Qual a importância da carne?



Qual a importância da carne?

A importância da carne reside principalmente no seu conteúdo de proteínas, com alto valor biológico, ou seja, com grande valor nutricional, garantindo que a criança tem os aminoácidos essenciais para o seu crescimento. Para além disso, a carne é uma importante fonte de ferro e de vitamina B12, elementos muito importantes para todos os sistemas do organismo, como o sangue ou o sistema imunológico.
A carne contém uma grande quantidade de ferro, fácil de absorver, e são também bons reservatórios de zinco, um mineral a que se dá cada vez mais importância pois a sua carência provoca atrasos de crescimento, má cicatrização e diminuição das respostas do sistema imunitário.
A carne deve ser iniciada com o primeiro puré: em pequenas quantidades diárias (cerca de 20 gramas, ou seja, uma almôndega pequena), cozida e triturada com os legumes.

A carne alimenta mais que o peixe?

Quando se come carne, geralmente a pessoa sente-se «bem», às vezes até mesmo «enfartada», com a sensação de que os alimentos estão no estômago mais tempo do que, por exemplo, quando se come peixe, mesmo que cozinhados da mesma maneira. Mas, na realidade, a qualidade proteica é muito semelhante, tratando-se, em ambos os casos, de proteínas de «alto valor biológico», apesar do peixe ter um pouco mais de água do que a carne.

A carne tem mais gordura do que o peixe (mesmo do que o peixe gordo, «azul»). Contudo, além da quantidade, é importante ter em conta outras diferenças, já que nas carnes predominam os ácidos gordos saturados, os quais estão praticamente ausentes no peixe – este tem uma razoável quantidade de ácidos gordos poli-insaturados (ómega 3), característicos das gorduras marinhas, e que têm um fator protetor relativamente às doenças cardiovasculares. A gordura de peixe é, assim, muito melhor para a saúde do que a da carne.

A carne vermelha alimenta mais que a branca?

A diferença entre as carnes e vísceras vermelhas, em relação às brancas, é o seu maior conteúdo de ferro. Todas as carnes têm quantidades variáveis, mas sempre importantes, deste mineral. Ainda por cima, o ferro dos produtos animais é melhor absorvido e utilizado do que o ferro de origem vegetal.
Em relação às proteínas, vitaminas e minerais, não existem grandes diferenças entre a carne vermelha e a carne branca. O seu conteúdo em gordura saturada e colesterol é muito semelhante. A principal diferença no valor nutritivo destes alimentos refere-se, pois, ao conteúdo em ferro, pelo que não existe justificação para afirmar que as carnes vermelhas são melhores do que as brancas. O fundamental é que sejam carnes de confiança, no que toca à higiene, doenças, produtos adicionados nas rações ou administrados aos animais.

Quais as vantagens de comer peixe?

O peixe é uma importante fonte de proteínas na nossa alimentação, proteínas essas de elevado valor biológico. Conhecido o risco que algumas proteínas representam em termos de agressão renal – e se considerarmos que as crianças atuais vão ter uma longevidade muito maior do que a das gerações anteriores -, a escolha das «melhores proteínas» é fundamental para proteger os rins e garantir que essa «vida longa» vai ser uma vida saudável, com um grau mínimo de incapacidade.

Por outro lado, o peixe é de forma geral moderado em gorduras, embora dependendo, em algumas espécies, da altura do ano, e essas gorduras são constituídas, em elevada percentagem (muito mais do que a carne) por «ácidos gordos essenciais». O que são estes ácidos gordos? Conhecidos também pelo nome científico de «ómega 3» e «ómega 6», os ácidos gordos essenciais são, como o nome indica, absolutamente essenciais para a saúde, sendo vitais para o desenvolvimento das células e dos tecidos do organismo, bem como para as funções hormonais, saúde da pele, bom desempenho cerebral e produção de energia. Acresce que o corpo, a partir por exemplo dos ómega 3, produz fatores protetores em relação à arteriosclerose e deterioração dos vasos sanguíneos, inflamações e ainda a doenças imunológicas, como a artrite, a psoríase ou a asma. Conferem também uma maior proteção das células em relação ao ataque das bactérias e dos vírus. As evidências também parecem mostrar, de forma cada vez mais consistente, que os ómega 3 poderão ter um efeito positivo sobre o cancro e a diabetes. Se não houver contraindicação (alergias, por exemplo), o peixe é iniciado por volta dos 6 meses, quando a criança começa a comer o segundo puré, em quantidades mais ou menos iguais às da carne (30 gramas por dia, ou seja, um medalhão pequeno).
O bebé deve começar por comer peixe branco, sem gordura solha, linguado, pregado, ou pescada nas crianças que não têm alergias familiares importantes. Assim, aos 6 meses (ou aos 8 nos que começaram mais tarde a diversificação), a criança terá uma alimentação com dois purés de legumes (um com carne, outro com peixe).

E o ovo?

O ovo, além de ter proteínas de tão boa qualidade como as da carne ou do peixe, tem um equilíbrio muito adequado de ácidos gordos (na gea) e uma quantidade aceitável de vitaminas e minerais) e deverá ser introduzido pelos 9 meses, ou mais tarde se houver história de alerqias.

Mas as crianças embirram com o peixe…

As preferências alimentares desenvolvem-se nos primeiros anos de vida e às vezes a rejeição deste ou daquele alimento têm a ver também com a consistência – e se o peixe não for firme (pelo menos tanto como a carne), as crianças podem rejeitá-lo. Alguns estudos realizados nos Estados Unidos, por exemplo, mostram que uma criança necessita de provar um alimento entre cinco e dez vezes, até se decidir a gostar. Assim, se o vosso bebé parece que «não gosta de peixe» temos que ver se o estamos a confeccionar da melhor maneira, mas não devemos substituí-lo por outra coisa.
O consumo de peixe é pois muito importante, se queremos gerações cada vez mais saudáveis, vivendo cada vez mais e com melhor qualidade de vida durante mais tempo… e junta-se um alimento dos mais saudáveis a um elemento gastronómico que permite pratos dos mais saborosos e requintados.

E as alergias ao peixe?

O peixe pode causar alergia – por essa razão, evita-se a sua administração antes dos nove meses, em crianças alérgicas ou com elevado risco de potencial alérgico (um ou ambos os pais com alergias marcadas).
Calcula-se que cerca de um quarto das crianças possa desenvolver alergias a certos peixes, embora, na maioria dos casos, sejam reações muito leves que em nada prejudicam a pessoa ou põem em causa a saúde.
Os peixes que têm mais probabilidades de causar alergia são, entre outros: pescada, salmão, truta, arenque, sardinhas, peixe espada, halibute e atum.
As reações não passam, geralmente, de pequenas erupções cutâneas (borbulhas) ou diarreia. Contudo, algumas pessoas podem desenvolver sintomas graves, até chegar ao choque anafilático, uma situação de urgência.
Daí recomendar-se a introdução do peixe após os seis meses de idade, nas crianças sem antecedentes alérgicos de monta, e após os 9-12 meses nos que têm antecedentes marcados.

O excesso de proteínas é, portanto, uma preocupação dos pediatras?

As proteínas carne, peixe, ovo são metabolizadas pelos rins e o seu excesso cronico pode causar deterioração da função renal, o que poderá vir a ter uma importância enorme se os erros forem muitos e precoces, tendo em linha de conta que os atuais bebés são pessoas com elevada probabilidade de vir a viver muitas e muitas dezenas de anos. Se não tomarmos cuidado com a quantidade das proteínas que os nossos filhos ingerem, alguns deles poderão ver a sua função renal deteriorada em idades jovens,
com perspectiva de viver muitos anos dependentes de tratamentos e de máquinas.

Que fruta devo dar ao meu bebé?

A fruta deve ser parte da diversificação desde o primeiro dia: aos 4 meses o bebé pode comer banana, pêra ou maçã esmagada ou ralada, de preferência crua. São as que são de mais fácil digestão e que têm um sabor provavelmente mais aceite pelo bebé desta idade.
Aos 6 meses, introduzem-se outros frutos: pêssego, manga, papaia, meloa, melão, uva ou ameixa, etc. As laranjas e restantes citrinos, bem como os morangos, ananás e kiwi, deverão ser dados apenas depois dos 9-12 meses de vida, mesmo em criançassem risco alérgico especial porque a probabilidade de desencadearem alergias é maior antes desta idade.
No início da diversificação, a papa de fruta poderá ajudar, quando colocada na ponta da colher, naqueles bebés que fazem bastante resistência ao puré, para «abrir caminho» e permitir que o bebé coma melhor.
Há que gerir os frutos, também, levando em linha de conta o funcionamento do intestino do bebé. A banana e a maçã «prendem», enquanto a ameixa, meloa, uva e kiwi «soltam».
A fruta deve ser dada sem casca, sem caroços e fibras internas (como as da banana), e preferencialmente «ao natural». A maçã, por exemplo, como é mais dura, poderá ter que ser ralada ou cozida, mas a maioria dos frutos pode ser dada de forma natural, esmagando.

Convém preparar os frutos na altura, porque a exposição ao ar oxida-os e altera o sabor, para além do aspecto, podendo torná-los menos agradáveis.
Deve evitar-se a adição de açúcar – tudo é uma questão de hábito, e é perfeitamente natural o bebé estranhar a fruta, nas primeiras vezes que come. Juntar açúcar é uma tentação e até pode melhorar a aceitação, mas vai iniciar um hábito indesejável, que é só comer um alimento que já tem açúcar natural (frutose) com outro açúcar que tem efeitos secundários desagradáveis (a sacarose).

É admissível que os bebés comam frutos com a pele?

A pele dos frutos tem um alto valor em fibra, pelo que a sua ingestão seria óptima.
No entanto, o uso crescente de produtos agrícolas (cada maçã ou pêra é sujeita a mais de uma dúzia de tratamentos, por exemplo), e a apanha precoce dos frutos, faz com que alguns destes produtos possam permanecer na pele e, inclusivamente, na polpa que lhe está imediatamente subjacente.
Não existe nenhum problema em retirar a pele antes de a consumir, especialmente se a criança assim o preferir – e a algumas faz confusão estar a morder a «casca» dos frutos. No entanto, se a criança prefere consumir algum fruto com pele »«o que pode ser útil na prevenção da obstipação», deve sempre lavar-se muito bem e escovar-se cuidadosamente, para eliminar os restos de adubos ou pesticidas que podem encontrar-se no exterior do fruto.

Devo dar iogurte a partir de que mês?

O iogurte não é mais do que o produto que se obtém através da fermentação do leite por bactérias lácticas (fermentos), que, ao contrário de outras fermentações, não origina um produto infeccioso ou causador de doença.
O iogurte é uma excelente fonte de cálcio e de fósforo, elementos tanto mais importantes quanto intervêm na formação do osso e dos dentes, através do metabolismo da vitamina D.
Como o iogurte é feito de leite de vaca e, portanto, tem as proteínas do leite que são um elemento potencialmente alergizante no primeiro ano de vida, alguns pediatras preferem começá-lo muito mais tarde. Contudo, o iogurte também tem componentes, os probióticos, que são importantes para a regulação intestinal. Tem um elevado valor nutricional, uma digestão fácil, protege o intestino e é rara a criança que não gosta do sabor e da consistência.
Numa criança saudável, não haverá problema em introduzir o iogurte, pelos 6-7 meses, altura da introdução do 2.° puré de legumes e do peixe, e em que a papa transita para o lanche.
Deve-se então dar iogurte natural, de preferência sem adição de açúcar, e suplementado com ferro, como já existem no mercado, com bolacha-maria ralada e fruta. Mas deverá ser o médico assistente a confirmar.

Que tipo de iogurte?

Deve, no entanto, começar-se por iogurte natural, de tipo «bio» (com lactobacilos de diversos tipos – o Lactobacillus bulgaricus pode dar um toque ácido que os bebés toleram menos. O Lactobacillus casei e o Streptococcus thermophillus são bem tolerados).
Os ácidos gordos essenciais que estes produtos contêm, bem como o teor de vitaminas A, D, E e C são bem importantes para o desenvolvimento cerebral do bebé. Depois de o bebé estar habituado a comer o iogurte natural, – que geralmente se pode dar a partir dos 6 meses, substituindo a papa de cereais, e juntando-lhe bolacha esfarelada e um pouco de fruta (para não colocar açúcar) -, pode começar-se, pelos 9 meses, a dar iogurtes de fruta. Não é preciso ir ao ponto de só comprar iogurtes «para bebés».
Os iogurtes de adultos servem perfeitamente para a larga maioria das crianças e são, no geral, mais baratos. Devem-se, no entanto, evitar os iogurtes magros (porque têm muito pouca gordura), bem como os iogurtes líquidos (porque uma das coisas que se pretende com a diversificação alimentar é, exatamente, o desenvolvimento da capacidade de mastigar e de lidar com alimentos espessos).
A esse propósito, diga-se que é importante não ficarmos obnubilados com tudo o que é «produto para criança», porque se algumas coisas fazem, na realidade, uma diferença substancial em termos de resultados, outras não têm qualquer interesse prático e apenas servem para gastar mais dinheiro e complicar mais a vida, distraindo os pais de aspectos mais prementes e essenciais.

E o iogurte na diarreia?

O iogurte é, também, uma boa arma contra as diarreias, porque povoam o intestino de bactérias «boas», deixando menos espaço para as bactérias e vírus patológicos. Durante a diarreia, os iogurtes também têm uma acção benéfica e são alimentos bem tolerados.
Finalmente, nos casos de intolerância ao açúcar do leite, a lactose (seja porque o enzima que a desdobra não existe, seja porque foi «limpo» na sequência de uma diarreia moderada ou grave), o leite será mal tolerado, perpetuando a diarreia, mas o iogurte não, dado que a lactose do leite com o qual se fez o iogurte já foi transformada em açúcares mais pequenos que dispensam, pelo menos em parte, os tais enzimas que se encontram deficitários.

Devo restringir o glúten?

A questão do glúten é polémica. O glúten é uma proteína de alguns cereais, que tem uma parte, a gliadina, que é a que permite fazer o pão. Algumas crianças têm uma intolerância a esta proteína e desencadeiam o que se designa por «doença celíaca». O milho e o arroz não têm glúten – é por isso que não se pode fazer pão apenas com estes cereais, sem misturar trigo, centeio ou outro. Alguns médicos defendem que o glúten deve ser introduzido mais para o final do primeiro ano de vida. Outros defendem que quanto mais cedo se detectar essa doença (que é genética), mais óbvios são os sintomas e mais depressa se faz o diagnóstico. Neste assunto, portanto, é de seguir o que o médico assistente indicar, se os pais estiverem de acordo.

Devo habituar o meu bebé a comer à colher?

É bom que as papas e purés de legumes sejam dados à colher, e nos primeiros dias o bebé vai habituar-se a esta, pelo que há que ter paciência e compreender que os mecanismos de engolir ainda nào estão treinados.

Habituação à comida de casa?

A passagem das refeições trituradas e «passadas» para uma com bocados mais sólidos depende de muitas coisas, desde a dentição e a capacidade de mastigar (duas coisas nem sempre relacionadas) até ao comportamento da criança face à comida. É por isso difícil estabelecer idades fixas. O ideal é que o bebé, ao ano, «coma com a família», ou seja, possa comer os alimentos confeccionados para os outros familiares, embora com bom senso, e partido à medida das suas capacidades. De forma geral, a partir
dos 7-9 meses podem dar-se bocados menos triturados e começar, tranquilamente, a separar o «resto» da «sopa» – assim, a criança comerá uma sopa de legumes e, depois, puré de batata, arroz ou massa com legumes esmagados (cenoura, por exemplo) e carne ou peixe desfiado. A pouco e pouco habituar-se-á. Também no final do primeiro ano de vída, o bebé começa a ser mais irregular no seu apetite, e a querer ser parte integrante da refeição, começando a querer mexer nos alimentos. É normal e desejável mas,por razões óbvias, tem que haver alguma disciplina. Dar uma colher para a mão do bebé pode ser uma solução.

“Crimes e escapadelas»?

Durante muito tempo, a tal «ditadura da comida», além de cientificamente errada ou não fundamentada (ou seja, mais fundamentalismo que fundamentação) fazia com que os pais se sentissem extremamente constrangidos (chegavam a comprar balanças pesa cartas para pesar os alimentos!) e culpabilizados sempre que rompiam uma das «cinquenta mil» regras e regrinhas que o médico impunha. Felizmente, quer a ciência, quer o bom senso e a libertação da sociedade civil fizeram com que as pessoas estejam mais descontraídas e à vontade. E os pais são outros e os médicos também são outros. Não há «crimes graves», podem ter a certeza, e se um dia não comer papa ou puré, ou se puserem um vegetal ou outro alimento que não era aconselhado, muito dificilmente se pode dizer que isso tem alguma repercussão na saúde da criança. Quando me referi aos espinafres, por exemplo, o que quis dizer é que não se deve pôr por norma, mas uma vez de vez em quando não traz um mal por aí além.

Puré para cinco ou seis dias?

A diversificação alimentar não pode ser uma escravatura. É bom que os pais gastem um pouco do seu tempo a preparar a comida das crianças, mas quando há falta de tempo, é melhor gastá-lo a brincar com o filho ou, simplesmente, a admirá-lo. O puré de legumes pode ser feito todos os dias, ou para cerca de cinco dias. Neste caso, faz se cerca de um litro, com um bifinho pequeno (mais ou menos 100 gramas) ou uma posta de 150 gramas, e divide-se em cinco porções, congelando. Ao descongelar, há que ter o cuidado, se for no micro-ondas, de misturar bem o conteúdo e vazar para um prato, e depois provar para ver a temperatura. O aquecimento em micro-ondas não é homogêneo, ficando algumas parte muito quentes e as outras quase frias para evitarem queimaduras devem proceder assim.

Posso dar boiões ao meu bebé?

Os «boiões» são de boa qualidade e podem ser utilizados, mas são mais caros e é bom dar produtos cozinhados em casa. Os boiões deverão ficar reservados para ocasiões especiais – viagens, idas a casa de amigos, e também naqueles dias em que os pais estão cansados e têm pouco tempo e paciência para cozinhar.
No entanto, há que recordar que os boiões de fruta têm um teor de açúcar mais elevado do que o fruto natural e torna-se mais monótono para o bebé. Além disso, a idade em que o vosso filho está requer um estímulo à mastigação e os boiões são demasiado homogeneizados. São muito úteis em situações excepcionais, mas deverão ficar por aí.

Dietas vegetarianas?

O número de pais que optam por dar uma dieta vegetariana aos seus filhos tem aumentado. O vegetarianismo pode ser condicionado por questões religiosas, por opções de estilo de vida ou ecológicas, ou por razões alimentares.
O que é fundamental, é que as crianças a quem os pais não dão carne, peixe, e ovo até leite de vaca, saibam o que está em jogo e combinem com o médico assistente uma opção intermédia que permita à criança ver satisfeitas as suas necessidades fisiológicas e de crescimento, e manter ao mesmo tempo, mesmo que não integralmente, os desejos dos pais.
Uma criança vegetariana deverá ser amamentada em exclusivo até aos 6 meses de idade, se a mãe tor saudável e não tiver, ela própria, carências.
Aos 4-6 meses devem-se introduzir alimentos sólidos – papa de arroz enriquecida com ferro, aveia, cevada, milho, batata, cenoura, ervilha, batata-doce e feijão verde. Pode incluir-se, na alimentação, bananas, pêras e pêssegos. Depois, seguir-se-ão, pelos 7-8 meses, os feijões, tofu (também conhecido por «queijo de soja»), o seitan {bife vegetariano feito à base de trigo) e iogurte de soja.
Pitágoras, Leonardo da Vinci, Rousseau, Newton e Beethoven eram vegetarianos…desde que o vegetarianismo seja pensado e executado com inteligência, os bebés não têm qualquer problema com isso…

Existem alimentos que se possam chamar “completos»?

A resposta não é simples. Há alimentos que são mais adequados e mais ricos do que outros, ou seja, com um maior leque de factores considerados importantes para a alimentação das pessoas, mas não se pode dizer que exista um alimento -ideal» que tenha tudo o que é necessário ou seja, não existe o -alimento perfeito». A Natureza parece exigir, assim, uma harmonia de alimentos de forma a compor uma dieta completa.
Um exemplo: alguns vegetais, como os legumes, as batatas e os cereais, entre outros, são especialmente ricos em hidratos de carbono, mas também contem uma parte proteica e lipídica. Outros alimentos «como a carne, o peixe ou os ovos», são especialmente ricos em proteínas, mas também incluem, em diversas proporções, lípidos e até pequenas quantidades de hidratos de carbono. O mesmo ocorre com as vitaminas e os sais minerais: alguns produtos são muito ricos nestes micronutrientes. mas nenhum tem as quantidades para uma refeição completa. É. pois. evidente, que se torna necessário compor, com sabedoria, uma dieta que tenha o que a pessoa precisa, sem compostos de mais ou de menos. É este equilíbrio que temos que conseguir… o que não é fácil. Mas se optarmos por uma alimentação variada e diversificada, provavelmente estaremos a comer de forma inteligente.

Podemos dividir os alimentos em bons e maus? Ou de primeira e segunda categoria?

Não. Não há propriamente alimentos malditos, embora alguns sejam muito desequilibrado, não devendo, por isso entrar na composição das refeições. De qualquer forma, praticamente todos os alimentos tem algo -de bom*, sejam proteínas, sejam vitaminas. Mais do que este ou aquele alimento, os problemas surgem sobretudo por se abusar desses alimentos, com menor ingestão dos outros. O que é. então, correto, é «insistimos» compor as refeições de forma diversificada e variada, dentro do que poderíamos chamar dieta mista.
E se não, propriamente, alimentos maus e bons, o que é verdade é que alguns deles são particularmente bons, no que chamamos um bom valor biológico. As proteínas, que formam as estruturas do nosso organismo «dos ossos ao sangue», encontram-se em alimentos caros e, portanto, escasseiam na dieta das populações mais desfavorecidas, como aconteceu em Portugal durante muitos anos (comer carne ou peixe foi, durante muitas gerações , um privilegio reservado para os domingos). Contudo, o excesso de proteínas na dieta, a que se assiste hoje (basta ver o tamanho e a frequência com que se comem bifes ou postas de peixe), a continuar, vai seguramente trazer muitos «amargos de boca» no futuro, pois os rins e o nosso organismo em geral têm um limite para as metabolizar. É importante que os pais se consciencializem que o peixe, e sobretudo a carne, devem ser dadas em quantidades muito pequenas.

Os bebés podem consumir alimentos pré-cozinhados?

As crianças podem consumir, sem problemas, alimentos pré-cozinhados. Aliás, desde a primeira infância que consomem, por vezes, alimentos para bebé em boião, adequados do ponto de vista nutritivo, e com um rigoroso controlo de qualidade, superior àqueles que uma mãe média pode aplicar na preparação dos alimentos do seu filho.
Claro que nem todos os alimentos pré-cozinhados são iguais, pois o seu valor dependerá das instalações, métodos de fabrico e controlo de qualidade da indústria em causa, acontecendo no fim de contas o mesmo com os alimentos preparados em casa nem todas as ‘família tem os mesmos recursos, conhecimentos e cuidados de higiene ou de culinária na elaboração das refeições.
De qualquer modo, compete ao consumidor inteirar-se da composição do produto, do valor calórico, da data de validade e, por outro lado, fazer uma avaliação do custo relativamente a refeições feitas em casa. Os alimentos pré-cozinhados são uma alternativa em algumas situações, ou um complemento, noutras.

Os produtos naturais são sempre melhores do que os processados?

Na opinião de algumas pessoas e de alguns movimentos, o natural é sinonimo de saudável, enquanto que a intervenção tecnológica pressupõe um risco. Este conceito não é correto, uma vez que o processamento dos alimentos tem como objetivo conseguir produtos de maior valor nutritivo, melhor sabor, mais duradouros e mais seguros do ponto de vista microbiológico. O natural pode ser melhor ou pior que o processado, dependendo de múltiplos fatores. A comida preparada em casa pode ter maior valor nutritivo, ou melhores condições higiênicas que uma refeição pré-cozinhada, dependendo dos ingredientes, conhecimentos e técnicas da pessoa encarregue da preparação do menu. Em alguns casos, o resultado poderia ser desfavorável para o alimento/comida «natural».
As tecnologias devem ser utilizadas, desde que não ponham em perigo a saúde, a segurança e o bem-estar. Condenar a evolução tecnológica, só por si, é pura demagogia – e os fundamentalistas do (impropriamente) chamado «natural» deveriam aplicar, então, essas regras a todas as facetas das suas vidas – do automóvel em que se deslocam aos livros que lêem e que são feitos em computador, do creme anti-solar aos brinquedos para os filhos, passando pelo frigorífico onde refrescam as bebidas ou pelo sabonete com que se lavam…

O que se entende por dieta equilibrada?

A criança deverá receber uma alimentação equilibrada e variada, com o total das calorias distribuídas entre hidratos de carbono (50%), gorduras (35%) e proteínas (15%). Por sua vez, as calorias totais dividir-se-ão por quatro refeições: cerca de 25% ao pequeno almoço, 30% ao almoço, 15% ao lanche e 30% ao jantar.
Para conseguir a ingestão de energia, fibra, macronutrientes, vitaminas e minerais que a criança necessita, propõem-se diversas diretrizes sobre o que constitui uma dieta equilibrada (ver alguns exemplos de ementas, conforme a idade, na página 114). Em relação ao consumo de gorduras, doces e sal, a regra é a moderação.

Quais então as indicações atuais para a alimentação no primeiro ano de vida?

Durante o primeiro ano de vida devem tentar-se cobrir as grandes necessidades nutritivas, associadas ao rápido crescimento e desenvolvimento, mas respeitando as limitações digestivas e metabólicas da criança, dado que muitos dos seus órgãos e sistemas estão ainda imaturos. Nesta etapa podem diferenciar-se três períodos: lácteo (até aos 4-6 meses), diversificação progressiva, e alimentação completa (ou quase) por volta do final do primeiro ano. Neste período faz-se a introdução dos diversos grupos de alimentos que permitirão à criança ir conhecendo os sabores básicos: doce (a lactose do leite), ácido (frutas variadas), salgado (carne e peixe) e amargo (verduras em geral).
A introdução paulatina e diferenciada de novos alimentos, deve ser acompanhada da mudança de texturas (líquido, pastoso, com pedaços…) à medida que se desenvolvem as possibilidades bucais, oro faríngeas e dentárias, assim como a mudança de sucção para o mastigar. O olfato desempenha uma função muito importante no reconhecimento dos alimentos e habituação a eles, bem como na relação com a memória.
As mães devem amamentar enquanto quiserem e puderem, sem se sentirem pressionadas, mas fazendo da amamentação uma opção tranquila, moderna e reconfortante.

A partir do 4.°-6.° mês as vantagens do aleitamento, embora sempre presentes, não são tão relevantes como nos primeiros meses. Claro que, em crianças alérgicas ou com potencial alérgico, o leite da mãe é muito importante mesmo para além desta idade, porque as proteínas do leite de vaca são ainda os maiores alergizantes.
Nas crianças alimentadas exclusivamente ao peito, a partir do sexto mês o leite da mãe começa a ser insuficiente do ponto de vista nutricional, pelo que deverá começar a administrar-se a denominada alimentação complementar do latente, sem esquecer que durante o segundo semestre de vida a criança deverá tomar junto com esta cerca de 500 mililitros de leite ou derivados, por dia.

Qual a importância nutritiva dos cereais e dos legumes?

Os cereais contêm hidratos de carbono em abundância – são, aliás, a sua principal fonte. Além disso, têm proteínas e gorduras em pequenas quantidades. Na sua casca encontram-se fibras, minerais e vitaminas em abundância. Os legumes têm igualmente grande quantidade de hidratos de carbono e também proteínas, minerais, vitaminas (sobretudo do complexo B), fibras e ferro.

As verduras e frutos complementam-se ou substituem-se?

Estes dois grupos de alimentos pertencem ao mundo vegetal e têm muitas afinidades: baixo conteúdo em calorias, proteínas de «valor biológico» similar, escasso teor de gorduras, elevada percentagem de água e de hidratos de carbono (amidos ou açúcares), fibra, vitaminas (vitamina C e A) e sais minerais. Os alimentos vegetais integram-se num conjunto e, de facto, existe uma norma na alimentação que aconselha a tomar um mínimo de cinco porções/dia de frutas e verduras.

Qual o valor nutritivo dos sumos?

Embora tenham, muitos deles, vitamina C e outros compostos deste grupo, os sumos de fruta têm uma grande quantidade de açúcares e perdem algumas das suas riquezas maiores, como as fibras, que regulam o trânsito intestinal. Por outro lado, enquanto, por exemplo, se come uma ou duas laranjas, no máximo, em sumo bebe-se rapidamente o correspondente ao açúcar de várias laranjas. Acresce que a fibra ajuda a saciar o apetite e tem uma absorção mais lenta. Já o sumo, por ser líquido, é absorvi- do quase instantaneamente, fazendo subir rapidamente o açúcar no sangue, o que não é muito adequado na maioria dos casos. Os sumos engarrafados, apesar de muitos deles serem enriquecidos com vitaminas e minerais, frequentemente perdem ainda outros nutrientes. Portanto, é sempre melhor ingerir a fruta completa.

Êaconselhável «racionar» o consumo de massas e pão na alimentação das crianças?

Uma alimentação equilibrada e saudável é aquela que tem um predomínio de alimentos de origem vegetal. Assim, os cereais devem ter um protagonismo na alimentação, embora essa tradição se esteja, infelizmente, a perder, nos últimos tempos, nas chamadas «sociedades ocidentais-. Esta mudança é desfavorável do ponto de vista nutrido, regulação intestinal, proteção vascular, controlo de peso, etc.
A ideia de que o pão e as massas engordam é errada e contribui para desprestigiar

estes alimentos, fazendo com que diminua a sua presença na nossa dieta. Pelo contrário. O pão (sobretudo o pão feito «à moda antiga», de que é exemplo o «pão Alentejo») tem a faculdade de ser absorvido lentamente, proporcionando uma estimulação adequada do pâncreas, e ajudando a manter níveis estáveis de açúcar no sangue. Também as outras formas de comer cereais (massas, arroz, etc.) são importantes para as crianças, pois constituem uma boa fonte de energia.

Quais as vantagens e inconvenientes do açúcar?

Quando falamos de açúcar referimo-nos à sacarose, que se emprega como «açúcar de mesa» ou na preparação de doces, mas que também faz parte da composição de outros alimentos (especialmente os frutos). A sacarose desdobra-se em glucose, a qual tem grande importância para o organismo, pois é o combustível mais rápido e eficaz e, praticamente, o único útil (em condições normais) para o sistema nervoso e células sanguíneas. A sua principal característica, na refeição, é a capacidade que tem para adoçar alimentos. No controlo de peso não é especialmente perigoso pois só tem 4 kcal/g
(a gordura proporciona 9 kcal/g, o álcool 7 e as proteínas 4,5). Por outro lado, o açúcar sacia mais do que os edulcorantes ou as gorduras (isto ajuda a que a pessoa demore mais a sentir fome novamente). Portanto, se não for ingerido em grandes quantidades, o açúcar não é tão mau como pode parecer. No entanto, tem uma ação nos dentes, com aumento do risco de cáries (quando se ingere com frequência ao longo do dia, e não se tem uma higiene oral adequada).
Nas crianças, há que considerar o facto de, por precisarem de poucas calorias ao longo do dia, a ingestão de doces antes das refeições poder «tirar o apetite» para as refeições principais, com a consequente baixa de ingestão de frutos, legumes, carne e peixe ou cereais, etc.

É mais saudável o açúcar amarelo que o branco?

A diferença reside no refinamento durante a fabricação. O açúcar branco é o produto cristalino, refinado que se obtém da cana de açúcar ou da beterraba. O seu conteúdo em sacarose é de 99%. A forma comercial mais habitual é o açúcar granulado, mas
também se encontra em pó, mascavado, «amarelo», etc. Os cubos são torrões de açúcar duros, submetidos a pressão quando estão úmidos, para que tenham essa forma.
O açúcar cristalizado é incolor e de grande firmeza. Se se lhe adicionar caramelo durante a cristalização, o açúcar torna-se castanho.
Alguns açúcares são amarelos porque, simplesmente, se tornaram dessa cor durante a refinação. A outros são incorporados «melaços», que são subprodutos da refinação do açúcar, dando lugar a variedades mais ou menos escuras. O açúcar mascavado tem um ligeiro sabor a rum, dependendo da quantidade de melaço que se lhe incorpore.
O seu impacto nutricional depende da percentagem final de sacarose e outros açúcares, como a glucose e a frutose. Mas, quanto ao seu caráter dietético, podemos dizer que são igualmente saudáveis.

O mel é melhor que o açúcar?

Do ponto de vista nutritivo, o mel é equivalente ao açúcar, e tem fundamentalmente hidratos de carbono (frutose e glucose), e substâncias derivadas do pólen, bem como algumas outras que lhe conferem cor e sabor, mas que não têm importância nutricional.
Há também que não esquecer que alguns desses pólens podem contribuir para o aparecimento de alergias no bebé.
Por outro lado, há que relembrar que o mel na chupeta ou o biberão que os pais dão «com muito amor» à noite, em crianças que já têm dentes, são factores terríveis, porque a criança fica todo o período da noite com açúcar nos dentes, o que faz aumentar, em muito, a cárie dentária.

Deve controlar-se o consumo de sal numa alimentação infantil?

O sal é uma substância que se junta aos alimentos para lhes dar sabor e com funções de conservação. Os alimentos naturais contêm quantidades variáveis de cloreto de sódio. Conforme o procedimento culinário, e com a eliminação da água em que foram cozidos, o sal pode ser também fortemente reduzido ou até eliminado. Não há dúvida de que alguns alimentos são pouco apetitosos, depois de cozidos, e ganham em sabor quando se lhe adicionam um pouco de sal. As crianças, aliás, a partir dos 8-9 meses
começam a gostar de um bocadinho de sal na comida. Mais: precisam de um pouco de sal para estimular o desenvolvimento das papilas gustativas que sentem o sabor salgado. O problema para a saúde aparece quando se cria o hábito de salgar em excesso os alimentos, dado que, em indivíduos geneticamente predispostos, se observa a existência de uma relação direta entre o consumo de produtos excessivamente salgados e o aparecimento ou agravamento da hipertensão arterial.
E conveniente, nas crianças, controlar o consumo de sal, pois quando se desenvolve, desde a infância, uma grande apetência pelo mesmo, a comida parece sempre insossa e facilmente se superam os 5 a 6 g de sal estabelecidos como a dose diária recomendada, com os riscos cardiovasculares de que falámos.

As crianças devem consumir vinagre e/ou especiarias?

As crianças de pouca idade não devem consumir estes produtos, já que podem ser irritantes para o tubo digestivo, dado a sua imaturidade.
No entanto, há crianças que, muito precocemente, mostram um gosto definido para os alimentos com vinagre e limão, mostarda e conservas avinagradas, como os «pickles». Este comportamento corresponde, por vezes, a crianças que apresentam uma insuficiência gástrica que lhes produz um certo mal-estar, e que melhora de forma considerável depois da ingestão destes alimentos. Nestes casos, é conveniente, não propriamente fomentar o seu consumo, mas respeitá-lo quando se processa de maneira moderada, procurando que sejam da melhor qualidade possível e dando preferência ao limão, em vez do vinagre e outras especiarias.

Que alimentos podem, com maior frequência, causar alergias?

Não há praticamente nenhum alimento que não possa produzir uma alergia. No entanto, temos que considerar que, assim como há crianças especialmente propícias a alergias, também há alimentos que são mais alergizantes. E, frequentemente, é a associação de vários alimentos deste tipo que podem desencadear a reacção. Entre os mais «culpados» encontram-se: leite, ovos, trigo, milho, legumes, frutos secos e peixe. Existem igualmente muitas pessoas com alergia aos morangos, citrinos (laranjas, kiwi, tangerinas, etc), tomate, chocolate e cerejas. Além do consumo destes alimentos há outras influências que podem agravar, ou favorecer, o aparecimento de uma resposta alérgica, mais concretamente a luz do sol, o calor, picadas de insectos, produtos de limpeza ou detergentes, bactérias ou presença de parasitas no intestino, e até o próprio stresse.

Quando pode uma criança beber álcool?

A resposta é simples: Nunca! Uma criança nunca eleve beber álcool. Para além dos efeitos imediatos, alguns deles graves, como a hipoglicemia ou a lesão do fígado e do cérebro, o álcool tem um efeito cumulativo a longo prazo. Os estudos demonstraram também que os adolescentes consumidores de álcool iniciaram o consumo numa idade significativamente mais precoce que os adolescentes abstémios. Por todos estes motivos, não convém que os pais incentivem os seus filhos a provar bebidas alcoólicas, mesmo que em quantidades pequenas. O álcool exerce um efeito tóxico (a curto e a longo prazo) e cria dependência, para além de que, do ponto de vista nutricional, o seu consumo é negativo pois proporciona calorias (7 kcal/g) e poucos nutrientes essenciais, o que, numa fase de crescimento, é muito contraproducente.

Que alimentos facilitam a digestão?

Os alimentos com pouca gordura são, em geral, mais fáceis de digerir. Nas crianças com problemas intestinais, ou de saúde em gerai, aconselha-se, assim, uma dieta ligeira. Também os alimentos do tipo dos iogurtes são úteis nestas circunstâncias, pois são uma boa fonte de nutrientes, e conseguem ser bem tolerados e digeridos. Entre as frutas, as mais maduras digerem-se melhor que as verdes. Por outro lado, o comer espaçadamente, mastigando bem os alimentos, contribui para facilitar o processo digestivo.

A alimentação pode ajudara evitar as infecções frequentes das crianças?

O funcionamento do sistema imunitário depende da situação nutricional da criança e das carências em proteínas, vitaminas ou minerais, que se associa ao aumento da incidência de infecções. Por isso, melhorar a alimentação é um bom caminho para conseguir ingestões adequadas de energia e nutrientes, o que contribui para melhorar a saúde, ao otimizar a resposta imunitária e proteger a criança dos processos infecciosos.
Embora estes processos patológicos dependam de diversas influências, a alimentação (correta ou incorreta) é uma delas.

Os corantes e conservantes alimentares são saudáveis?

A questão não se pode pôr exatamente assim, porque seria demasiado simplista reduzir os alimentos ou as substâncias a «saudáveis» e «não saudáveis». Uma das coisas que temos que pensar, em primeiro lugar, é se seria possível conservar muitos alimentos por períodos longos, sem serem perigosos para a saúde, se não se usassem conservantes. Estes produtos visam aumentar a vida comercial dos alimentos – e permitir,por exemplo, que as pessoas afastadas de zonas não produtoras possam ingerir esses alimentos -, ou manter mais tempo o seu valor nutricional.
Os corantes, por outro lado, melhoram o aspecto do produto, tornando-o mais apetecível. A exposição à luz, ao ar, a temperaturas extremas, à humidade e ao tempo e condições de armazenagem deterioram a cor de muitos alimentos. E isso pode contrariar as expectativas do consumidor. Assim, usam-se corantes para corrigir variações naturais na cor dos alimentos, realçar certos tons, dar cor a produtos que, naturalmente, seriam quase incolores (como um gelado de limão, por exemplo), dar um aspecto «engraçado» a alimentos utilizados, sobretudo, em festas de crianças e, finalmente, para proteger as vitaminas e os sabores da acção da luz.
Nem todos os tipos, nem todas as quantidades podem ser classificados como «saudáveis» (o que será isso, neste contexto?) nem, da mesma forma, devem ser tomados como tóxicos e olhados com receio. Há, em alguns consumidores, a ideia que um alimento «natural»» é obrigatoriamente «puro» e «saudável», enquanto que se tiver conservantes ou corantes passa a ser produto perigoso, que pode prejudicar a saúde. Mas não é bem assim, pois não se pode garantir que um alimento seja melhor que outro pelo simples facto de não conter corantes ou conservantes – tudo depende do resultado final e de obedecerem, ou não, às normas de qualidade.

E perigoso aquecer os alimentos das crianças no micro-ondas?

Até certa altura receava-se que os micro-ondas pudessem causar algumas alterações indesejáveis nos alimentos ou transmitir radiações ao consumidor. A investigação veio mostrar que não existe nenhum fundamento para este receio. As radiações dos micro-ondas não são, nem nucleares, nem cumulativas, pelo que não são, de forma alguma, perigosas para a saúde. Qualquer produto pode ser aquecido desta forma, com segurança, e com a vantagem de as perdas de nutrientes serem menores.

E quanto às queimaduras?

Se, por um lado, os fornos de micro-ondas são seguros, no que se refere às radiações, por vezes podem resultar queimaduras por sobreaquecimento dos alimentos e uso inadvertido, designadamente:

• o biberão aquecido no micro-ondas: o vidro fica morno e a pessoa que administra o biberão pega-lhe, sente a temperatura exterior e esquece-se de verificar a temperatura do leite – o bebé, geralmente esfomeado, abre a boca e mama com vontade: queima a língua e a mucosa oral e faríngea, por vezes de modo grave e intenso;

• a papa ou o puré de legumes aquecidos no microondas: o aquecimento não é homogéneo e alguns bocados ficam muito quentes, enquanto outros quase frios. Se não houver o cuidado de mexer muito bem a papa para misturar o seu conteúdo, a criança pode queimar-se;

• aquecimento de alimentos que têm uma parte sólida e uma parte líquida. Exemplo típico: pastéis de nata e croissants com recheio. A massa fica morna, a boca abre-se para dar uma mordidela e o líquido fervente provoca queimaduras graves. Acresce que o líquido açucarado é mais difícil de retirar e o tempo de contacto com as mucosas (ou a pele) é superior, pelo que as queimaduras são mais graves.

Convém que os bebés comam fritos?

A resposta é só uma: NÃO! A fritura não é um processo «natural» (aqui, sim, a expressão já ganha outra dimensão), como o é a cozedura, o grelhado ou o assado. Ninguém ignora que o consumo de fritos está diretamente associado à ingestão de quantidades elevadas de gordura, com todas as consequências que esta tem para a obesidade, doenças cardiovasculares, falta de exercício físico por excesso de peso, doenças reumatismais, diabetes, etc, e ainda por problemas de auto-estima. Acresce que, dado o enorme valor calórico das gorduras, uma criança que coma fritos (batatas fritas, pacotes de aperitivos, salgados, etc.) acaba por comer muito menos quantidades de outros alimentos fundamentais para o seu bom crescimento.
Claro que um guisado pode ter muito mais gordura do que um frito, e todos conhecemos pessoas que exageram na gordura, seja o que quer que cozinhem. Mas reduzir a ingestão de fritos (de preferência aboli-los da alimentação diária, reservando-os para ocasiões excepcionais, como a ida muito de quando em quando a um restaurante de «comida rápida») é um dever dos pais, se querem promover a saúde dos filhos (e a deles).
Por outro lado, os óleos utilizados na fritura são muitas vezes sobreaquecidos ou utilizados muitas vezes, o que aumenta o seu potencial cancerígeno.

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