Responsabilidade



Embora os pais não sejam as únicas pessoas influentes nem a casa o único espaço onde se aprende, é evidente que são os progenitores os principais envolvidos na educação dos filhos, e na transmissão e sedimentação dos valores.

Não tenhamos dúvidas de que noções como «respeito», «ofensa», «dignidade» e outros conceitos abstratos só serão compreendidos uns anos após terem sido exemplificados, demonstrados e exercitados Se dissermos a uma criança que tem de ser bem-educada com os outros, isso só terá sentido quando os comportamentos diários – cumprimentar as pessoas, dizer -bom dia» e «adeus-, -se faz favor», -obrigado- – forem aprendidos e derem à criança o sentido do -adequado- e do -conjunto- Então na sua cabeça far-se-á luz: ser bem-educado é isto e não aquilo. Acontece o mesmo com qualquer conceito abstrato, como -higiene» ou -bem-estar»

Creio não ser possível dizer, como por vezes se afirma, que os valores estão a desaparecer.

Será muito difícil comparar gerações, por exemplo, sem ter estudos com metodologias similares. E mesmo alguns escassos estudos que existem são baseados em amostras de conveniência, ou seja, em meros apanhados populacionais ocasionais, não extrapoláveis.

Aliás, pouco interessa saber se em 1950 se era mais -bem-educado- do que agora. É uma discussão estéril porque nunca pode ser provada uma tese ou a sua contrária.

Mais importante é, estou em crer, pensarmos nos nossos filhos e no que queremos para efes E tentar cometer o mínimo de erros possível, com a certeza de que vamos fazer muitos desvios ao programa que inicialmente desejávamos.

Um facto científico inegável é que as atitudes e comportamentos têm de ser aprendidos e desenvolvidos precocemente – diria desde sempre. Os padrões e hábitos estabelecem-se com o decorrer do tempo – pode-se sempre inverter um percurso de vida, mas mais difícil será depois de sedimentados alguns comportamentos. É mais difícil reconstruir uma casa antiga do que começar uma de raiz. Mais difícil e mais caro. Por outro lado, é fundamental desenvolver nas crianças a capacidade de análise dos seus atos (e dos outros), refletir e ter a capacidade e o gosto de mudar. Como são momentos não materiais, por vezes há alguma dificuldade em entender o que se ganha com isso. A Ciência também mostrou que esta idade, entre o 1 e os 5 anos, corresponde a um período crítico para a compreensão e interiorização destas noções – daí a necessidade de intervenção precoce nos casos em que os meios familiares ou escolares criam dificuldades ou não oferecem um modelo minimamente satisfatório.

Responsabilidade será um conjunto de capacidades que se desenvolvem e aprendem, e que incluem:

•Respeito e solidariedade com os outros;
•Respeito por si próprio;
•Honestidade;
•Integridade;
•Defesa dos valores em que se acredita;
•Atuação segundo os valores em que se acredita;
•Capacidade de sonhar e de fantasiar, mas igualmente de entender a realidade e saber as limitações.

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