tenta regenerar-se. Se esse intervalo for grande, o dente consegue um certo grau de recuperação que lhe permite -aguentar- melhor o embate de um novo açúcar. Se esse intervalo for pequeno, as lesões acumulam-se p agravam-se, sem dar tempo à mínima recuperação. Comer uma quantidade grande de açúcar de uma só vez é muito menos cariogénico do que comer pequenas quantidades (por exemplo, pastilhas), mas de forma continuada e repetida. Não é possível evitar que as crianças comam açúcar ou coisas doces - os doces fazem parte da nossa cultura, têm um significado social e desempenham um papel de relevo na recompensa pessoal. Basta ver o que prometemos aos nossos filhos se eles «se portarem bem» ou se fizerem o que queremos, ou o que levamos como presente quando somos convidados por amigos para jantar, ou ainda o que trazemos de fora quando vamos de viagem; doces, chocolates, bombons e rebuçados... Contudo, podemos habituar as crianças a não comerem doces regularmente (e não apenas por causa dos dentes) e ensiná-las a lavar e escovar os dentes depois de os ingerirem. Quando posso dar pastilhas elásticas ao meu filho? A pergunta deveria ser mais: quando é que é menos perigoso uma criança comer pastilhas elásticas, porque «dar», no sentido de estimular a consumir, não é adequado. Antes dos 4 anos, o risco de poder engolir ou asfixiar-se com as pastilhas é grande. Aprender o conceito de -mastigar sem engolir- é complicado, até porque nós, pais, insistimos com eles, às refeições, para mastigarem e engolirem. Claro que as pastilhas fazem parte da vida, e a dada altura haverá «um primeiro dia-. Nesse caso, tentem controlar o processo e não deixar que as coisas se desenrolem por si. É sempre preferível pastilhas compridas do que redondas ou pequenas, porque as primeiras são geral- mente mais moles e mais fáceis de mastigar E é de começar por metade, o que numa pastilha comprida é possível e numa redonda não. Um outro a aspeto é só permitir pastilhas sem açúcar caso contrário os dentes dos vossos filhos estarão permanentemente debaixo do ataque das bactérias. Posso dar pipocas ao meu filho, que tem 3 anos? Há dias fomos ao cinema e toda a gente estava com pacotes de pipocas. E claro que ele também quis. E eu fiquei na dúvida... As pipocas, dado que têm arestas, podem causar asfixia mesma nos adultos. O seu carácter «mole o duro» ao mesmo tempo pode causar problemas. Antes dos 4 anos dina que é cedo de mais para dar pipocas, mesmo que as crianças queiram. E depois ao dar se, convém não ser na escuridão de uma sala de cinema em que, se acontecer uma sufocação [muitas silenciosa) os pais podem não dar por nada e não atuar a tempo. Posso dar adoçantes ao meu filho? Melhor, melhor, será habituá-lo a não usar nenhuma forma de tomar os alimentos mais doces os alimentos naturais têm açúcar que chegue designadamente os frutos. E querer ou não açúcar no leite ou nos iogurtes é uma questão de hábito. Claro que a sociedade tem, no seu «menu», doces e açúcar. Não podemos imaginar que os nossos filhos vão estar alheios a eles ou que vão ser párias. De qualquer quer forma, e embora os adoçantes não tenham sido ainda testados em crianças creio que ensinar a adoçar (sem exageros) com edulcorantes, ou pelo menos mostrar que existem alternativas, será bom. Mas, insisto, o melhor adoçante é… não precisa de adicionar e contentar-se com o que existe naturalmente nos alimentos… é por isso que uns são mais doces do que os outros, para que uma alimentação equilibrada possa fazer, naturalmente, aquilo é instintivo e saudável para o animal que somos. Quais as regras na alimentação de uma criança de 2-5 anos? A criança deve tomar pelo menos quatro refeições ao dia, que forneçam cerca de 1.300 kcal, distribuídas entre o pequeno-almoço (25%), almoço (30%), lanche (15%) e jantar (30%). O total da energia distribuir-se-á da seguinte forma: proteínas 12-15%, gorduras 30-35% e hidratos de carbono 50-80%. O leite deve fornecer uma parte substancial das proteínas e do cálcio, cobrindo aproximadamente 30% das necessidades energéticas, o que se consegue com um aporte diário de 500 600 mililitros. As crianças desta idade devem comer carne e peixe, de preferência magros, assim como cereais, legumes e fruta Por outro lado, a partir do primeiro ano, podem introduzir-se todos alimentos na dieta da criança, ainda que deixando as associações mais arriscadas para mais tarde. E ó conveniente preferir alimentos -saudáveis- a alimentos desequilibrados, salga com excesso de doce, etc. É correto comer a meio da manhã e a meio da tarde? Tomar algo a meio da manhã ou a meio da tarde pode ser considerado benéfico, no geral, pois é difícil cobrir as altas necessidades de nutrientes da criança sem esta consumir algo entre as refeições, para além de que também é benéfico para o seu rendimento e bem-estar passar menos tempo em jejum. Os estudos provam que os alimentos consumidos entre as refeições, proporcionam uma parte importante dos nutrientes diários, e os alunos que fazem estes «lanches» têm uma melhor situação nutricional. Os inconvenientes estão relacionados com a escolha de alimentos desadequados. O que deve comer a criança a meio da manhã? Convém evitar que a criança caia na monotonia de consumir, todos os dias, alimentos de alta densidade calórica, com as chamadas «calorias vazias», mesmo que o consumo esporádico destes produtos não deva ser encarado com a preocupação. No entanto, serão preferíveis as frutas, cereais, pão ou algum dos vários lacticínios. Os aditivos alimentares são perigosos? Os aditivos são produtos químicos que se acrescentam aos alimentos durante a sua fabricação ou para melhorar a sua conservação, aspeto e valor nutricional. Estes produtos podem ser tóxicos, (dependendo da quantidade) no entanto os permitidos por lei são submetidos a uma investigação rigorosa e controlo permanente sendo que a informação alarmista que surge frequentemente à volta desta questão, carece, na maior parte dos casos, de fundamento. É indiscutível que as autoridades sanitárias devem controlar, e na realidade controlam, os aditivos que se utilizam, no entanto a mente do consumidor não deve ser bombardeada com mensagens catastrofistas sobre os produtos que, em geral, são úteis e não perigosos. Os corantes e conservantes alimentares são saudáveis? Os conservantes são acrescentados a todos os alimentos por forma a aumentar a sua vida comercial, ou manter mais tempo o seu valor nutricional, enquanto os corantes visam uma melhoria organolética no aspeto do produto tornando-o mais apetecível. Nem todos os tipos, nem todas as quantidades podem ser classificados como -saudáveis-, nem da mesma forma é certo que os corantes e conservantes nos intoxiquem e devam ser olhados com receio. Frequentemente identifica-se alimento «natural» com -puro- e «saudável», enquanto se tiver conservantes/corantes passa a ser considerado como um produto perigoso que pode prejudicar a saúde. No entanto, estes são assuntos que deveriam ser desmistificados. Não se pode garantir que um alimento é melhor que outro pelo simples fato de não conter corantes/conservantes, deveriam ser tomados em conta outros aspetos no produto final. Os alimentos pré-cozinhados podem ser consumidos na infância? As crianças podem consumir, sem problemas, alimentos pré-cozinhados Na realidade durante a primeira infância consomem, por vezes, alimentos para bebé/criança, em boião, extremamente importantes do ponto de vista nutritivo e com controlos mais rigorosos que aqueles que uma mãe média pode aplicar na preparação dos alimentos do seu filho. Nem todos os alimentos pré-cozinhados são iguais {o seu valor dependerá das instalações, controlos, métodos... da indústria concreta que os fabrica), o mesmo acontecendo com os alimentos preparados em casa, nem todas as famílias têm os mesmos recursos e conhecimentos para a elaboração das refeições dos seus filhos Por vezes os controlos que se fazem às matérias-primas, e em diversas fases do processo de fabricação, podem ser mais rigorosos numa determinada empresa, do que em casa, por esta razão em vez de classificar como -bons- ou «maus» os alimentos pré-cozinhados seria conveniente utilizá-los alternando-os com outros produtos «não pré-cozinhados». Deve-se evitar comer «comida rápida»? O conceito de comida rápida não se refere â ingestão rápida dos alimentos, mas sim à forma rápida como são cozinhados. A «comida rápida» tem, por vezes, uma má fama injustificada. Nem todas as misturas são iguais (desde o ponto de vista higiénico/nutricional) nem a «comida rápiddeve ser criticada no seu conjunto Pode-se considerar -comida rápida-: pizzas, hamburgers, sandes alimentos, em princípio, totalmente defensáveis (tendo em conta os seus ingredientes e os nutrientes que possam fornecer) salvo se forem a base principal da alimentação de uma criança, e em que estão excluídos da alimentação os outros produtos, dado que têm geralmente um número muito grande de calorias. A -comida rápida- deve ser avaliada, não apenas no contexto alimentar, mas também no social e, como tudo, uma exceção não faz a regra na alimentação global da criança. O pior é quando as -comidas rápidas» estão em nossas casas, nas despensas ou frigoríficos... É bom dar gelatina às crianças? A gelatina é feita a partir da cartilagem animal (menos procurada desde o tempo das «vacas loucas») ou de vegetais. De qualquer forma, a sua composição é eminentemente proteica, com um teor muito reduzido de gorduras. A quantidade de açúcar, embora variável, não precisa de ser muita - convém verificar em cada marca ou comprar folhas de gelatina que não têm açúcar e adoçar em casa. O facto de ter vários sabores e cores, de ser fresca e ter a consistência de «treme, treme, mas não cai» tornam-na especialmente apetecível para muitas crianças. Como qualquer alimento, não se deve exagerar. Devemos sempre pensar que quando uma criança come gelatina à sobremesa ou ao lanche não está a comer outro alimento, designadamente fruta. E o aroma fruta que as gelatinas têm não é fruta real. Pode fazer-se uma mistura de gelatina com fruta e, sim, além de as crianças geralmente gostarem dessa composição que, esteticamente, até fica bem bonita, é uma sobremesa mais completa. E há sempre aquela promessa (leia-se chantagem): «Se não comeres o peixe, não te dou gelatina!» Os produtos naturais são sempre melhores do que os processados? Na opinião de algumas pessoas, o natural é sinónimo de saudável, enquanto a intervenção tecnológica pressupõe um risco. Este conceito não é correto uma vez que o processamento dos alimentos tem como objetivo conseguir produtos de maior valor nutritivo, melhor sabor, mais duradouros e mais seguros do ponto de vista microbiológico O natural pode ser melhor, ou pior que o processado, dependendo de múltiplos fatores. A comida preparada em casa pode ter maior valor nutritivo, ou melhores condições higiénicas que uma refeição pré-cozinhada, dependendo dos ingredientes, conhecimentos e técnicas da pessoa encarregue da preparação do menu. Em alguns casos, o resultado poderia ser desfavorável para o alimento/comida «natural». Convém evitar que as crianças comam alimentos fritos? A fritura não é um processo «natural» (aqui, sim, a expressão já ganha outra dimensão), como o é a cozedura, o grelhado ou o assado Ninguém ignora que o consumo de fritos está diretamente associado à ingestão de quantidades elevadas de gordura, com todas as consequências que esta tem para a obesidade, doenças cardiovasculares, falta de exercício físico por excesso de peso, doenças reumatismais, diabetes, entre outras, e ainda por problemas de auto-estima. Acresce que, dado o enorme valor calórico das gorduras, uma criança que coma fritos (batatas fritas, pacotes de aperitivos. salgados, etc.) acaba por comer menores quantidades de outros alimentos fundamentais para o seu bom crescimento. Claro que um guisado pode ter muito mais gordura do que um frito, e todos conhecemos pessoas que exageram na gordura, seja o que quer que cozinhem Mas reduzir a ingestão de fritos (de preferência aboli-los da alimentação diária, reservando-os para ocasiões excecionas como a ida muito de quando em quando a um restaurante de «comida rápida») é um dever dos pais, se querem promover a saúde dos filhos (e a vossa). Por outro lado, os óleos utilizados na fritura são muitas vezes sobreaquecidos ou utilizada muitas vezes, o que aumenta o seu potencial cancerígeno. É conveniente que as crianças comam frutos com pele? Não existe nenhum problema em retirar a pele antes de a consumir, especialmente se a criança assim o preferir. No entanto, se a criança aceita, ou prefere consumir algum fruto com pele pode ser interessante para aumentar o consumo de fibras, podendo fazê-lo sempre que a fruta tenha sido bem lavada e escovada cuidadosamente, para eliminar os restos de adubos ou pesticidas que podem encontrar-se no exterior do alimento. Tenho reparado que o meu filho, que vai agora fazer 3 anos, cada vez que bebe sumos de pacote fica com diarreia. Será coincidência. Não é nada de grave, mas pelo menos duas vezes seguidas é garantido... A explicação é simples: alguns sumos de pacote contêm um açúcar chamado sorbitol, como forma de adoçar, mas que não é digerido, ficando no intestino. O excesso de sorbitol chama água ao intestino, causando amolecimento das fezes e, o que é a parle pior, podendo produzir sede desidratação. Se a criança for crescida, como é o caso da sua, pedirá água. Outros podem não saber pedir ou os pais pensarem que eles estão a exagerar, dado que acabaram de beber um sumo. O sumo de ameixa tem muito sorbitol Os de maçã, pêra e pêssego têm menos. Como podemos evitar o colesterol? Não é preciso eliminar o colesterol, uma vez que é necessário, devendo ser ingerido em quantidades baixas já que o organismo o tem de sintetizar O que é conveniente é evitar os excessos, estando definido que o aconselhável é não ingerir mais que 300 mg de colesterol/dia. Não obstante, há que fugir tanto dos excessos como da exagerada «colesterofobia» que se apoderou da opinião pública em matéria de alimentação. Num organismo saudável existem mecanismos de adaptação quando são ingeridas quantidades elevadas de colesterol, por um lado diminui a sua absorção intestinal, sintetiza-se menos, e por último, o fígado é capaz de captar colesterol circulante no plasma e convertê-lo em ácidos biliares que se eliminam em grande parte nas fezes. Embora o colesterol sanguíneo dependa de outras influências (genéticas, ingestão de calorias e gordura saturada, ingestão de vitaminas...) convém evitar um consumo excessivo, mas nunca evitá-lo por completo. Qual a importância dos ácidos gordos monoinsaturados e poli insaturados? Todos cumprem uma função importante. Alguns, como os polinsaturados (que se encontram no peixe e óleos vegetais) são percursores na construção de compostos com atividade biológica muito importantes (regulação da coagulação, manutenção das paredes das artérias) entre estes encontram-se ainda os ácidos gordos essenciais (necessários e que o organismo não consegue sintetizar). Os ácidos gordos monoinsaturados (cujo principal representante é o ácido oleico do azeite) não aumentam os níveis de colesterol plasmático e ainda aumentam as frações «boas» como a HDL em relação às agressivas como a LDL e a VLDL Todos têm pois o seu lugar adequado na dieta. A gordura animal como a de porco, tem sido com frequência vista com receio, e relacionada com o aumento de risco cardiovascular, no entanto esta gordura tem uma alta concentração de ácidos gordos que se transformam em ácido oleico, monoinsaturado típico do azeite (e útil na prevenção cardiovascular) no organismo. Como se pode prevenir a anorexia e a bulimia desde tenra idade? A anorexia e a bulimia são transtornos do comportamento que, apesar de afetar ma alimentação. Têm uma origem psicológica ligada a outros problemas. Para tentar preveni-las o ideal é criar um ambiente familiar agradável, manter um bom relacionamento e diálogo com a criança, definir uma educação alimentar correta (fazendo com que durante a infância se aprenda o valor nutricional dos alimentos e que a sua importância é maior do que o mero controlo de peso). No entanto, nem sempre se pode evitar que estas patologias surjam, por isso é também muito importante saber detetá-las o mais cedo possível, uma vez que o diagnóstico e o tratamento precoce facilitam muito a sua recuperação. Neste sentido, foi desenvolvido um trabalho muito importante informando os pais e educadores da existência destes problemas para que sejam detetados nas crianças comportamentos estranhos, perda excessiva de peso. Mudanças de comportamento, e assim poderem ser tomadas medidas e consultar pessoal especializado. Sou de uma família de «gordos» e eu próprio tenho peso a mais. Acha que convém dar «leite magro» aos meus filhos, que têm 1 e 3 anos? Magro, não... a não ser em situações muito especiais, por recomendação médica. O leite inteiro é um alimento muito completo, já que contém quase todos os nutrientes, embora o teor de proteínas e de gordura seja exagerado para as necessidades da criança (não esqueçamos que o leite de vaca é feito para o vitelo...) Uma das questões que surgem ao retirar-se a gordura do leite é, por consequência direta, eliminarem-se também em parte ou por completo as vitaminas que estão associadas à gordura {A, D, E e K) Deste modo, em crianças saudáveis está indicada o leite gordo ou o meio-gordo. Uma das vantagens de habituar a criança ao sabor do leite meio-gordo é fazer com que não sinta um «choque» quando, em mais velho, tiver de beber este leite por ser o mais adequado a prevenção das doenças cardiovasculares. No meio deste fundamentalismo todo contra os doces, o que é pior para os dentes? Mel, açúcar ou colas? E o leite, também não tem «carradas» de açúcares? Em Saúde Pública, tudo o que seja fundamentalismo é errado, e ainda por cima ineficaz porque as pessoas não integram as boas práticas na sua vida própria, acabando tudo cair por terra. O açúcar pode, obviamente, deixar nos dentes um bom substrato para o crescimento das bactérias que, depois, vão produzir a partir desse mesmo açúcar, o ácido com que deterioram o esmalte, causando cáries. Além dos outros efeitos do açúcar na saúde, que agora não vêm ao caso. No entanto, é diferente comer um doce num determinado momento, ou comer doces ao longo do dia, mesmo que sejam só pastilhas pequenas, e também é diferente ser ao longo do dia ou antes de ir para a cama - durante o sono e o jejum noturno é que as bactérias -atacam- se houver açúcares nos dentes. Relativamente à sua questão concreta, as colas, o açúcar e o mel são das substâncias mais cariogénicas. A cola e o mel, ainda por cima, causam erosão dentária. O leite humano também é mais cariogénico do que o leite de vaca, porque tem um teor de lactose superior No entanto há que considerar que os substitutos do leite materno, que são derivados do leite de vaca e são utilizados no primeiro ano de vida, sofrem transformações que acabam por os fazer equivaler ao leite materno. É fundamental relembrar, também que não se devem deitar crianças em biberões, chupetas com mel ou açúcar, o que é necessária uma higiene oral e dentárias muito precoces e bem-feitas, logo a partir dos primeiros meses de vida. Amigos meus sugeriram-me dar leite de soja à minha filha, de 2 anos, que estava a ter dores de barriga e a enjoar o leite. E a verdade é que resultou. Mas agora li um artigo que diz que o leite de soja tem hormonas. Já não sei em que acreditar... Em primeiro lugar, acredite nas pessoas, no mundo e na sua filha O facto de se saberem algumas coisas - para além do que pode ser exagero da comunicação social - mostra que a sociedade está atenta e que os produtos com riscos são já uma pequena minoria. O leite de soja contém fito-estrogéneos, (uma hormona de tipo estrogénico que se encontra nas batatas, feijões, maçãs e grãos de trigo, milho, etc.) mas não há provas de que beber leite de soja cause algum problema E já há quase 50 anos que o consumo do leite de soja tem sido estudado, sem que as crianças que o beberam tenham algum problema em adultos. Mais: há quem diga que os fito-estrogéneos podem até contribuir para baixar o colesterol. O importante é assegurar que o leite tem as vitaminas e minerais necessários ao crescimento, o que acontece com os preparados que se vendem no mercado. Quais os alimentos que têm mais cálcio, além do leite? Brócolos, iogurte, queijo, cereais, barras de cereais. Alguns alimentos são ricos em cálcio, mas se contiverem também fitatos. Estes vão impedir a absorção do cálcio pelo organismo Pode-se confiar na capacidade de controlo alimentar das crianças? Pode, sobretudo nesta idade. Mais tarde, ou mesmo nos mais velhos deste grupo etário, já intervêm outros fatores como a gulodice, a pressa e o facilitismo. Se o ambiente for favorável, e os alimentos que se apresentam saudáveis, as crianças fazem as escolhas certas, em termos de quantidade e de qualidade. Mas com a variação que é normal, de umas para as outras. Como é que posso sentir que essa regulação se está a fazer? Muito simples. Dar comida quando tem fome, parar quando diz que não quer mais, mas atender a algumas coisas, como o tipo de alimentos que se dá, mesmo que -fora de horas», e que a pressa em acabar não tenha a ver com algum outro estímulo que a criança entenda como melhor», designadamente a brincadeira ou a televisão. Mas devo dar o que ela quer? As crianças sabem se têm fome ou se já tão cheias, mas são capazes de não saber uma alface é preferível a agrião. Ou um doce. Ou seja, o papel dos pais deve ser responder a este demonstração de equilíbrio energético da criança com a qualidade dos alimentos que os seus conhecimentos ditam. E aqueles comilões que parece que não sabem fazer outra coisa? Uma coisa é a necessidade de comer, outra o prazer, outra ainda o não ter mais nada para fazer por falta de alternativas engraçadas. É aqui, nesta divisão (às vezes muito difícil de fazer) que os pais devem jogar. E por isso é que não há ninguém melhor colocado do que eles para o saber Desde que se tenham, sempre, habituado a observar os filhos e a saber como eles se comportam, como reagem e o que mostram nas suas atitudes espontâneas. Ler Mais...

Passei de uma copa A para um tamanho D – o meu marido espera que isto fique para sempre mas não vai ficar pois não?

Muitas mulheres notam um aumento no tamanho dos seios no segundo trimestre e algumas mantêm o tamanho maior depois do parto, em especial se amamentam. Isto é devido aos efeitos do estrogénio, que provoca o depósito de gordura nos seios. Ao mesmo tempo que os seus seios aumentam, as veias tornam-se mais visíveis por baixo da pele, os mamilos e a zona à volta dos mamilos (aréola) tornam-se mais escuros e maiores e podem aparecer inchaços na aréola. Algumas mulheres ficam com estrias nos seios, mas estas desaparecem com o tempo. Depois do parto os seus seios podem tornar-se ainda maiores quando o leite subir! Reduzem em tamanho logo que deixa de amamentar, embora a maior parte das mulheres confirma a permanência de um certo aumento. Ler Mais...

Ouvi falar de médicos que “viram” os bebés em posição pélvica. Como é que isso funciona?

Alguns obstetras podem tentar virar um bebé em posição pélvica no fim da gravidez, ou seja, fazer uma versão cefálica externa (VCE), que tem uma percentagem de sucesso de cerca de 50 %. Durante uma VCE, um obstetra move gentilmente o seu bebé pressionando as mãos no seu abdómen e utilizando ecografia como guia. Poderão dar-lhe uma droga para relaxar os músculos uterinos. Primeiro ser-lhe-á feita uma ecografia e se o seu bebé estiver numa posição complicada o processo pode não continuar. Se o bebé for grande, isso pode afectar o processo, assim como a quantidade de líquido à volta dele, pois pouca quantidade de líquido oferece menos protecção ao bebé. Se você for rhesus negativo, terá de tomar uma injecção de anti-D depois da VCE devido a um pequeno risco de hemorragia à volta da placenta. Uma VCE não é recomendada se você tiver uma gravidez múltipla, se tiver tido hemorragias durante a gravidez, se a placenta estiver descida, se as suas membranas tiverem rompido ou se houver conhecimento de algum problema com o bebé. O processo não é sem riscos e alguns julgam que só resulta com bebés que de qualquer forma se teriam voltado. Se o seu bebé se mantiver em posição pélvica, poderá ser aconselhada uma cesariana, embora alguns obstetras queiram tentar um parto vaginal. Você não é obrigada a fazer uma VCE e deverá discutir as suas opções. Por último, há uma forma de acupunctura chamada moxabustão na qual uma erva perfumada é colocada sobre um ponto de acupunctura, sendo o objectivo relaxar os músculos uterinos para ajudar o bebé a voltar-se. Fale com o seu médico ou com a sua parteira antes de tentar e peça conselho a um acupunctor qualificado. Ler Mais...

O que é um “D e C”?

D e C são as iniciais para dilatação e curetagem, um procedimento cirúrgico no qual a abertura do útero, o colo do útero, é dilatada e o tecido que envolve as paredes do útero é raspado ou removido (curetagem). Este procedimento é algumas vezes utilizado para garantir a evacuação do conteúdo uterino de uma gravidez não evolutiva. Há vantagens e desvantagens a considerar antes de fazer um D e C. O processo fica em geral concluído em duas horas e muitas mulheres recomeçam a sua actividade no prazo de uma semana. No entanto, a necessidade de uma raspagem cirúrgica ou D e C depois de um aborto tem sido questionada devido a potenciais complicações, tais como hemorragia e infecção. Peça conselho ao seu médico. Há opções menos agressivas do que o D e C. Um método é o de simplesmente observar e esperar para ver se o útero irá expelir espontaneamente quaisquer conteúdos restantes da concepção. Outra opção é um tratamento com medicamentos, que estimulam as contracções do útero para expelir naturalmente os tecidos da gravidez. Ler Mais...

Algumas questões

Freio da língua Aquilo a que se chama habitualmente «freio da língua» e que provoca, quando curto, uma situação que se designa por «língua presa», é nem mais nem menos do que um espessamento dos músculos génio-hioglóssicos, mesmo na parte central da língua, formando uma prega vertical. Pode ser uma coisa muito ligeira (apenas uma pequena membrana), ou um espessamento razoável. Neste último caso pode impedir que a língua saia normalmente da boca, prejudicando a deglutição e a fala (nos recém-nascidos normais, a língua é sempre pequena). A principal alteração da fala que se atribui ao freio da língua é a criança ficar «ciosa», com dificuldade de pronunciação de certas letras (N, L, T, D - «sopinha de massa»). Embora não seja um problema de maior, há que pensar que estamos numa era de comunicação e que tudo o que possa prejudicar esta, poderá ter efeitos no relacionamento e na auto-estima da criança, quer em casa, quer na sua vida escolar e pública. Na dúvida, o cirurgião pediatra dirá se é melhor fazer o corte do freio, o que, a fazer, é rápido e instantâneo, sem quaisquer perigos, se for feito nas primeiras semanas de vida. Ler Mais...

Qual a importância da carne?

Qual a importância da carne? A importância da carne reside principalmente no seu conteúdo de proteínas, com alto valor biológico, ou seja, com grande valor nutricional, garantindo que a criança tem os aminoácidos essenciais para o seu crescimento. Para além disso, a carne é uma importante fonte de ferro e de vitamina B12, elementos muito importantes para todos os sistemas do organismo, como o sangue ou o sistema imunológico. A carne contém uma grande quantidade de ferro, fácil de absorver, e são também bons reservatórios de zinco, um mineral a que se dá cada vez mais importância pois a sua carência provoca atrasos de crescimento, má cicatrização e diminuição das respostas do sistema imunitário. A carne deve ser iniciada com o primeiro puré: em pequenas quantidades diárias (cerca de 20 gramas, ou seja, uma almôndega pequena), cozida e triturada com os legumes. A carne alimenta mais que o peixe? Quando se come carne, geralmente a pessoa sente-se «bem», às vezes até mesmo «enfartada», com a sensação de que os alimentos estão no estômago mais tempo do que, por exemplo, quando se come peixe, mesmo que cozinhados da mesma maneira. Mas, na realidade, a qualidade proteica é muito semelhante, tratando-se, em ambos os casos, de proteínas de «alto valor biológico», apesar do peixe ter um pouco mais de água do que a carne. A carne tem mais gordura do que o peixe (mesmo do que o peixe gordo, «azul»). Contudo, além da quantidade, é importante ter em conta outras diferenças, já que nas carnes predominam os ácidos gordos saturados, os quais estão praticamente ausentes no peixe - este tem uma razoável quantidade de ácidos gordos poli-insaturados (ómega 3), característicos das gorduras marinhas, e que têm um fator protetor relativamente às doenças cardiovasculares. A gordura de peixe é, assim, muito melhor para a saúde do que a da carne. A carne vermelha alimenta mais que a branca? A diferença entre as carnes e vísceras vermelhas, em relação às brancas, é o seu maior conteúdo de ferro. Todas as carnes têm quantidades variáveis, mas sempre importantes, deste mineral. Ainda por cima, o ferro dos produtos animais é melhor absorvido e utilizado do que o ferro de origem vegetal. Em relação às proteínas, vitaminas e minerais, não existem grandes diferenças entre a carne vermelha e a carne branca. O seu conteúdo em gordura saturada e colesterol é muito semelhante. A principal diferença no valor nutritivo destes alimentos refere-se, pois, ao conteúdo em ferro, pelo que não existe justificação para afirmar que as carnes vermelhas são melhores do que as brancas. O fundamental é que sejam carnes de confiança, no que toca à higiene, doenças, produtos adicionados nas rações ou administrados aos animais. Quais as vantagens de comer peixe? O peixe é uma importante fonte de proteínas na nossa alimentação, proteínas essas de elevado valor biológico. Conhecido o risco que algumas proteínas representam em termos de agressão renal - e se considerarmos que as crianças atuais vão ter uma longevidade muito maior do que a das gerações anteriores -, a escolha das «melhores proteínas» é fundamental para proteger os rins e garantir que essa «vida longa» vai ser uma vida saudável, com um grau mínimo de incapacidade. Por outro lado, o peixe é de forma geral moderado em gorduras, embora dependendo, em algumas espécies, da altura do ano, e essas gorduras são constituídas, em elevada percentagem (muito mais do que a carne) por «ácidos gordos essenciais». O que são estes ácidos gordos? Conhecidos também pelo nome científico de «ómega 3» e «ómega 6», os ácidos gordos essenciais são, como o nome indica, absolutamente essenciais para a saúde, sendo vitais para o desenvolvimento das células e dos tecidos do organismo, bem como para as funções hormonais, saúde da pele, bom desempenho cerebral e produção de energia. Acresce que o corpo, a partir por exemplo dos ómega 3, produz fatores protetores em relação à arteriosclerose e deterioração dos vasos sanguíneos, inflamações e ainda a doenças imunológicas, como a artrite, a psoríase ou a asma. Conferem também uma maior proteção das células em relação ao ataque das bactérias e dos vírus. As evidências também parecem mostrar, de forma cada vez mais consistente, que os ómega 3 poderão ter um efeito positivo sobre o cancro e a diabetes. Se não houver contraindicação (alergias, por exemplo), o peixe é iniciado por volta dos 6 meses, quando a criança começa a comer o segundo puré, em quantidades mais ou menos iguais às da carne (30 gramas por dia, ou seja, um medalhão pequeno). O bebé deve começar por comer peixe branco, sem gordura solha, linguado, pregado, ou pescada nas crianças que não têm alergias familiares importantes. Assim, aos 6 meses (ou aos 8 nos que começaram mais tarde a diversificação), a criança terá uma alimentação com dois purés de legumes (um com carne, outro com peixe). E o ovo? O ovo, além de ter proteínas de tão boa qualidade como as da carne ou do peixe, tem um equilíbrio muito adequado de ácidos gordos (na gea) e uma quantidade aceitável de vitaminas e minerais) e deverá ser introduzido pelos 9 meses, ou mais tarde se houver história de alerqias. Mas as crianças embirram com o peixe... As preferências alimentares desenvolvem-se nos primeiros anos de vida e às vezes a rejeição deste ou daquele alimento têm a ver também com a consistência - e se o peixe não for firme (pelo menos tanto como a carne), as crianças podem rejeitá-lo. Alguns estudos realizados nos Estados Unidos, por exemplo, mostram que uma criança necessita de provar um alimento entre cinco e dez vezes, até se decidir a gostar. Assim, se o vosso bebé parece que «não gosta de peixe» temos que ver se o estamos a confeccionar da melhor maneira, mas não devemos substituí-lo por outra coisa. O consumo de peixe é pois muito importante, se queremos gerações cada vez mais saudáveis, vivendo cada vez mais e com melhor qualidade de vida durante mais tempo... e junta-se um alimento dos mais saudáveis a um elemento gastronómico que permite pratos dos mais saborosos e requintados. E as alergias ao peixe? O peixe pode causar alergia - por essa razão, evita-se a sua administração antes dos nove meses, em crianças alérgicas ou com elevado risco de potencial alérgico (um ou ambos os pais com alergias marcadas). Calcula-se que cerca de um quarto das crianças possa desenvolver alergias a certos peixes, embora, na maioria dos casos, sejam reações muito leves que em nada prejudicam a pessoa ou põem em causa a saúde. Os peixes que têm mais probabilidades de causar alergia são, entre outros: pescada, salmão, truta, arenque, sardinhas, peixe espada, halibute e atum. As reações não passam, geralmente, de pequenas erupções cutâneas (borbulhas) ou diarreia. Contudo, algumas pessoas podem desenvolver sintomas graves, até chegar ao choque anafilático, uma situação de urgência. Daí recomendar-se a introdução do peixe após os seis meses de idade, nas crianças sem antecedentes alérgicos de monta, e após os 9-12 meses nos que têm antecedentes marcados. O excesso de proteínas é, portanto, uma preocupação dos pediatras? As proteínas carne, peixe, ovo são metabolizadas pelos rins e o seu excesso cronico pode causar deterioração da função renal, o que poderá vir a ter uma importância enorme se os erros forem muitos e precoces, tendo em linha de conta que os atuais bebés são pessoas com elevada probabilidade de vir a viver muitas e muitas dezenas de anos. Se não tomarmos cuidado com a quantidade das proteínas que os nossos filhos ingerem, alguns deles poderão ver a sua função renal deteriorada em idades jovens, com perspectiva de viver muitos anos dependentes de tratamentos e de máquinas. Que fruta devo dar ao meu bebé? A fruta deve ser parte da diversificação desde o primeiro dia: aos 4 meses o bebé pode comer banana, pêra ou maçã esmagada ou ralada, de preferência crua. São as que são de mais fácil digestão e que têm um sabor provavelmente mais aceite pelo bebé desta idade. Aos 6 meses, introduzem-se outros frutos: pêssego, manga, papaia, meloa, melão, uva ou ameixa, etc. As laranjas e restantes citrinos, bem como os morangos, ananás e kiwi, deverão ser dados apenas depois dos 9-12 meses de vida, mesmo em criançassem risco alérgico especial porque a probabilidade de desencadearem alergias é maior antes desta idade. No início da diversificação, a papa de fruta poderá ajudar, quando colocada na ponta da colher, naqueles bebés que fazem bastante resistência ao puré, para «abrir caminho» e permitir que o bebé coma melhor. Há que gerir os frutos, também, levando em linha de conta o funcionamento do intestino do bebé. A banana e a maçã «prendem», enquanto a ameixa, meloa, uva e kiwi «soltam». A fruta deve ser dada sem casca, sem caroços e fibras internas (como as da banana), e preferencialmente «ao natural». A maçã, por exemplo, como é mais dura, poderá ter que ser ralada ou cozida, mas a maioria dos frutos pode ser dada de forma natural, esmagando. Convém preparar os frutos na altura, porque a exposição ao ar oxida-os e altera o sabor, para além do aspecto, podendo torná-los menos agradáveis. Deve evitar-se a adição de açúcar - tudo é uma questão de hábito, e é perfeitamente natural o bebé estranhar a fruta, nas primeiras vezes que come. Juntar açúcar é uma tentação e até pode melhorar a aceitação, mas vai iniciar um hábito indesejável, que é só comer um alimento que já tem açúcar natural (frutose) com outro açúcar que tem efeitos secundários desagradáveis (a sacarose). É admissível que os bebés comam frutos com a pele? A pele dos frutos tem um alto valor em fibra, pelo que a sua ingestão seria óptima. No entanto, o uso crescente de produtos agrícolas (cada maçã ou pêra é sujeita a mais de uma dúzia de tratamentos, por exemplo), e a apanha precoce dos frutos, faz com que alguns destes produtos possam permanecer na pele e, inclusivamente, na polpa que lhe está imediatamente subjacente. Não existe nenhum problema em retirar a pele antes de a consumir, especialmente se a criança assim o preferir - e a algumas faz confusão estar a morder a «casca» dos frutos. No entanto, se a criança prefere consumir algum fruto com pele »«o que pode ser útil na prevenção da obstipação», deve sempre lavar-se muito bem e escovar-se cuidadosamente, para eliminar os restos de adubos ou pesticidas que podem encontrar-se no exterior do fruto. Devo dar iogurte a partir de que mês? O iogurte não é mais do que o produto que se obtém através da fermentação do leite por bactérias lácticas (fermentos), que, ao contrário de outras fermentações, não origina um produto infeccioso ou causador de doença. O iogurte é uma excelente fonte de cálcio e de fósforo, elementos tanto mais importantes quanto intervêm na formação do osso e dos dentes, através do metabolismo da vitamina D. Como o iogurte é feito de leite de vaca e, portanto, tem as proteínas do leite que são um elemento potencialmente alergizante no primeiro ano de vida, alguns pediatras preferem começá-lo muito mais tarde. Contudo, o iogurte também tem componentes, os probióticos, que são importantes para a regulação intestinal. Tem um elevado valor nutricional, uma digestão fácil, protege o intestino e é rara a criança que não gosta do sabor e da consistência. Numa criança saudável, não haverá problema em introduzir o iogurte, pelos 6-7 meses, altura da introdução do 2.° puré de legumes e do peixe, e em que a papa transita para o lanche. Deve-se então dar iogurte natural, de preferência sem adição de açúcar, e suplementado com ferro, como já existem no mercado, com bolacha-maria ralada e fruta. Mas deverá ser o médico assistente a confirmar. Que tipo de iogurte? Deve, no entanto, começar-se por iogurte natural, de tipo «bio» (com lactobacilos de diversos tipos - o Lactobacillus bulgaricus pode dar um toque ácido que os bebés toleram menos. O Lactobacillus casei e o Streptococcus thermophillus são bem tolerados). Os ácidos gordos essenciais que estes produtos contêm, bem como o teor de vitaminas A, D, E e C são bem importantes para o desenvolvimento cerebral do bebé. Depois de o bebé estar habituado a comer o iogurte natural, - que geralmente se pode dar a partir dos 6 meses, substituindo a papa de cereais, e juntando-lhe bolacha esfarelada e um pouco de fruta (para não colocar açúcar) -, pode começar-se, pelos 9 meses, a dar iogurtes de fruta. Não é preciso ir ao ponto de só comprar iogurtes «para bebés». Os iogurtes de adultos servem perfeitamente para a larga maioria das crianças e são, no geral, mais baratos. Devem-se, no entanto, evitar os iogurtes magros (porque têm muito pouca gordura), bem como os iogurtes líquidos (porque uma das coisas que se pretende com a diversificação alimentar é, exatamente, o desenvolvimento da capacidade de mastigar e de lidar com alimentos espessos). A esse propósito, diga-se que é importante não ficarmos obnubilados com tudo o que é «produto para criança», porque se algumas coisas fazem, na realidade, uma diferença substancial em termos de resultados, outras não têm qualquer interesse prático e apenas servem para gastar mais dinheiro e complicar mais a vida, distraindo os pais de aspectos mais prementes e essenciais. E o iogurte na diarreia? O iogurte é, também, uma boa arma contra as diarreias, porque povoam o intestino de bactérias «boas», deixando menos espaço para as bactérias e vírus patológicos. Durante a diarreia, os iogurtes também têm uma acção benéfica e são alimentos bem tolerados. Finalmente, nos casos de intolerância ao açúcar do leite, a lactose (seja porque o enzima que a desdobra não existe, seja porque foi «limpo» na sequência de uma diarreia moderada ou grave), o leite será mal tolerado, perpetuando a diarreia, mas o iogurte não, dado que a lactose do leite com o qual se fez o iogurte já foi transformada em açúcares mais pequenos que dispensam, pelo menos em parte, os tais enzimas que se encontram deficitários. Devo restringir o glúten? A questão do glúten é polémica. O glúten é uma proteína de alguns cereais, que tem uma parte, a gliadina, que é a que permite fazer o pão. Algumas crianças têm uma intolerância a esta proteína e desencadeiam o que se designa por «doença celíaca». O milho e o arroz não têm glúten - é por isso que não se pode fazer pão apenas com estes cereais, sem misturar trigo, centeio ou outro. Alguns médicos defendem que o glúten deve ser introduzido mais para o final do primeiro ano de vida. Outros defendem que quanto mais cedo se detectar essa doença (que é genética), mais óbvios são os sintomas e mais depressa se faz o diagnóstico. Neste assunto, portanto, é de seguir o que o médico assistente indicar, se os pais estiverem de acordo. Devo habituar o meu bebé a comer à colher? É bom que as papas e purés de legumes sejam dados à colher, e nos primeiros dias o bebé vai habituar-se a esta, pelo que há que ter paciência e compreender que os mecanismos de engolir ainda nào estão treinados. Habituação à comida de casa? A passagem das refeições trituradas e «passadas» para uma com bocados mais sólidos depende de muitas coisas, desde a dentição e a capacidade de mastigar (duas coisas nem sempre relacionadas) até ao comportamento da criança face à comida. É por isso difícil estabelecer idades fixas. O ideal é que o bebé, ao ano, «coma com a família», ou seja, possa comer os alimentos confeccionados para os outros familiares, embora com bom senso, e partido à medida das suas capacidades. De forma geral, a partir dos 7-9 meses podem dar-se bocados menos triturados e começar, tranquilamente, a separar o «resto» da «sopa» - assim, a criança comerá uma sopa de legumes e, depois, puré de batata, arroz ou massa com legumes esmagados (cenoura, por exemplo) e carne ou peixe desfiado. A pouco e pouco habituar-se-á. Também no final do primeiro ano de vída, o bebé começa a ser mais irregular no seu apetite, e a querer ser parte integrante da refeição, começando a querer mexer nos alimentos. É normal e desejável mas,por razões óbvias, tem que haver alguma disciplina. Dar uma colher para a mão do bebé pode ser uma solução. "Crimes e escapadelas»? Durante muito tempo, a tal «ditadura da comida», além de cientificamente errada ou não fundamentada (ou seja, mais fundamentalismo que fundamentação) fazia com que os pais se sentissem extremamente constrangidos (chegavam a comprar balanças pesa cartas para pesar os alimentos!) e culpabilizados sempre que rompiam uma das «cinquenta mil» regras e regrinhas que o médico impunha. Felizmente, quer a ciência, quer o bom senso e a libertação da sociedade civil fizeram com que as pessoas estejam mais descontraídas e à vontade. E os pais são outros e os médicos também são outros. Não há «crimes graves», podem ter a certeza, e se um dia não comer papa ou puré, ou se puserem um vegetal ou outro alimento que não era aconselhado, muito dificilmente se pode dizer que isso tem alguma repercussão na saúde da criança. Quando me referi aos espinafres, por exemplo, o que quis dizer é que não se deve pôr por norma, mas uma vez de vez em quando não traz um mal por aí além. Puré para cinco ou seis dias? A diversificação alimentar não pode ser uma escravatura. É bom que os pais gastem um pouco do seu tempo a preparar a comida das crianças, mas quando há falta de tempo, é melhor gastá-lo a brincar com o filho ou, simplesmente, a admirá-lo. O puré de legumes pode ser feito todos os dias, ou para cerca de cinco dias. Neste caso, faz se cerca de um litro, com um bifinho pequeno (mais ou menos 100 gramas) ou uma posta de 150 gramas, e divide-se em cinco porções, congelando. Ao descongelar, há que ter o cuidado, se for no micro-ondas, de misturar bem o conteúdo e vazar para um prato, e depois provar para ver a temperatura. O aquecimento em micro-ondas não é homogêneo, ficando algumas parte muito quentes e as outras quase frias para evitarem queimaduras devem proceder assim. Posso dar boiões ao meu bebé? Os «boiões» são de boa qualidade e podem ser utilizados, mas são mais caros e é bom dar produtos cozinhados em casa. Os boiões deverão ficar reservados para ocasiões especiais - viagens, idas a casa de amigos, e também naqueles dias em que os pais estão cansados e têm pouco tempo e paciência para cozinhar. No entanto, há que recordar que os boiões de fruta têm um teor de açúcar mais elevado do que o fruto natural e torna-se mais monótono para o bebé. Além disso, a idade em que o vosso filho está requer um estímulo à mastigação e os boiões são demasiado homogeneizados. São muito úteis em situações excepcionais, mas deverão ficar por aí. Dietas vegetarianas? O número de pais que optam por dar uma dieta vegetariana aos seus filhos tem aumentado. O vegetarianismo pode ser condicionado por questões religiosas, por opções de estilo de vida ou ecológicas, ou por razões alimentares. O que é fundamental, é que as crianças a quem os pais não dão carne, peixe, e ovo até leite de vaca, saibam o que está em jogo e combinem com o médico assistente uma opção intermédia que permita à criança ver satisfeitas as suas necessidades fisiológicas e de crescimento, e manter ao mesmo tempo, mesmo que não integralmente, os desejos dos pais. Uma criança vegetariana deverá ser amamentada em exclusivo até aos 6 meses de idade, se a mãe tor saudável e não tiver, ela própria, carências. Aos 4-6 meses devem-se introduzir alimentos sólidos - papa de arroz enriquecida com ferro, aveia, cevada, milho, batata, cenoura, ervilha, batata-doce e feijão verde. Pode incluir-se, na alimentação, bananas, pêras e pêssegos. Depois, seguir-se-ão, pelos 7-8 meses, os feijões, tofu (também conhecido por «queijo de soja»), o seitan {bife vegetariano feito à base de trigo) e iogurte de soja. Pitágoras, Leonardo da Vinci, Rousseau, Newton e Beethoven eram vegetarianos...desde que o vegetarianismo seja pensado e executado com inteligência, os bebés não têm qualquer problema com isso... Existem alimentos que se possam chamar "completos»? A resposta não é simples. Há alimentos que são mais adequados e mais ricos do que outros, ou seja, com um maior leque de factores considerados importantes para a alimentação das pessoas, mas não se pode dizer que exista um alimento -ideal» que tenha tudo o que é necessário ou seja, não existe o -alimento perfeito». A Natureza parece exigir, assim, uma harmonia de alimentos de forma a compor uma dieta completa. Um exemplo: alguns vegetais, como os legumes, as batatas e os cereais, entre outros, são especialmente ricos em hidratos de carbono, mas também contem uma parte proteica e lipídica. Outros alimentos «como a carne, o peixe ou os ovos», são especialmente ricos em proteínas, mas também incluem, em diversas proporções, lípidos e até pequenas quantidades de hidratos de carbono. O mesmo ocorre com as vitaminas e os sais minerais: alguns produtos são muito ricos nestes micronutrientes. mas nenhum tem as quantidades para uma refeição completa. É. pois. evidente, que se torna necessário compor, com sabedoria, uma dieta que tenha o que a pessoa precisa, sem compostos de mais ou de menos. É este equilíbrio que temos que conseguir... o que não é fácil. Mas se optarmos por uma alimentação variada e diversificada, provavelmente estaremos a comer de forma inteligente. Podemos dividir os alimentos em bons e maus? Ou de primeira e segunda categoria? Não. Não há propriamente alimentos malditos, embora alguns sejam muito desequilibrado, não devendo, por isso entrar na composição das refeições. De qualquer forma, praticamente todos os alimentos tem algo -de bom*, sejam proteínas, sejam vitaminas. Mais do que este ou aquele alimento, os problemas surgem sobretudo por se abusar desses alimentos, com menor ingestão dos outros. O que é. então, correto, é «insistimos» compor as refeições de forma diversificada e variada, dentro do que poderíamos chamar dieta mista. E se não, propriamente, alimentos maus e bons, o que é verdade é que alguns deles são particularmente bons, no que chamamos um bom valor biológico. As proteínas, que formam as estruturas do nosso organismo «dos ossos ao sangue», encontram-se em alimentos caros e, portanto, escasseiam na dieta das populações mais desfavorecidas, como aconteceu em Portugal durante muitos anos (comer carne ou peixe foi, durante muitas gerações , um privilegio reservado para os domingos). Contudo, o excesso de proteínas na dieta, a que se assiste hoje (basta ver o tamanho e a frequência com que se comem bifes ou postas de peixe), a continuar, vai seguramente trazer muitos «amargos de boca» no futuro, pois os rins e o nosso organismo em geral têm um limite para as metabolizar. É importante que os pais se consciencializem que o peixe, e sobretudo a carne, devem ser dadas em quantidades muito pequenas. Os bebés podem consumir alimentos pré-cozinhados? As crianças podem consumir, sem problemas, alimentos pré-cozinhados. Aliás, desde a primeira infância que consomem, por vezes, alimentos para bebé em boião, adequados do ponto de vista nutritivo, e com um rigoroso controlo de qualidade, superior àqueles que uma mãe média pode aplicar na preparação dos alimentos do seu filho. Claro que nem todos os alimentos pré-cozinhados são iguais, pois o seu valor dependerá das instalações, métodos de fabrico e controlo de qualidade da indústria em causa, acontecendo no fim de contas o mesmo com os alimentos preparados em casa nem todas as 'família tem os mesmos recursos, conhecimentos e cuidados de higiene ou de culinária na elaboração das refeições. De qualquer modo, compete ao consumidor inteirar-se da composição do produto, do valor calórico, da data de validade e, por outro lado, fazer uma avaliação do custo relativamente a refeições feitas em casa. Os alimentos pré-cozinhados são uma alternativa em algumas situações, ou um complemento, noutras. Os produtos naturais são sempre melhores do que os processados? Na opinião de algumas pessoas e de alguns movimentos, o natural é sinonimo de saudável, enquanto que a intervenção tecnológica pressupõe um risco. Este conceito não é correto, uma vez que o processamento dos alimentos tem como objetivo conseguir produtos de maior valor nutritivo, melhor sabor, mais duradouros e mais seguros do ponto de vista microbiológico. O natural pode ser melhor ou pior que o processado, dependendo de múltiplos fatores. A comida preparada em casa pode ter maior valor nutritivo, ou melhores condições higiênicas que uma refeição pré-cozinhada, dependendo dos ingredientes, conhecimentos e técnicas da pessoa encarregue da preparação do menu. Em alguns casos, o resultado poderia ser desfavorável para o alimento/comida «natural». As tecnologias devem ser utilizadas, desde que não ponham em perigo a saúde, a segurança e o bem-estar. Condenar a evolução tecnológica, só por si, é pura demagogia - e os fundamentalistas do (impropriamente) chamado «natural» deveriam aplicar, então, essas regras a todas as facetas das suas vidas - do automóvel em que se deslocam aos livros que lêem e que são feitos em computador, do creme anti-solar aos brinquedos para os filhos, passando pelo frigorífico onde refrescam as bebidas ou pelo sabonete com que se lavam... O que se entende por dieta equilibrada? A criança deverá receber uma alimentação equilibrada e variada, com o total das calorias distribuídas entre hidratos de carbono (50%), gorduras (35%) e proteínas (15%). Por sua vez, as calorias totais dividir-se-ão por quatro refeições: cerca de 25% ao pequeno almoço, 30% ao almoço, 15% ao lanche e 30% ao jantar. Para conseguir a ingestão de energia, fibra, macronutrientes, vitaminas e minerais que a criança necessita, propõem-se diversas diretrizes sobre o que constitui uma dieta equilibrada (ver alguns exemplos de ementas, conforme a idade, na página 114). Em relação ao consumo de gorduras, doces e sal, a regra é a moderação. Quais então as indicações atuais para a alimentação no primeiro ano de vida? Durante o primeiro ano de vida devem tentar-se cobrir as grandes necessidades nutritivas, associadas ao rápido crescimento e desenvolvimento, mas respeitando as limitações digestivas e metabólicas da criança, dado que muitos dos seus órgãos e sistemas estão ainda imaturos. Nesta etapa podem diferenciar-se três períodos: lácteo (até aos 4-6 meses), diversificação progressiva, e alimentação completa (ou quase) por volta do final do primeiro ano. Neste período faz-se a introdução dos diversos grupos de alimentos que permitirão à criança ir conhecendo os sabores básicos: doce (a lactose do leite), ácido (frutas variadas), salgado (carne e peixe) e amargo (verduras em geral). A introdução paulatina e diferenciada de novos alimentos, deve ser acompanhada da mudança de texturas (líquido, pastoso, com pedaços...) à medida que se desenvolvem as possibilidades bucais, oro faríngeas e dentárias, assim como a mudança de sucção para o mastigar. O olfato desempenha uma função muito importante no reconhecimento dos alimentos e habituação a eles, bem como na relação com a memória. As mães devem amamentar enquanto quiserem e puderem, sem se sentirem pressionadas, mas fazendo da amamentação uma opção tranquila, moderna e reconfortante. A partir do 4.°-6.° mês as vantagens do aleitamento, embora sempre presentes, não são tão relevantes como nos primeiros meses. Claro que, em crianças alérgicas ou com potencial alérgico, o leite da mãe é muito importante mesmo para além desta idade, porque as proteínas do leite de vaca são ainda os maiores alergizantes. Nas crianças alimentadas exclusivamente ao peito, a partir do sexto mês o leite da mãe começa a ser insuficiente do ponto de vista nutricional, pelo que deverá começar a administrar-se a denominada alimentação complementar do latente, sem esquecer que durante o segundo semestre de vida a criança deverá tomar junto com esta cerca de 500 mililitros de leite ou derivados, por dia. Qual a importância nutritiva dos cereais e dos legumes? Os cereais contêm hidratos de carbono em abundância - são, aliás, a sua principal fonte. Além disso, têm proteínas e gorduras em pequenas quantidades. Na sua casca encontram-se fibras, minerais e vitaminas em abundância. Os legumes têm igualmente grande quantidade de hidratos de carbono e também proteínas, minerais, vitaminas (sobretudo do complexo B), fibras e ferro. As verduras e frutos complementam-se ou substituem-se? Estes dois grupos de alimentos pertencem ao mundo vegetal e têm muitas afinidades: baixo conteúdo em calorias, proteínas de «valor biológico» similar, escasso teor de gorduras, elevada percentagem de água e de hidratos de carbono (amidos ou açúcares), fibra, vitaminas (vitamina C e A) e sais minerais. Os alimentos vegetais integram-se num conjunto e, de facto, existe uma norma na alimentação que aconselha a tomar um mínimo de cinco porções/dia de frutas e verduras. Qual o valor nutritivo dos sumos? Embora tenham, muitos deles, vitamina C e outros compostos deste grupo, os sumos de fruta têm uma grande quantidade de açúcares e perdem algumas das suas riquezas maiores, como as fibras, que regulam o trânsito intestinal. Por outro lado, enquanto, por exemplo, se come uma ou duas laranjas, no máximo, em sumo bebe-se rapidamente o correspondente ao açúcar de várias laranjas. Acresce que a fibra ajuda a saciar o apetite e tem uma absorção mais lenta. Já o sumo, por ser líquido, é absorvi- do quase instantaneamente, fazendo subir rapidamente o açúcar no sangue, o que não é muito adequado na maioria dos casos. Os sumos engarrafados, apesar de muitos deles serem enriquecidos com vitaminas e minerais, frequentemente perdem ainda outros nutrientes. Portanto, é sempre melhor ingerir a fruta completa. Êaconselhável «racionar» o consumo de massas e pão na alimentação das crianças? Uma alimentação equilibrada e saudável é aquela que tem um predomínio de alimentos de origem vegetal. Assim, os cereais devem ter um protagonismo na alimentação, embora essa tradição se esteja, infelizmente, a perder, nos últimos tempos, nas chamadas «sociedades ocidentais-. Esta mudança é desfavorável do ponto de vista nutrido, regulação intestinal, proteção vascular, controlo de peso, etc. A ideia de que o pão e as massas engordam é errada e contribui para desprestigiar estes alimentos, fazendo com que diminua a sua presença na nossa dieta. Pelo contrário. O pão (sobretudo o pão feito «à moda antiga», de que é exemplo o «pão Alentejo») tem a faculdade de ser absorvido lentamente, proporcionando uma estimulação adequada do pâncreas, e ajudando a manter níveis estáveis de açúcar no sangue. Também as outras formas de comer cereais (massas, arroz, etc.) são importantes para as crianças, pois constituem uma boa fonte de energia. Quais as vantagens e inconvenientes do açúcar? Quando falamos de açúcar referimo-nos à sacarose, que se emprega como «açúcar de mesa» ou na preparação de doces, mas que também faz parte da composição de outros alimentos (especialmente os frutos). A sacarose desdobra-se em glucose, a qual tem grande importância para o organismo, pois é o combustível mais rápido e eficaz e, praticamente, o único útil (em condições normais) para o sistema nervoso e células sanguíneas. A sua principal característica, na refeição, é a capacidade que tem para adoçar alimentos. No controlo de peso não é especialmente perigoso pois só tem 4 kcal/g (a gordura proporciona 9 kcal/g, o álcool 7 e as proteínas 4,5). Por outro lado, o açúcar sacia mais do que os edulcorantes ou as gorduras (isto ajuda a que a pessoa demore mais a sentir fome novamente). Portanto, se não for ingerido em grandes quantidades, o açúcar não é tão mau como pode parecer. No entanto, tem uma ação nos dentes, com aumento do risco de cáries (quando se ingere com frequência ao longo do dia, e não se tem uma higiene oral adequada). Nas crianças, há que considerar o facto de, por precisarem de poucas calorias ao longo do dia, a ingestão de doces antes das refeições poder «tirar o apetite» para as refeições principais, com a consequente baixa de ingestão de frutos, legumes, carne e peixe ou cereais, etc. É mais saudável o açúcar amarelo que o branco? A diferença reside no refinamento durante a fabricação. O açúcar branco é o produto cristalino, refinado que se obtém da cana de açúcar ou da beterraba. O seu conteúdo em sacarose é de 99%. A forma comercial mais habitual é o açúcar granulado, mas também se encontra em pó, mascavado, «amarelo», etc. Os cubos são torrões de açúcar duros, submetidos a pressão quando estão úmidos, para que tenham essa forma. O açúcar cristalizado é incolor e de grande firmeza. Se se lhe adicionar caramelo durante a cristalização, o açúcar torna-se castanho. Alguns açúcares são amarelos porque, simplesmente, se tornaram dessa cor durante a refinação. A outros são incorporados «melaços», que são subprodutos da refinação do açúcar, dando lugar a variedades mais ou menos escuras. O açúcar mascavado tem um ligeiro sabor a rum, dependendo da quantidade de melaço que se lhe incorpore. O seu impacto nutricional depende da percentagem final de sacarose e outros açúcares, como a glucose e a frutose. Mas, quanto ao seu caráter dietético, podemos dizer que são igualmente saudáveis. O mel é melhor que o açúcar? Do ponto de vista nutritivo, o mel é equivalente ao açúcar, e tem fundamentalmente hidratos de carbono (frutose e glucose), e substâncias derivadas do pólen, bem como algumas outras que lhe conferem cor e sabor, mas que não têm importância nutricional. Há também que não esquecer que alguns desses pólens podem contribuir para o aparecimento de alergias no bebé. Por outro lado, há que relembrar que o mel na chupeta ou o biberão que os pais dão «com muito amor» à noite, em crianças que já têm dentes, são factores terríveis, porque a criança fica todo o período da noite com açúcar nos dentes, o que faz aumentar, em muito, a cárie dentária. Deve controlar-se o consumo de sal numa alimentação infantil? O sal é uma substância que se junta aos alimentos para lhes dar sabor e com funções de conservação. Os alimentos naturais contêm quantidades variáveis de cloreto de sódio. Conforme o procedimento culinário, e com a eliminação da água em que foram cozidos, o sal pode ser também fortemente reduzido ou até eliminado. Não há dúvida de que alguns alimentos são pouco apetitosos, depois de cozidos, e ganham em sabor quando se lhe adicionam um pouco de sal. As crianças, aliás, a partir dos 8-9 meses começam a gostar de um bocadinho de sal na comida. Mais: precisam de um pouco de sal para estimular o desenvolvimento das papilas gustativas que sentem o sabor salgado. O problema para a saúde aparece quando se cria o hábito de salgar em excesso os alimentos, dado que, em indivíduos geneticamente predispostos, se observa a existência de uma relação direta entre o consumo de produtos excessivamente salgados e o aparecimento ou agravamento da hipertensão arterial. E conveniente, nas crianças, controlar o consumo de sal, pois quando se desenvolve, desde a infância, uma grande apetência pelo mesmo, a comida parece sempre insossa e facilmente se superam os 5 a 6 g de sal estabelecidos como a dose diária recomendada, com os riscos cardiovasculares de que falámos. As crianças devem consumir vinagre e/ou especiarias? As crianças de pouca idade não devem consumir estes produtos, já que podem ser irritantes para o tubo digestivo, dado a sua imaturidade. No entanto, há crianças que, muito precocemente, mostram um gosto definido para os alimentos com vinagre e limão, mostarda e conservas avinagradas, como os «pickles». Este comportamento corresponde, por vezes, a crianças que apresentam uma insuficiência gástrica que lhes produz um certo mal-estar, e que melhora de forma considerável depois da ingestão destes alimentos. Nestes casos, é conveniente, não propriamente fomentar o seu consumo, mas respeitá-lo quando se processa de maneira moderada, procurando que sejam da melhor qualidade possível e dando preferência ao limão, em vez do vinagre e outras especiarias. Que alimentos podem, com maior frequência, causar alergias? Não há praticamente nenhum alimento que não possa produzir uma alergia. No entanto, temos que considerar que, assim como há crianças especialmente propícias a alergias, também há alimentos que são mais alergizantes. E, frequentemente, é a associação de vários alimentos deste tipo que podem desencadear a reacção. Entre os mais «culpados» encontram-se: leite, ovos, trigo, milho, legumes, frutos secos e peixe. Existem igualmente muitas pessoas com alergia aos morangos, citrinos (laranjas, kiwi, tangerinas, etc), tomate, chocolate e cerejas. Além do consumo destes alimentos há outras influências que podem agravar, ou favorecer, o aparecimento de uma resposta alérgica, mais concretamente a luz do sol, o calor, picadas de insectos, produtos de limpeza ou detergentes, bactérias ou presença de parasitas no intestino, e até o próprio stresse. Quando pode uma criança beber álcool? A resposta é simples: Nunca! Uma criança nunca eleve beber álcool. Para além dos efeitos imediatos, alguns deles graves, como a hipoglicemia ou a lesão do fígado e do cérebro, o álcool tem um efeito cumulativo a longo prazo. Os estudos demonstraram também que os adolescentes consumidores de álcool iniciaram o consumo numa idade significativamente mais precoce que os adolescentes abstémios. Por todos estes motivos, não convém que os pais incentivem os seus filhos a provar bebidas alcoólicas, mesmo que em quantidades pequenas. O álcool exerce um efeito tóxico (a curto e a longo prazo) e cria dependência, para além de que, do ponto de vista nutricional, o seu consumo é negativo pois proporciona calorias (7 kcal/g) e poucos nutrientes essenciais, o que, numa fase de crescimento, é muito contraproducente. Que alimentos facilitam a digestão? Os alimentos com pouca gordura são, em geral, mais fáceis de digerir. Nas crianças com problemas intestinais, ou de saúde em gerai, aconselha-se, assim, uma dieta ligeira. Também os alimentos do tipo dos iogurtes são úteis nestas circunstâncias, pois são uma boa fonte de nutrientes, e conseguem ser bem tolerados e digeridos. Entre as frutas, as mais maduras digerem-se melhor que as verdes. Por outro lado, o comer espaçadamente, mastigando bem os alimentos, contribui para facilitar o processo digestivo. A alimentação pode ajudara evitar as infecções frequentes das crianças? O funcionamento do sistema imunitário depende da situação nutricional da criança e das carências em proteínas, vitaminas ou minerais, que se associa ao aumento da incidência de infecções. Por isso, melhorar a alimentação é um bom caminho para conseguir ingestões adequadas de energia e nutrientes, o que contribui para melhorar a saúde, ao otimizar a resposta imunitária e proteger a criança dos processos infecciosos. Embora estes processos patológicos dependam de diversas influências, a alimentação (correta ou incorreta) é uma delas. Os corantes e conservantes alimentares são saudáveis? A questão não se pode pôr exatamente assim, porque seria demasiado simplista reduzir os alimentos ou as substâncias a «saudáveis» e «não saudáveis». Uma das coisas que temos que pensar, em primeiro lugar, é se seria possível conservar muitos alimentos por períodos longos, sem serem perigosos para a saúde, se não se usassem conservantes. Estes produtos visam aumentar a vida comercial dos alimentos - e permitir,por exemplo, que as pessoas afastadas de zonas não produtoras possam ingerir esses alimentos -, ou manter mais tempo o seu valor nutricional. Os corantes, por outro lado, melhoram o aspecto do produto, tornando-o mais apetecível. A exposição à luz, ao ar, a temperaturas extremas, à humidade e ao tempo e condições de armazenagem deterioram a cor de muitos alimentos. E isso pode contrariar as expectativas do consumidor. Assim, usam-se corantes para corrigir variações naturais na cor dos alimentos, realçar certos tons, dar cor a produtos que, naturalmente, seriam quase incolores (como um gelado de limão, por exemplo), dar um aspecto «engraçado» a alimentos utilizados, sobretudo, em festas de crianças e, finalmente, para proteger as vitaminas e os sabores da acção da luz. Nem todos os tipos, nem todas as quantidades podem ser classificados como «saudáveis» (o que será isso, neste contexto?) nem, da mesma forma, devem ser tomados como tóxicos e olhados com receio. Há, em alguns consumidores, a ideia que um alimento «natural»» é obrigatoriamente «puro» e «saudável», enquanto que se tiver conservantes ou corantes passa a ser produto perigoso, que pode prejudicar a saúde. Mas não é bem assim, pois não se pode garantir que um alimento seja melhor que outro pelo simples facto de não conter corantes ou conservantes - tudo depende do resultado final e de obedecerem, ou não, às normas de qualidade. E perigoso aquecer os alimentos das crianças no micro-ondas? Até certa altura receava-se que os micro-ondas pudessem causar algumas alterações indesejáveis nos alimentos ou transmitir radiações ao consumidor. A investigação veio mostrar que não existe nenhum fundamento para este receio. As radiações dos micro-ondas não são, nem nucleares, nem cumulativas, pelo que não são, de forma alguma, perigosas para a saúde. Qualquer produto pode ser aquecido desta forma, com segurança, e com a vantagem de as perdas de nutrientes serem menores. E quanto às queimaduras? Se, por um lado, os fornos de micro-ondas são seguros, no que se refere às radiações, por vezes podem resultar queimaduras por sobreaquecimento dos alimentos e uso inadvertido, designadamente: • o biberão aquecido no micro-ondas: o vidro fica morno e a pessoa que administra o biberão pega-lhe, sente a temperatura exterior e esquece-se de verificar a temperatura do leite - o bebé, geralmente esfomeado, abre a boca e mama com vontade: queima a língua e a mucosa oral e faríngea, por vezes de modo grave e intenso; • a papa ou o puré de legumes aquecidos no microondas: o aquecimento não é homogéneo e alguns bocados ficam muito quentes, enquanto outros quase frios. Se não houver o cuidado de mexer muito bem a papa para misturar o seu conteúdo, a criança pode queimar-se; • aquecimento de alimentos que têm uma parte sólida e uma parte líquida. Exemplo típico: pastéis de nata e croissants com recheio. A massa fica morna, a boca abre-se para dar uma mordidela e o líquido fervente provoca queimaduras graves. Acresce que o líquido açucarado é mais difícil de retirar e o tempo de contacto com as mucosas (ou a pele) é superior, pelo que as queimaduras são mais graves. Convém que os bebés comam fritos? A resposta é só uma: NÃO! A fritura não é um processo «natural» (aqui, sim, a expressão já ganha outra dimensão), como o é a cozedura, o grelhado ou o assado. Ninguém ignora que o consumo de fritos está diretamente associado à ingestão de quantidades elevadas de gordura, com todas as consequências que esta tem para a obesidade, doenças cardiovasculares, falta de exercício físico por excesso de peso, doenças reumatismais, diabetes, etc, e ainda por problemas de auto-estima. Acresce que, dado o enorme valor calórico das gorduras, uma criança que coma fritos (batatas fritas, pacotes de aperitivos, salgados, etc.) acaba por comer muito menos quantidades de outros alimentos fundamentais para o seu bom crescimento. Claro que um guisado pode ter muito mais gordura do que um frito, e todos conhecemos pessoas que exageram na gordura, seja o que quer que cozinhem. Mas reduzir a ingestão de fritos (de preferência aboli-los da alimentação diária, reservando-os para ocasiões excepcionais, como a ida muito de quando em quando a um restaurante de «comida rápida») é um dever dos pais, se querem promover a saúde dos filhos (e a deles). Por outro lado, os óleos utilizados na fritura são muitas vezes sobreaquecidos ou utilizados muitas vezes, o que aumenta o seu potencial cancerígeno. Ler Mais...
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