Perguntas e Respostas sobre o sono



Quando é que as crianças começam a dormir a noite inteira?

No final do primeiro ano de vida, a maioria das crianças já dorme a noite inteira, e muitos nem a ceia da meia-noite fazem. Mas também se pode dizer que esta maioria é muito resvés, porque os casos de noites -terríveis- não são tão poucos assim. E sem querer desiludir os pais que sentem que venceram esta difícil etapa, novas «crises» se podem avizinhar. Desde os terrores noturnos aos pesadelos, das instabilidades naturais associadas ao desenvolvimento ou às mudanças de casa, férias ou fins-de-semana, muitas perturbações do sono podem aparecer.

O meu filho acorda muitas vezes durante a noite, mas sempre à mesma hora.
O que pode ser?

Algumas crianças não conseguem fazer o percurso normal para um sono «directo» e duradouro, porque o relógio biológico vai marcando algumas horas para despertar – a criança começa acordar com fome, com frio. com sede, porque tem um «sonho mau», uma dor, ou outra razão qualquer e, sobretudo se esses momentos forem marcados por elementos altamente securizantes (a presença dos pais, o leitinho quente, as festinhas e beijinhos, o colo, as canções e outros rituais para embalar) o despertador biológico fica programado para essas horas, e já mesmo sem fome. frio ou dores, ela acordará… e pedirá mais mimo e mais colo que, por sua vez, ainda
agravarão mais esta disfunção do relógio. Os estímulos táteis, por exemplo, são dos que mais marcam uma criança e fazem um upgrading da sua ansiedade. A noite já é, de si, má conselheira no sentido da falta de calma e de lucidez. Se os pais recorrem, logo na primeira fase, ao toque, às festinhas e abraços, será mais difícil adquirir hábitos de sono correctos. Levar para a cama dos pais será a regressão máxima.

Porque é que o meu filho, que tem 2 anos, dorme num instante se eu ficar ao pé dele, mas se eu sair do quarto antes de ele adormecer é gritaria certa durante uma data de tempo?

Adormecer é aceitar o tempo de separação, e qualquer separação só é vivida de forma saudável quando coexiste o sentimento de segurança Adormecer sozinho exige uma gigantesca capacidade de sentir que os outros estão lá, mesmo não estando fisicamente. E mais, exige também uma capacidade incomensurável para «estar só» e saber «estar só-. Há pois que programar, preparar e exercitar essas capacidades, para a criança sentir que os pais estão mas não estão, para que mesmo nos maiores momentos de vulnerabilidade, como a noite, a criança esteja estruturada Sem ansiedade e com a presença dos pais no coração, na cabeça e nas representações de segurança.

O que é um objecto transicional?

Toda a gente tem um objecto transicional, seja a almofada a que nos agarramos, mais do que um simples apoio para o pescoço até. como acontece com alguns adultos, o urso de peluche da infância O significado destes objectos reside na segurança que transmitem e o poder que Km em significar que, neles, estão todas as pessoas que desejaríamos que estivessem ali, para nos garantir a segurança O objecto deve ser escolhido pela criança e ter tudo o que precisa para fazer as funções que queremos dele. Se for fofinho, com pêlo (se não houver alergias…), macio com expressão tranquila e feliz, se albergar bem um nome. tem mais hipóteses de representa essa segurança. Uma fralda pode. muitas vezes, fazer a função – é importante, nos primeira tempos em que ela vai desempenhar essa função, que não se lave demasiado a fralda e que se a criança gosta de uma particularmente – porque tem cores, bonecos, folhos ou qualquer outro símbolo , não se pense, na nossa visão de adultos, que «uma fralda é uma fralda e portanto tanto faz».

Depois de adormecer a minha filha, que tem 2 anos, saio do quarto, mas parece que ela adivinha e volta a acordar…

A passagem do estádio de acordado para sono profundo, que nos adultos se faz rapidamente, não acontece na criança de 1-2 anos. salvo se estiver muito cansada.

Assim, quando adormece fica um tempo em sono leve antes de aceder, depois, ao sono profundo Este período vai diminuindo com a idade Por volta dos 4-5 anos, já simplesmente «caem para o lado», quase como se se desligasse um interruptor. Só quando a criança começa a ficar mais mole e a respiração se torna regular, até pesada, terá entrado em sono profundo – já pode então escapulir-se do quarto.

As crianças devem ter uma hora para ir para a cama?

A vida faz-se de regras – para que as excepções e as respectivas transgressões a regra sejam mais apetecidas e gostosas. É bom que as crianças destas idades tenham uma hora mais ou menos constante de ir para a cama – e é a partir da regra que se estabelecerão depois exceções. Os horários da família são um fator a levar em linha de conta, bem como a hora de acordar.

Acha que se devem contar histórias de bruxas ao deitar? Não lhes fará medo?

As histórias de tadas e bruxas (ou com outras personagens) fazem pante da noite e do adormecer. As histórias são empolgantes como é empolgante e atemorizadora a passagem do dia para noite, da vigília para o dormir. Convém que, no final da história, o Bem triunfe sobre o Mal – de uma forma simplista, convenhamos, mas própria do pensamento de uma criança grupo etário, em que os objectos, as situações e as coisas têm de estar muito bem defenidas para posteriormente partir para a percepção de que, entre o branco e o preto, existe uma gama muito variada de cinzentos.

Eu e a minha mulher estamos à beira da exaustão porque o nosso filho, que já vai fazer 3 anos, nunca nos deu uma noite em que pudéssemos dormir sequer razoavelmente. O que fazer?

Para além de debaterem o assunto com o médico do vosso filho, sugiro que arraniem al
que fique um fim-de-semana com o vosso filho, para poderem dormir e estarem os doe
dispostos, além de incentivarem a vossa relação. É recomendável que tenham total contai na pessoa que fica com o filho, de modo a não estarem constantemente a pensar o que é que lhe está a acontecer e o que está a fazer. A ideia é «esquecê-lo» durante esse tempo. Por outro lado, não deve haver lugar para culpabilizações, estilo «estamos nós aqui a descansar e ele com os avós». Não só é injustificado como, para ser assim, mais vale esquecerem a ideia. Finalmente, o ideal é ficarem na vossa casa. Ir para outro lado, como um hotel ou turismo de habitação, é não deixar que o «vosso animal» descanse, dado que num ambiente estranho estarão sempre com níveis de alerta elevados.

É possível arranjar o quarto da nossa filha, de 3 anos, para que durma melhor?

Obrigar alguém a dormir é difícil… pelo menos mais difícil do que obrigar a estar acordado. Mas pode dar-se uma ajuda, isso sim: um quarto agradável, onde a criança se sinta bem; uma cama quentinha e confortável; silêncio, ou em alternativa música calma, rítmica, não muito alta; luz apagada ou, no máximo, uma luz de presença; porta entreaberta com tendência para encostar e fechar; sons da casa. que lhe permitam saber que os pais estão em casa; e ainda bonecos, especialmente os que desempenham um papel especial à noite.

O nosso filho, que tem 2 anos, quando se deita chama não sei quantas vezes.
Devemos ir lá?

É preciso para própria segurança das crianças, que os pais mostrem a sua presença mas, ao mesmo tempo, que não cedam a caprichos ou pedidos injustificados Embora a princípio elas pareçam assustadas e a tendência seja para ir tranquilizá-las, há que distinguir entre uma criança assustada e ansiosa de uma que está a tentar manobrar o espaço que tem. As cedências constantes geram mais insegurança, porque a firmeza afectiva é uma condição para que os nossos filhos se sintam seguros e adormeçam mais facilmente. O contrário será levar a que sejam eles. a pouco e pouco, a dominar a vida dos pais e as suas horas de serão – podem na altura achar que é uma vitória, mas ficarão cada vez mais dependentes e inseguros. E se a cada chamamento corresponde uma ida, será mais difícil conceber a ausência física dos pais como
presença abstracta.

Há algum mal em a nossa filha, de 3 anos, dormir na nossa cama?

Dormir na cama dos pais é uma questão que. para pediatras e psicólogos, tem uma resposta cientificamente fácil. A criança precisa, desde que nasce, de aprender a gerir a sua autonomia.

É na idade dos medos – cerca dos 2-3 anos -. essa aprendizagem é mais difícil A cama dos pais é o local mais seguro do mundo, mas é a solução mais fácil, não sendo a melhor, pois leva a que este aspecto do desenvolvimento permaneça num estado regressivo, tornando-se cada vez mais difícil a adaptação ao seu próprio espaço. Se o fenómeno -regressão» é dominante, também acresce outro significado de pretender dormir na cama dos progenitores: invadir o seu espaço íntimo e, assim, reforçar a sua omnipotência. Assim, na minha opinião, levá-la para a vossa cama é um erro pelo qual se vai pagar muito caro em termos de autonomia, equilíbrio da personalidade e relação pais-filhos

Pode dar-se medicamentos para dormir a crianças de 4 anos?

Os medicamentos só devem ser utilizados por prescrição médica, mesmo que a prima, o vizinho ou a filha do colega se tenham dado bem com eles.

Dizer que vem o papão pode ter algum efeito numa criança de 3 anos que não
quer dormir?

A invocação de monstros talvez seja carregada de boas intenções – paralelamente a uma franca demonstração de despotismo e insensibilidade paternais – mas com o que se sabe actualmente sobre como lidar com comportamentos, birras, terrores nocturnos, dificuldades em adormecer ou provocações «baratas-, agitar o «papão- é francamente contraproducente, a menos que seja nos que seja como uma brincadeira e entendido pela criança, sem qualquer dúvida, como tal.

Mas como nunca temos a certeza do que é que ela entende como brincadeira ou seriedade, e sobretudo vindo das pessoas em quem confia cegamente, é melhor deixar o papão sossegado e o homem do saco na sua toca… ou reservá-los para as fantasias dos adultos…

A minha filha, de 3 anos e meio, quer sempre que eu verifique se há monstros
debaixo da cama. Devo alinhar nisso?

A fantasia das crianças desta idade não tem, felizmente, limites. E aquilo que era pode no momento seguinte deixar de ser – essa é uma das particularidades e um fator de defesa de uma pessoa que se sente em perda total de poder, dependência e que quer controlar alguma coisa, para não se sentir completamente só e vulnerável. A imaginação ajuda a compor a realidade a seu jeito, embora também possa pregar partidas, como tornar os bonecos de peluche! Em animais a sério, ou o vazio que existe debaixo da cama em condomínio de monstros e criaturas afins. Seja solidário com ela, não dizendo nada que tenha o sentido de «estás parvo, sabes que não há monstros nenhuns-, porque a questão não é lógica nem racional, procure os monstros e prove que é mais forte do que eles. Quando sair do quarto estará tudo vistoriado por quem sabe: os pais.

Tenho dois filhos. Um de 5 anos e o outro com ano e meio. E vamos agora mudar para uma casa maior. É melhor dormirem no mesmo quarto ou em quartos diferentes?

Não há regras nem soluções à partida garantidas. Mas, pelo menos até ver é melhor por tê-las no mesmo quarto. A relação fraternal tem diversas facetas, e uma delas é a cumplicidade e a securização. Basta ver o ar desasado de um deles quando o outro vai passar o fim-de-semana com alguém. Mesmo sendo «cão e gato», o que é normal e saudável, a noite é um bom momento para sentirem a proximidade um do outro.

Ganhar um quarto de brincadeiras também será bom, porque permitirá organizar o espaça conforme a idade e a actividade (trabalho manual, brincadeira livre, casinhas, etc ) poupando também a sala e o espaço dos pais às invasões de brinquedos e de barulho.

As crianças têm insónias?

As insónias podem ser um problema temporário nas crianças, muitas vezes associadas aos touch points. momentos críticos do desenvolvimento. Muitos outros factores podem contribui para um mau dormir, como qualquer mudança – seja de quarto, de casa, de colégio, alterações na família ou doença.

O que são terrores nocturnos? É o mesmo que ter um pesadelo?

Não se devem contundir terrores nocturnos com pesadelos, e a idade em que acontecem os primeiros é mais precoce. No terror nocturno, a criança grita – muitas vezes um autêntico grito de terror mas, ao contrário do pesadelo, em que o próprio está assustado, quem fica mais receoso, neste caso. são os pais porque o filho senta-se. está agitado, parece estar a lutar contra «monstros ou possuído» as vezes quase alucinado. Mas não está acordado, como nos pesadelos. Quando os pais se aproximam, a criança parece não perceber quem eles são e até os afasta.

Qual é a idade para ter pesadelos?

IA «idade dos pesadelos”, se se pode definir alguma, começa sobretudo cerca dos 3 anos, coincidente com a fase em que a fantasia é mais intensa. Ao contrário dos terrores nocturnos, nos pesadelos ela acorda mesmo e diz aos pais que «teve um sonho mau». E até se lembra dele no dia seguinte. Se se acentuam e tornam-se quase rotina, então é sinal que a criança não está bem, podendo até ser apenas um período especial de stresse – entrada na escola, mudança de casa, nascimento de um irmão, morte de alguém próximo ou qualquer momento semelhante.

O que se deve fazer quando uma criança tem um pesadelo?

É importante a presença dos pais para testemunhar que «tudo não passou de um pesadelo», pé um modo explícito, com abraços e colinho. Só assim, através do mimo, a criança consegue libertar-se do medo e perceber que, afinal, está em sua casa. A voz tranquila da mãe ou do pai ajudam muito, mas para isso não podem estar a pensar neles, na noite interrompida, no trabalho do dia seguinte ou que já não vão dormir essa noite. E é necessário dizer-lhe taxativamente:

Tiveste um sonho mau. mas foi só um sonho. Agora vamos lá voltar a dormir e sonhar com coisas bonitas.»

O meu filho tem 4 anos e quase todas as noites fala a dormir. É normal?

Falar durante o sono, ou soniloquia, faz parle da vida das crianças e da de muitos adultos. Falar duranie o sono acontece e é normal. Deixe o cérebro dele expressar-se e não se angustie,que não vale a pena.

O que é o bruxismo?

Bruxismo é o termo médico do vulgar ranger dos dentes durante o sono (ou em situações da stresse). As razões podem ser muitas; controlo ainda imperteito dos movimentos maxilares, desalinhamento dentário normal da idade, dores de dentes ou de ouvidos que não são suficientemente fortes para acordar e chorar, parasitas intestinais ou, simplesmente, uma fase que passa sem que se entenda muito bem porque aconteceu.

Na escola do meu filho, que tem 3 anos e meio, não o deixam dormir a sesta.
E noto que ele fica muito cansado e irritado ao fim da tarde…

Determinar, porque nasceu até 31 de Dezembro ou depois dessa data, se deve ou não dormir a sesta é um péssimo serviço que se presta às crianças. Os cérebros funcionam de maneira diferente, e além disso o próprio cansaço, o número de estímulos e muitos outros condicionantes orgânicos e psíquicos entram neste balanço. Quem acorda cedo precisará mais de fazer a sesta, bem como nos dias em que as atividades foram muitas e, sobretudo, inovadoras. A sesta deve ser um passo da rotina, que a criança já antecipa quando está a fazer outras coisas anteriores, como lavar as mãos para ir comer.

O meu filho pede sempre um leitinho com açúcar à noite. Lavo-lhes os dentes
depois, mas fico a pensar se ele depois ficará a dormir mal…»

Pensava-se que sim, mas os últimos dados da investigação, afinal, parecem apontar no sentido oposto. As bebidas açucaradas podem aumentar a sonolência. Uma hora após ingerirem) uma bebida açucarada, com pequenas quantidades ou mesmo sem cafeína, as crianças ficam com tempos de reação mais lentos e têm mais lapsos de concentração do que se tivessem tomado uma bebida com baixo teor de açúcar.

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