Puxar a pilinha?



O que fazer à pilinha? Puxa-se? Não se puxa? Deve-se fazer a circuncisão? Sim ou não?

A pilinha é, para os pais, uma fonte de problemas. E não deverá ser. Trata-se de um órgão como qualquer outro, e deve ser sujeito às mesmas regras: não agressão, manipulação cuidadosa, deixar evoluir com a idade e higiene, embora se deva manter o seu carácter íntimo e o pudor normal entre as pessoas. Referi n’O Grande Livro do Bebé que na esmagadora maioria dos recém-nascidos a pilinha está apertada (chama-se «fimose fisiológica») e só em cerca de 4% dos recém- -nascidos se consegue puxar totalmente a pele para trás. Ao ano de idade ainda 50% das crianças tem um aperto Com o decorrer do tempo a fimose começa a desaparecer, e na maioria dos casos, com alguma ajuda por parte dos pais, a pilinha abre-se e tudo fica como deve ser.

A partir do ano de idade pode começar a puxar-se, muito cautelosamente, nunca ultrapassando o limite que os pais sentem que é o momento em que continuar a puxar «era de mais». É uma sensação que se tem: primeiro há uma ligeira resistência que se vence, depois outra em que forçar seria traumatizante.

Se até aos 3 anos e meio, mais coisa menos coisa, a situação não estiver resolvida então provavelmente já necessitará da ajuda de um cirurgião pediatra, que puxará (e deverá ser ele) com algum aparato, mas com eficácia, a pilinha para trás.

Esperar muito tempo pode conduzir a uma adesão maior, até porque se começam a formar secreções que, tipo «supercola», pioram a situação. E como se criam bolas de sebo (chamadas «esmegma»), os pais assustam-se porque vêm uns altos brancos por de- baixo da pele. A manterem-se podem doer ou infetar.

«Por indicações médicas (salvo raras exceções, que são as crianças que fazem muitas infeções urinárias ou que não conseguem fazer adequadamente xixi), a intervenção cirúrgica só está indicada após os 3 anos de idade, depois de o bebé deixar totalmente de usar fraldas.

«Convém distinguir duas coisas: uma o aperto (fimose), outra a situação em que a pele não vem para trás porque duas camadas estão aderentes (chamada “aderências balano-prepuciais”, ou seja entre a glande e o prepúcio). É esta a última que pode ser resolvida sem recurso de cirurgia»

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