Refeições prolongadas e «lá fora»



Qualquer refeição prolongada torna-se um martírio para uma criança, especialmente quando os adultos estão entretidos em conversas e as coisas demoram eternidades.

As crianças não conseguem estar tanto tempo paradas, e com muita gente à mesa as possibilidades de se agitarem são maiores.

Por outro lado, enquanto os mais crescidos comem e bebem, as crianças têm pouca fome, até porque, no caso de festas ou de idas a restaurantes, já se entretiveram a comer aperitivos, pão com manteiga, queijo ou patê, ou a empanturrar-se de batatas fritas.

É normal ficarem fartas e quererem brincar.

Os adultos, na maioria dos casos, nem estão com grande disponibilidade para falar com elas, dado que encontram amigos ou família, e estão a comemorar as suas próprias coisas.

Se a refeição se passa fora de casa, é natural que crianças desta idade se sintam mais à vontade para berrar e espernear, dado que os pais têm «as mãos e os pés amarrados» por estarem em público. Não esqueçamos que o espaço exterior, com gente estranha, é também o ideal para as provocações e desafios à autoridade.

Assim, no melhor interesse das crianças, mas também no vosso:

• Não esqueçam que os filhos não têm o mesmo timing que os pais. A hora da sesta, por exemplo, é uma péssima hora para estar a sair, embora possa ser a hora do almoço dos adultos;

• Não levem os vossos filhos a restaurantes ou espaços parecidos se eles estiverem muito cansados. Obviamente que as crianças têm de se habituar a partilhar a vida dos pais, mas há que ter bom senso e sabe( sacrificar alguns momentos em prol deles;

• Evitem restaurantes em que o tempo espera é grande;

• Expliquem a criança o que se vai passar, as contrariedades que podem surgir (limitação de espaço e de comportamentos, espera), mas que é o preço que se paga por com os grandes almoçar fora»;

• Evitem restaurantes em que se possa fumar.
Por vezes entra-se «à hora das crianças- e o ar está bom – passado um tempo, já as pessoas começaram a fumar, designadamente ao café, e sem se dar por isso fico uma atmosfera poluída;

• Há restaurantes em que os empregados são naturalmente «amigos das crianças» e a sua intervenção é importante para acalmar as coisas, quando o destempero aumenta. Ameaçar com o gerente, o polícia de serviço ou o patrão geralmente resulta pouco, porque elas sabem de antemão que essas armas não vão ser utilizadas;

• Se houver olhares de reprovação dados outros clientes, não se incomodem, apesar de fazer ver às crianças que o nosso comportamento comportamento deve ter limites sociais;

• Tentem que o prato da criança venha sem grande perda de tempo, e se ela comeu muitos aperitivos esperem que coma muito do que foi escolhido;

• Nas crianças mais pequenas, é bom levar o prato, talheres e copos favoritos, para que a refeição se faça mais calmamente;

• Limitem o tempo de refeição das crianças ao mínimo possível, entendendo sinais de estarem fartos agitação física progressiva, perguntar «quando é que vamos embora», transformação dos modos à mesa para malcriações avulsas;

• Levem livros, lápis e papel, e outras coisas para os entreter, quando as coisas começarem a «aquecer» – arranjem algumas coisas de surpresa, levadas nos bolsos, que naquele momento vão ser, para os vossos filhos, mais importantes do que jogos muito organizados. Essa atitude vai permitir-lhes perceber que são importantes para os pais;

• Não ignorem os vossos filhos nem lhes dêm a ideia de que os levaram por frete.
De vez em quando, um dos adultos pode parar de comer para brincar um bocadinho com as crianças, dar um passeio, arejar;

• Se for preciso admoestá-los, façam-no com elegância. Não se coíbam de mostrar que são os pais e que os princípios educativos contam, mas para isso não e preciso escarcéu ou humilhações. Se as crianças não devem aproveitar a presença de estranhos para se «esticarem», também os pais, na refrega, não deverão fazer o mesmo;

• Não liguem a alguns olhares «raivosos» que possam vir de outras mesas. As crianças fazem parte do mundo, e assim como temos de aturar alguns adultos, também toda a gente terá de aturar crianças, desde que nos seus comportamentos esperados e normais, e desde que não haja nesses locais qualquer limitação à entrada de crianças.

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