Princípios educativos



Para uma criança de 3 anos, como o André, há muita coisa que não tem lógica, mesmo que para os adultos faça todo o sentido, pois ainda não tem uma visão sistémica e organizada do mundo, além de estar numa fase de só olhar para os seus interesses. As explicações dos adultos carecem de sentido. E daí os apelos do André: «Mas porquê?»

Se os pais perdessem menos tempo a vociferar e tentassem – de preferência fora da crise -, explicar-lhe porque é que se devem arrumar os brinquedos e outras coisas, talvez o André começasse a entender que a sua visão das coisas não é a única, e que há coisas que para nós podem não fazer muito sentido, mas que para o ecossistema onde vivemos, trabalhamos ou brincamos têm lógica e são necessárias.

Reparem; para o André, arrumar os brinquedos é uma mera perda de tempo, e dupla, já que no dia seguinte terá o trabalho de os tirar novamente do saco ou da gaveta onde estão. O facto de ficarem espalhados no chão, encherem-se de pó e «darem um ar desarrumado», não é uma preocupação para ele. Portanto, ou se arranjam argumentos compreensíveis, como os brinquedos poderem-se partir se alguém entrar no quarto, ou não se misturarem jogos que depois não dá para fazer nenhum e outras razões parecidas (até pode ser um novo jogo, o jogo do «arruma»), ou terão sempre birras e berros, que especialmente ao fim da tarde não contribuem muito para a paz e sossego que se deseja.

Há muitas técnicas que os pais usam: vejam, destas, quais as que acham que usam mais na gestão dos conflitos com os vossos filhos:

• Repreender
• Castigar
• Fazer longos sermões
• Ameaçar
• Chantagear
• Prometer
• Suplicar
• Culpabilizar
• Ridicularizar
• Chamar nomes
• Gritar e berrar
• Ordenar
• Exigir
• Comparar com os outros e dizer que os outros é que são bons

Espero que nenhuma, porque devo dizer que nenhuma destas estratégias resulta a longo prazo. O que importa é desenvolver o sentido ético e o conceito de «moralmente errado» e de que atacar alguém também é atacar-me a mim. E isto a empatia, a solidariedade e o sentimento de destino comum.

Há que criar nos filhos esses sentimentos, mas não é numa fase de extremo «umbiguismo» – como a que ocorre entre o 1 e os 3-4 anos – que as coisas acontecem de um dia para o outro.

Nem eles são tão altruístas que façam tudo pelos outros sem pensarem que podem (e devem!) ter algumas vantagens também para eles. A vivência comum baseia-se na negociação e no rearranjo dos vários interesses. É isso que há que explicar, exercitar e treinar, bem como a ideia de que os pais, por estarem cá há mais tempo e por serem adultos e pais, têm uma visão de mais ângulos, o que lhes permite ver outras coisas. Tal e qual a existência de várias câmaras de TV num campo de futebol, que permite ver se o penalti foi ou não foi penalti, ou se a bola saiu ou se não saiu. E essa linguagem já lhes é acessível.

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