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Madrastas, padrastos, enteadas e enteados

As famílias são unidades extremamente dinâmicas, pelo que é uma asneira científica, social e antropológica pensar que existe uma «família tradicional». Pelo contrário, há vários tipos de família, e o número elevado de separações e de divórcios traz, com ele, um aumento do número de crianças que vivem numa situação dupla, com o pai e com a mãe em diferentes casas. Como o casamento (considerado de forma lata, como co-abitação ou união de facto) não está em crise - o que poderá estar é a sua duração e a sua manutenção -, muitos homens e mulheres separados ou divorciados voltam a apaixonar-se e a formar novas famílias, reconstruindo a sua vida, em novos caminhos para a felicidade. Felizmente que o fazem. Porém, as crianças dos primeiros casamentos são confrontadas com uma nova situação: viver com uma (ou duas) «outras pessoas», num contexto em que essas pessoas são mais do que simples amigos do pai ou da mãe. Esta reestruturação das famílias - sobre a qual não temos de emitir nenhum juízo de valor porque o seu sucesso ou insucesso é estritamente individual e tanto podemos relatar casos excelentes como péssimos -, leva no entanto a questões novas e frequentes, que só por si não dizem do eventual êxito destas «segundas ligações», mas podem amedrontar os intervenientes ou mesmo causar embaraços, se não forem antecipadas e bem geridas. As palavras padrasto e madrasta sempre estiveram associadas a situações de incompatibilidade ou mesmo de malvadez. Quantas vezes ouvimos relatos, em histórias de infância e não só, de padrastos que mais não faziam do que zurzir nos enteados, ou madrastas que, como no conto da Cinderela, humilhavam e punham em segundo lugar os filhos «herdados». Lembram-se de desastres de Sofia, da Condessa de Ségur? Os padrastos não andam necessariamente de chicote em punho, nem as madrastas obrigatoriamente umas «velhas, com dentes salientes e cara de bruxa». No que toca às crianças, a nova situação passa por várias fases e levanta outros tantos problemas. Ao analisar esta questão temos forçosamente de a enquadrar, mesmo quando as novas ligações acontecem passado um tempo sobre a separação dos biológicos, e independentemente das reações afetivas ou da cordialidade que sobraram do anterior casamento. Se já é difícil para uma criança reequacionar os seus afetos e relações com a mãe e com o pai biológicos depois de uma separação, a entrada em cena de uma ou mais pessoas pode constituir um elemento perturbador. Os ciúmes e o mau entendimento do que se está a passar (muitas vezes por má gestão das circunstâncias por parte dos adultos ou da própria criança) podem levar a uma situação de competição entre ela e o padrasto ou madrasta. As crianças são, por outro lado, manipuladoras e se puderem aproveitar alguma coisa com a indefinição existente não deixam ficar os créditos por mãos alheias, aproveitando-se da eventual fragilidade dos que agora começam a «jogar o jogo». É então que assistimos a frases do tipo «não sabes nada disso porque não vivias connosco», «não tens nada a ver com isso porque não és o meu pai» ou «pois, é natural que não te lembres porque isso aconteceu ainda não eras para aqui chamado». Até o próprio tratamento por «tu» do padrasto ou da madrasta, muitas vezes descurado pelos pais, é uma forma de ditar as regras do jogo. E o pior é que estas frases correspondem à mais pura verdade, vista de um modo factual, embora as conclusões sejam abusivas e às vezes até maldosas... Da parte dos padrastos e madrastas pode haver algumas dúvidas quanto ao investimento a fazer. Quer afetivo, quer por exemplo temporal e económico. Valerá a pena darmo-nos por completo aos filhos dos outros, sobretudo se eles nos olham com desconfiança? Valerá a pena entrar em competição com os pais biológicos do mesmo sexo quando as crianças não compreendem a sua posição? E como fazer quando se têm de ouvir frases como as que citei acima? Estas dúvidas são naturais e legítimas. Contudo, nada nos diz que não possamos amare gostar tanto de um «projeto» iniciado por outros do que de um no qual estivemos presentes desde o início. Até porque há um fortíssimo elo de ligação e de estímulo: o pai biológico ao qual a madrasta ou o padrasto se encontram ligados. Ler Mais...

Perguntas e Respostas sobre a higiene

Até que ponto deve ir a lavagem das mãos, em nossa casa? A lavagem das mãos com água e sabão remove a flora transitória, embora não remova nem mate a flora residente - mas isso é o que basta no dia-a-dia e em nossas casas e infantários. Uma lavagem das mãos bem leita e nos momentos em que deve ser, poderá impedir três dos principais modos de transmissão de doenças: fecal-oral, contacto indireto com secreções respiratórias e contacto direto com fluidos corporais. Nestes tipos de transmissão englobam-se praticamente todas as doenças que os nossos filhos têm, no dia-a-dia. Os toalhetes de limpeza servem para lavar as mãos? Os toalhetes de limpeza não limpam eficientemente as mãos, não devendo pois ser usados como alternativa à lavagem acima descrita, mas apenas quando forem mesmo necessários e de modo temporário. Com que idade se pode utilizar um sabonete comum? A partir dos 2 anos poder-se-á usar um sabonete, e a da escolha será conforme o gosto dos pais. No entanto, não se devem usar sabonetes demasiadamente apetecíveis, com cheiro e sabor a morango ou pêssego, por exemplo, porque a criança pode ter vontade de os comer. Que champô devo usar e como convencer o meu filho a lavar a cabeça? Deve optar por um que não taça arder os olhos e nos mais crescidos, que muitas vezes inventam o -drama- do champô para se esquivarem do banho, arranje uma pala ou uns óculos de piscina, porque acaba por introduzir um elemento engraçado e de brincadeira Não será disparate aquecer o champô mergulhando previamente o frasco em água quente do banho ou no lavatório, porque há crianças que detestam a sensação de uma coisa tria a escorregar-lhes pele pescoço. Devo usar amaciador? É recomendável, porque pentear é sempre um momento difícil quando o cabelo é fino, come acontece em quase todas as crianças, especialmente se for encaracolado, em que a escova ou pente se prende. Devo usar secador elétrico? O uso de secador é conveniente, sobretudo no Inverno, porque não é bom ficar com a cabeça molhada a arrefecer - é preciso cuidado, no entanto, para o secador estar sempre em movimento, para não se centrar demasiado tempo no mesmo local (risco de queimadura), e afastá-lo da água (risco de eletrocussão). Algumas crianças têm medo do barulho, mas o pentear costuma ser do agrado da maioria, sobretudo se feito com ternura e brincadeira (sentem-se princesas ou príncipes...) O meu filho tem 3 anos e berra cada vez que ligo o chuveiro. O que devo fazer? A brincadeira pode fazer a diferença, bem como o ensino progressivo de ser o seu próprio filho a segurar no chuveiro e a aplicar, devagar, o jato de água. Muitas vezes a má vontade vem de experiências anteriores em que o chuveiro estava quente ou frio (não esquecer que as várias zonas do corpo não têm a mesma sensibilidade térmica), ou em que o champô, mesmo sendo daqueles que não ardem nos olhos, encheram a cara e não deixaram abrir as pálpebras Tudo isto contribui para a sensação de perder o fio aos acontecimentos, do que ninguém gosta, designadamente as crianças. Como devo lavar a cabeça dos meus filhos, para que eles aceitem e para que não gritem como gritam? Faça movimentos suaves, circulares (como se fosse uma massagem), explicando o que se está a fazer numa linguagem fantasiosa e meiga (-Vamos lavar cada cabeio de uma vez. Agora este que se chama Pedro, depois aquele que se chama Miguel E este cabelo, como é que achas que se chama7-), pode transformar completamente um ambiente de guerra num momento de felicidade mútua Colocar a cabeça para trás quando se lava o cabelo, sobretudo ao retirar o champô, é muito importante para evitar que a cara receba doses de água e produto que não deixam abrir os olhos, respirar e até podem fazer engolir água. A minha filha, de 2 anos, tem sempre cera nos ouvidos. Por mais que faça, está sempre com cera. Até sinto vergonha... Ter cera não é sinónimo de falta de higiene, pelo contrário, e sinal de que os pavilhões auriculares estão a funcionar bem. Assim, não se devem limpar os ouvidos com cotonetes ou similares, porque só servirá para empurrar as secreções para locais mais fundos do canal auditivo, fazendo com que ela fique uma argamassa mais dura, um autêntico rolhão que pode prejudicar a audição E. também, para fazer pequenas feridas que podem causar comichão e ela coçar, a ferida, e abrindo portas à invasão das bactérias. Existem cotonetes com uma proteção redonda maior, e a utilizar algum cotonete deverá ser deste tipo. Devo ensinar o meu filho, de 3 anos, a assoar-se? Assoar-se e não fungar Assoar-se e não fungar. São palavras de ordem que têm de ser repetidas até à exaustão, sobretudo depois dos 2 anos e meio de idade, altura em que já é possível uma criança assoar-se. O mecanismo de expelir o ar pelo nariz é dependente de um «click» que, uma vez aprendido, já não se esquece. Mais rapidamente se fará se os pais, com jeito e paciência, não esperando que seja à primeira que o filho consegue, ensinarem esse mecanismo. Tenho uma bebé de ano e meio. Como devo cortar as unhas? Aproveite quando ela está a dormir porque não se mexe tanto e as hipóteses de se fazer um corte no dedo são muito menores. Quando for maior, cerca dos 2 anos, já pode fazer com ela acordada. Não corte as unhas muito curtas porque elas retraem-se e, ao crescer, podem encravar na pele, causando infeção e dor, para além de expor a polpa do dedo a traumatismos durante as atividades da criança, o que pode provocar dor. A unha deve ser cortada a direito e o ângulo reto que fica em cada lado, limado com uma lima de cartão, bem como devem ser limados também os bordos das unhas. Notei no meu filho uma zona encarnada junto a duas das unhas, depois de as ter cortado. O que pode ser? Se as pontas das unhas, junto à pele, estão encarnadas e inchadas, pode estar a ocorrer uma inflamação. O melhor será consultar o médico-assistente, mas numa fase inicial pode aplicar um pacho de álcool, durante uns minutos, seguindo-se a aplicação de um soluto desinfetante. Mas convém afastar os dedos do nariz da criança, porque o álcool evapora e é inalado, podendo causar hipoglicemia. A minha filhota tem umas unhas dos pés que se partem, enrolam e no dedo pequenino quase não existem. É normal? As unhas dos pés são cada vez mais «esquisitas», incompletas, às vezes praticamente não existindo, noutras enrolando para dentro e formando uma massa compacta e dura, talvez por que as unhas dos pés tenham cada vez menos funções. Ainda temos unhas porque as mudanças genéticas são vagarosas, mas desde que eram utilizadas como armas ou para outras funções, como nos agarrarmos, muito tempo passou e é daqueles órgãos que parecem não te razão de existir. Até deixarem de existir, vamos ter de conviver com estas unhas, cada vez mais estranhas e difíceis de manter cortadas e controladas. O meu filho de 2 anos e meio chora cada vez que lhe corto o cabelo. E agitasse, dificultando-me ainda mais a tarefa... Pode ter medo. Se dizemos às crianças, vezes sem conta, que as tesouras são objetos que podem fazer «dói-dói» e se as retiramos do alcance delas (pelo menos até aos 3 anos), a ideia que vão ter junto da cabeça - uma área que não dominam e que não vêm -, um desses instrumentos pode ser complicado. Experimente fazer do acho uma história fantástica, para ver se ele alinha e esquece o ato em si. Junto das orelhas é preciso muito cuidado, porque qualquer gesto intempestivo, até o de ele virar a cabeça porque alguém chegou e o chamou, pode magoa-lo seriamente. O que é um micropénis? Um micropénis não é igual a pensar que a criança tem uma «pilinha pequenina- (isso é subjetivo). O micropénis (abaixo do percentil 3 para a idade e tamanho) é uma situação rara – em Portugal nascerão cem crianças por ano com esta situação. As causas podem ser muitas, passando pela mais completa normalidade. Está demonstrado que, dentro de certos limites, o tamanho do pénis não está relacionado com o desempenho sexual ou com a capacidade reprodutiva. Quando é que se deve puxar a pilinha? A partir do ano de idade pode começar a puxar-se, muito cautelosamente, nunca ultrapassando o limite que os pais sentem que é o momento em que continuar a puxar «era de mais». É uma sensação que se tem: primeiro há uma ligeira resistência que se vence, depois outra em que forçar seria traumatizante. Se até aos 3 anos e meio, mais coisa menos coisa, a situação não estiver resolvida então provavelmente já necessitará da ajuda de um cirurgião pediatra, que puxará (e deverá ser ele) com algum aparato, mas com eficácia, a pilinha para trás. O que é fimose? É a mesma coisa que «aderências»? Convém distinguir duas coisas: uma o aperto (fimose), outra a situação em que a pele não vem para trás porque as duas camadas estão aderentes (chamada "aderências balano «prepuciais», ou seja, entre a glande e o prepúcio). É esta última que pode ser resolvida sem recurso a cirurgia. Deve fazer-se circuncisão? Há vários argumentos para se fazer a circuncisão - médicos, culturais e religiosos (como no judaísmo, ao oitavo dia depois do nascimento, ou no islamismo, mais perto dos 5 anos). Um aspeto fundamental é que, se se fizer, deverá sê-lo num meio hospitalar, com todos os cuida- dos de assepsia, porque o maior risco são as infeções. Depois do ano de idade, a circuncisão pode justificar-se, nos casos em que o aperto não evolui passados os 3,4 anos de idade, ou em que ocorrem infeções frequentes ou dificuldade em urinar. O que é o esmegma? São bolas de sebo, secreções e células mortas que se acumulam entre a pete da pilinha e a glande. Os pais dão por elas ao verem umas -coisas- esbranquiçadas, às vezes do tamanho de uma ervilha ou de um bago de arroz grande, debaixo da pele, numa pilinha em que o prepúcio não vem completamente para trás. Estas bolas não incomodam o bebé, mas podem eventualmente inteclar, pelo que é útil a ajuda de um cirurgião. Em que Idade é que é de prever que as crianças controlem o xixi e o cocó? Na maioria dos casos, as crianças começam a controlar os esfíncteres entre os 2 o os 4 anos, embora tenhamos de ver várias (ases: controlo das tezes e da urina, controlo diurno, a hora da sesta e noturno. São pois várias etapas a considerar, c cada uma tom especificações e (atores que as podem acelerar ou atrasar Há primeiro que tudo a maturidade biológica, ou neuromuscular - a criança consegue controlar a bexiga de forma a manter se seca durante algumas horas. Esta maturidade costuma acontecer entro os 2 e os 3 anos No entanto, há uma segunda tração que tem a ver com a maturidade psicológica No fundo é reconhecer que -apetece-me fazer- ou «preciso de lazer», «tenho de ir já» e «tenho de ir antes de». Devo zangar-me quando faz xixi nas cuecas? São escusados zangas e açoites. Os sinais provenientes da bexiga o do reto importam-se pouco que os pais estejam stressados Pelo contrário O medo atrasa as coisas E a sensação de injustiça também. Uma criança ser castigada por uma coisa que no controla é humilhante e negativo Pelo contrário, está provado quo envolver este passo do desenvolvimento com afeto e compreensão acelera as coisas Já reparei que o meu filho, de 2 anos e meio, faz cocó a seguir ao almoço. Acha que vai ser regular? Há um reflexo alimentar, chamado «gastrocólico», que se traduz por uma estimulação do intestino quando os alimentos dilatam o estômago. É natural, portanto, que depois das refeições as crianças tenham mais vontade de fazer Pode aproveitar essa situação para o treino. Outras crianças têm hábitos intestinais muito certinhos e é previsível a hora a que vão fazer - pode-se aproveitar para pôr no bacio ou levar à retrete. O meu filho, de 3 anos, odeia o bacio. Os bacios, mesmo os que têm apoios e não gingam, são muito desconfortáveis, sobretudo para os rapazes As bordas do bacio magoam e a posição não é simpática Quando está no bacio convém um adulto estar por perto, porque se o bacio cai, a criança apanha um grande susto e isso vai fazê-la regredir algumas semanas Deixe-o fazer na sanita - ele até vai achar piada imitar o pai. A minha filha tem 2 anos e está a aprender a usar o bacio. Mas às vezes demora Imenso tempo. Que tal trazê-la para a sala? Levá-la para a sala ou para outro sítio «social» não me parece adequado, porque expõe-na aos olhares dos outros numa situação que deve ser de intimidade. Mesmo com a vantagem de estar à frente da televisão e fazer sem dar por isso, não julgo ser o caminho mais certo, porque equivale, no fundo, a continuar a fazer nas traídas. O fazer deve ser um ato em que a criança sente, retém, vai ao locai certo e faz. Esse é que é o objetivo da aprendizagem e não o poupar traídas. Uma vizinha minha começou a tirar as fraldas ao bebé de 2 meses. E a minha filha tem 2 anos e ainda não pede para fazer... Começar aos 2 ou 4 meses de idade ô defendido por algumas pessoas. Há quem argumente que o atraso para os 2 ou 3 anos é característico da sociedade ocidental o até quem veja nisso uma manobra qualquer das empresas que fabricam fraldas descartáveis, quase uma cabala ou uma teoria da conspiração A minha opinião sincera, tendo em vista o percurso normal do desenvolvimento, é que essa prática não tem fundamento neuro motor nem psicológico Então aquelas mães que dão peito com o bebé no bacio, devo dizer que acho confrangedor porque mistura duas coisas à partida diferentes na cabeça das crianças. O meu filho já há muito tempo pede para fazer xixi, mas o cocó é sempre na fralda. Mais, até pede para pôr a fralda para fazer... E a mãe não diz que «ele tem um presente»? Mintas crianças sentem-se mal ao fazer cocó sem qualquer «sentido lógico» - o cocó é parte deles e da sua pessoa No fundo, é dar o presente, sem sequer ser embrulhado, a ninguém A fralda representa um embrulho - qualquer dos Leitores, quando vai dar uma prenda a alguém, embrulha-a sempre. E dar aos pais, quo são as pessoas mais queridas, tem um significado ainda maior. O que há que fazer é convencer a criança que o seu cocó, feito no bacio ou na retrete não se vai perder c até pode alimentar os peixinhos do mar. Como é que podemos perceber se o nosso filho está com vontade de ir à casa de banho? Estejam atentos aos sinais que ela vai dando, como acompanhar-vos à casa de banho, encostar-se a um cantinho com as pernas apertadas, ficar subitamente silencioso e parar de brincar, etc. Sem correrias, mas com mimo, facilitem a ida à casa do banho. E mesmo que ele diga que não quer, pode sempre dizer-se: «Este dedinho diz-me que tu queres, só que tu ainda não deste por isso». A minha tilha tem 4 anos e quando saímos recusa-se a fazer noutra casa de banho que não seja a de casa. Ora isso cria-nos uma série de problemas... Há crianças a quem as casas de banho do jardim-de-infância ou públicas metem nojo e com razão para isso. O cheiro e a falta de privacidade fazem com que muitas crianças retenham a urina ou as fezes, causando problemas de enurese c encoprese, pequenos descuidos e uma deficiente programação e controlo dos esfíncteres. O que é a enurese noturna? Diz-se que uma criança tem enurese noturna quando continua a urinar inadequadamente, de maneira involuntária e inconsciente, numa idade em que o controlo dos esfíncteres já deveria ser normal. Pode haver causas psicológicas para a enurese? Excetuando os casos bem identificados de enurese transitória associada a stresse e a traumas emocionais ou ambientais, não há dados que permitam afirmar convictamente que os fatores psíquicos são causa de enurese. Pelo contrário crê-se que o aparecimento de problemas psicológicos é mais um efeito da enurese (e da maneira negativa como o problema é encarado em casa) do que a sua causa. Por vezes há acontecimentos sentidos como traumáticos petas crianças que podem fazer com que elas voltem a ter enurese noturna quando a tinham deixado de fazer xixi na cama - contam-se nestas causas psicológicas, por exemplo um divórcio reconte, situações de disfunção ou violência familiar, falecimento de alguém próximo, nasci- mento de irmãos, má integração escolar, algum acontecimento grave mesmo que só assim seja sentido na perspetiva da criança, entre outros. Devo castigar a minha filha quando molha a cama? Não Nunca Uma boa iniciativa é recompensar os dias «secos» e, por outro lado, não castigar os dias «molhados» Pode ser motivador a elaboração de um calendário em que a própria criança regista os dias «secos» e «molhados», pintando-os com as cores de que menos e mais gosta, respetivamente. A visualização da evolução semanal pode ser muito motivadora. O que é a encoprese? Considera-se que uma criança que, depois dos 4 anos, suja com frequência as cuecas com cocó lerá uma encoprese. Desta definição saem, obviamente, todas as que, por mero acidente: não ter casa de banho própria, estarem com diarreia ou qualquer outra situação, façam nas cuecas ocasionalmente ou com causas perfeitamente circunstanciais Noventa por conto dos casos de encoprese são devidos a obstipação. O mecanismo é muito simples: as fezes são duras e a criança sente vontade do fazer, por pressão na ampola rectal, mas como dói retrai-se. As fezes secam mais e a reação natural do reto é produzir secreções naturais para tentar lubrificar e ajudar a saída. Muitas vezes não é suficiente, pelo que a criança tem vontade, - «puxa», pode até emitir gases, e com eles sai um pouco desse líquido que suja as cuecas. Porque é que o meu filho pode ter prisão de ventre? Por muitas razões, desde a herança genética até a uma alimentação com baixo teor em fibras excesso de produtos refinados, poucos vegetais e frutos (como brócolos e ameixas), excesso de banana, cenoura o arroz, leite de vaca, baixa ingestão de produtos integrais e de farelo, baixa ingestão de água, passando pela falta de exercício, designadamente andar a pé e ao estabelecimento de um circulo vicioso de -fezes duras - dor - retraimento - secagem das fezes - mais dor - mais retraimento - lassidão dos músculos que controlam a defecação-, o nojo de casas de banho públicas ou nos infantários e Jardins-de-infância, o sentimento de que o -presente- não se faz em qualquer lugar e não se dá a qualquer pessoa ou eventualmente acontecimentos sentidos como traumáticos, com a consequente regressão para níveis anteriores de desenvolvimento - separação e divórcio, morte do alguém próximo, mudanças de casa ou entrada para a escola, por exemplo. Ler Mais...
Conto estrupando crianca | Para Pais.