Perguntas e Respostas sobre Vacinas



O meu filho vai a um pediatra particular. Pode ser vacinado nos centros de saúde?

O Sistema Nacional de Saúde não deve ser confundido com o Serviço Nacional de Saúde, ou seja, muitas crianças são assistidas no âmbito dos subsistemas de saúde ou na medicina privada, sem que isso represente qualquer problema. Como a vacinação é feita nos centros de saúde, às vezes ocorrem problemas relacionados com exigências (que não deveriam existir!) de que a criança seja observada por um médico ou tenha uma consulta. De forma nenhuma isto é preciso. Mesmo que a criança não traga indicação, no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, que deve ser vacinada, ao enfermeiro do centro de saúde bastará fazer um pequeno interrogatório relativo às situações referidas como contra-indicação e às reacções pós-vacinais anteriores. Só se parecer existir uma contra-indicação é que é aconselhável observação médica. Esta precaução é inclusivamente dispensada se existir indicação escrita, recente, do médico assistente, cuja opinião, expressa por escrito, deve ser sempre considerada. Quando surgirem dúvidas, estas deverão ser apresentados ao médico mais envolvido no PNV que esteja presente no centro de saúde.

O que são falsas contra-indicações?

As chamadas «falsas contra-indicações» são o que o nome diz: situações em que a vacinação é rejeitada nos centros de saúde por razões que não são, no fim de contas, justificativas (do ponto de vista clínico e científico) para tal.

Infelizmente, as falsas contra-indicações continuam a ser muito frequentes e as crianças e famílias andam de um lado para o outro, desnecessariamente, com grande prejuízo para a vida das pessoas e com comprometimento das taxas de imunização.

São exemplo de situações que NÃO contra-indicam a vacinação:

– alergia, asma, febre dos fenos ou rinites alérgicas
– antecedentes familiares de convulsões
– estar a tomar antibióticos
– estar a tomar corticosteróides em doses baixas ou por períodos curtos, ou ainda por via inalatória
– dermatoses, eczemas ou infecções cutâneas localizadas
– doenças crónicas cardíacas, pulmonares, renais ou hepáticas
– doenças neurológicas não evolutivas, tais como paralisia cerebral e síndroma de Down
– história de icterícia em recém-nascido
– prematuridade, baixo peso de nascimento para a idade de gestação
– aleitamento materno
– gravidez na mãe ou em pessoas com contacto próximo

Em algumas situações, o risco de doença é maior, pelo que as crianças devem ser vacinadas prioritariamente. Estas situações incluem: baixo nível socioeconómico, asma, fibrose quística, doença celíaca, doenças pulmonares crónicas, cardiopatias congénitas, síndroma de Down (mongolismo), paralisia cerebral, malnutrição. baixo peso ao nascer, prematuridade.

Os prematuros devem ser vacinados de acordo com o esquema cronológico do PNV
(idade real, do «bilhete de identidade»), seja qual for o grau de prematuridade.

Quando é que uma criança nào deve ser vacinada?

É raro haver uma situação em que a criança não possa ser vacinada, ou seja, em que haja uma verdadeira contra-indicação. Se estiver doente, com febre ou outros sintomas clinicamente importantes, a vacinação deve ser adiada, até para não vir a ser culpabilizada pelos sintomas que possam aparecer, mas logo que a situação esteja resolvida deve vacinar-se, mesmo que a criança esteja a tomar antibiótico. Os «ranhos» e as pequenas diarreias, sem febre e sem outros sintomas, não devem ser consideradas como obstáculos à vacinação.

E se o meu filho teve uma reacção grave quando fez uma vacina, há uns tempos?

Se essa reacção foi grave, tipo «anafilaxia», colapso ou choque, encefalite ou convulsões não-febris a seguir a uma dose anterior de vacina, esta criança não deve receber doses da mesma vacina. Mas quem deve determinar essa decisão deverá ser o médico assistente do bebé ou o especialista hospitalar que o siga, no caso de algumas doenças mais raras.

E se o meu bebé tem uma doença neurológica?

As doenças neurológicas não são, só por si, razão para não vacinar. A vacina da tosse convulsa não deve ser dada a crianças com doenças neurológicas evolutivas (epilepsia descompensada, espasmos infantis, encefalopatias evolutivas, entre outras).
Na maioria das doenças neurológicas – como a paralisia cerebral e algumas síndromas malformativas genéticas, síndroma de Down (mongolismo) as crianças beneficiam muito da vacinação, já que a doença é que pode descompensar a sua saúde.

O meu filho é alérgico ao ovo. Pode ser vacinado?

A alergia ao ovo não é uma contra-indicação à vacinação. Nem faz qualquer sentido algumas coisas que ainda se vêem por aí fazer em alguns centros de saúde, como mandar a criança comer um ovo e esperar para vacinar.

E as crianças que têm alterações da imunidade?

Nos casos em que os bebés têm doenças imunitárias, deverá ser o médico que o segue a indicar quais as vacinas a administrar, em que datas, e quais estão contra-indicadas.

Que reacções podem surgir depois das vacinas?

É comum aparecer febre nos dois dias seguintes à vacinação. Contudo, as mudanças que têm sido feitas no PNV têm levado a que as vacinas utilizadas sejam cada vez mais seguras e com menos efeitos secundários. Uma das vacinas que mais efeitos causava era a antiga componente da tosse convulsa. As alterações introduzidas no início de 2006 vieram colmatar este facto – a actual vacina da tosse convulsa já não tem os efeitos que a anterior tinha, e que eram sobretudo febre alta, dor e endurecimento no local da injecção, que se prolongava durante muito tempo.

As reacções graves às vacinas são muito raras e geralmente imprevisíveis, dependendo não só da vacina como também, e fundamentalmente, das características específicas da criança vacinada.

As vacinas actualmente utilizadas são muito seguras e as eventuais reações atribuíveis às vacinas são muito menos frequentes que as que resultam das próprias doenças.

EXEMPLO: com a vacina BCG pode aparecer, além da marca que surge cerca de dois meses depois, um gânglio, geralmente na axila, e que não costuma necessitar de qualquer tratamento. A vacina VASPR, que é dada aos 15 meses, ou a da varicela, podem dar também uma «pequena doença»», sem qualquer gravidade e sem ser necessário fazer nada.

A maioria das reacções às vacinas são raras, transitórias, ligeiras ou moderadas e não deixam sequelas, pelo que se pode afirmar, sem sombra de dúvida, que a vacinação é um processo cada vez mais seguro.

Um casal nosso amigo não vacina os filhos porque diz que as vacinas são produtos externos que perturbam a imunidade?

As vacinas são produtos externos, é verdade. E alteram a imunidade, também ó verdade. Só que a alteram num bom sentido, ou seja, no sentido de evitar as doenças para que são dirigidas, e que podem, em muitos casos, ser graves.

Há uma corrente, especialmente na Europa e nos EUA de grupos «contra as vacinas».
Os pais são sempre as pessoas que decidirão, mas também é bom pensar que a sua decisão acarreta responsabilização. Se amanhã uma criança não é vacinada porque os pais não o desejam, e morre ou fica com sequelas por causa de um sarampo, uma tosse convulsa ou uma difteria, o assunto será muito complicado de gerir.

Além disso, é bom pensar que as crianças, especialmente depois dos 6 meses de vida e quando entram para o infantário, fazem diariamente «vacinas» que advêm do contacto com as bactérias e vírus que os pais, familiares, irmãos, outros meninos e educadores lhes passam em cada abraço, beijinho ou miminho. Ou quando brincam ou lhes são mudadas as fraldas ou dada comida.

Claro que as vacinas, como qualquer produto biológico, podem ter efeitos secundários. Mas o risco destes é muito menor do que o risco das doenças…

Faz-me um bocado de impressão o bebé levar tantas vacinas no mesmo dia…

Não há qualquer problema, do ponto de vista imunológico ou para a saúde do bebé, fazer várias vacinas no mesmo dia. Algumas delas, por exemplo, são vacinas múltiplas, como a vacina antipneumocócica, que tem sete antigénos, ou a da polio que tem três.

Por aí podem ficar descansados, desde que as vacinas sejam compatíveis (são raros
os casos em que não o são).

Outra coisa é o vai-vem das seringas. É mais impressionante para os pais do que para o bebé. Uma criança desta idade não tem a noção e a apreensão que tem uma mais velha, ao ver as seringas e a enfermeira a prepará-las. Claro que o bebé chora (às vezes nem isso) quando é picado. Mas para ele, tudo aquilo representa apenas um acto vacinai.

Outro aspecto é a redução da dor: existem nas farmácias pomadas analgésicas que se podem colocar, dois a três minutos antes, nas zonas que vão ser puncionadas pele fica anestesiada e a vacina dói menos.

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