Pesadelos



Alguns sonhos são aterradores. E se a um pesadelo, um «sonho mau», como tão bem
designam as crianças (porque há sonhos bons, reconfortantes, engraçados, que até desejamos continuem quando acordamos), se junta um estádio de alerta prévio mais intenso, então é provável que a criança acorde e se sinta desasada e com medo.

Não se sabe o que desencadeia o tipo de sonho – a actividade de organização cerebral
é intensa e pode ser o cruzamento de informação e a associação de ideias que gera um
enredo desagradável. Sabe-se que certos incómodos físicos – camas pequenas, dormir sobre um braço ou uma perna e magoar, ter a bexiga distendida, ter frio – podem ajudar a que o guião do filme deslize para o género thriller.

A «idade dos pesadelos», se se pode definir alguma, começa sobretudo cerca dos 3 anos, coincidente com a fase em que a fantasia é mais intensa.

Ao contrário dos terrores nocturnos, em que a criança está numa twilight zone, semi-acordada, nos pesadelos ela acorda mesmo e diz aos pais que «teve um sonho mau».

E até se lembra dele no dia seguinte.

Claro que os sonhos são como os filmes: de vez em quando há filmes «que metem medo», e ter um pesadelo de vez em quando é normal. Se se acentuam e tomam-se quase rotina, então é sinal que a criança não está bem, podendo até ser apenas um período
especial de stresse – entrada na escola, mudança de casa, nascimento de um irmão,
morte de alguém próximo ou qualquer momento semelhante.

Alguns autores afirmam que os estímulos mais recentes, em termos do timing de ir para a cama, podem influenciar o tipo de sonho.

Dito de outra forma, se uma criança estiver a ver um filme com imagens que assustam,
antes de se deitar, terá mais probabilidades de ter um pesadelo.

Mas atenção: tudo depende, mais do que do conteúdo, do inesperado e de como a criança vive a situação. Uma coisa é um filme de terror ou cena violenta, inesperados, com cenas em que não se sabe antecipar o que vem a seguir. É esta incógnita que gera insecurização. Outra coisa são as histórias infantis em que há vilões, desde o Lobo Mau à Bruxa da Branca da Neve – vilões que maltratam os «bons- e que lhes desejam a morte, ou que até os tentam assassinar, como é o caso da Bruxa e da maçã, ou da história da casinha de chocolate. Mas aí é mais fácil a criança entender o final – o Bem triunfa – e depois da primeira vez já antecipa o que acontece, além de que tem plena consciência de que tudo é do domínio da ficção.

A análise mais detalhada do sonho poderá ficar para o dia seguinte, já com luz, e num ambiente de brincadeira. «Imagina o que foste logo sonhar! Sabes que eu, quando era pequenina, sonhei um dia com um elefante que saía do Jardim Zoológico e dava banho a toda a gente com a tromba? E eu estava com um vestido novo e não queria que o elefante me molhasse. Imagina!»

Por outro lado, convém perceber – quando os pesadelos se repetem ou quando são sempre sobre o mesmo tema – se há algum fator na vida da criança que lhe possa estar a provocar stresse, para além daqueles nós, adultos, entendemos como tal.

Se as coisas não estiverem a melhorar, será bom falar com o médico-assistente e, eventualmente, procurar a opinião de um psicólogo.

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