Publicidade e crianças



Vivemos num mundo onde há consumidores, e essa faceta das nossas vidas é tão importante que até se designa a sociedade onde nos integramos como «sociedade de consumo». Parece-me pois urgente formar as crianças para que sejam consumidoras, mas
desenvolvendo nelas uma atitude crítica, rigorosa e exigente.

A ciência diz-nos que a formação se faz nos primeiros anos de vida. essencialmente, nos primeiros cinco. Como quereremos ter consumidores conscientes, pessoas com opiniões formadas para melhor fazerem opções adequadas, se os preservarmos numa redoma, nos anos mais críticos da formação, com receio da informação e da publicidade? Seria um contra-senso em termos de desenvolvimento infantil. As crianças têm de contactar com o mundo. Com a parte positiva e com a parte negativa.

Não se lhes pode esconder a realidade, porque ao tentar preservá-las de algum aspeto traumático, estamos a criar, com essa atitude, efeitos também eles traumáticos, além de não desenvolver nelas os mecanismos de defesa adequados.

As crianças são consumidoras através de outrem e não consumidoras efetivas, visto
que não têm poder de compra, nem dinheiro para exercer o consumo livremente.

Todavia, o facto de exercerem o consumo através de outras pessoas não exclui que não tenham de formar uma consciência de consumidores, o que implica debruçarmo-nos sobre este assunto com os nossos filhos.

Os pais não podem ser absolvidos (eu diria expoliados) da sua função de educar.

Mesmo que o tempo escasseie por terem mil e uma 1 coisas a fazer, por a sociedade ser assim ou assado, ou por saírem de casa às seis da manhã e chegarem às onze da noite. Não são essas contingências que os fazem menos responsáveis pelos caminhos que apontam aos filhos.

São portanto os pais que terão sempre a grande palavra na educação para o consumo, estejam com eles cinco minutos, cinco horas ou o dia inteiro.

Na Língua Portuguesa há uma palavra muito simples, muito curta, que pode resolver muitos problemas, se as solicitações das crianças forem desadequadas, no entender dos pais é a palavra «não» Dizer «não-, pode desagradar ao visado (já referi que, dita de forma agreste, pode causar agressividade), mas o fato de não podermos ter tudo o que queremos não tem nada a ver com a publicidade, com a televisão ou com os anúncios. Tem a ver apenas com uma maneira de estar na vida e com as opções de cada um: se os pais desejam, apenas e tão só. evitar conflitos e fabricar consensos a todo o custo, então podem sempre ceder e atirar as culpas para cima da publicidade.

Se, pelo contrário, querem ser coerentes e ensinar consistência comportamental, então terão de assumir o ónus de negar tudo o que os filhos pedem, mesmo que a
publicidade anuncie isto ou aquilo.

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