Perguntas e Respostas sobre brincar



Quais são as vertentes em que se baseia o jogo, em crianças desta idade?

A brincadeira e o jogo estruturam-se segundo quatro parâmetros: sorte e azar oposição, faz-de-conta e vertigem e teste do limite. Se uma criança não vê, em determinado jogo ou brincadeira a resposta às suas necessidades nestes capítulos ira procurar um outro, saltitando de brinquedo em brinquedo.

Porque é que as crianças até aos 4-5 anos querem brincar muito com um brinquedo e daí a bocado já parece que nem gostam dele?

A escolha tem a ver muito com a expetativa do momento – se, por exemplo, quiser expressar e trabalhar a área «oposição» desejará jogar futebol ou andar a irritar os irmãos. Se quiser promover a área «vertigem», subirá para cima dos móveis. Se desejar o «faz-de-conta», então quererá brincar aos teatros ou aos pais e às mães.

Como posso saber se o meu filho é uma criança criativa?

Todas as crianças são criativas. Algumas poderão ser mais do que outras ou poderão
entusiasmar-se mais pelas situações que exigem criatividade. Outra questão é no entanto, conseguir arranjar formas de «abrir a gaveta» e pensar, conceber, esboçar, planear, organizar, gizar, construir e finalizar a obra. São muitas as etapas nas quais a criança se pode perder; daí a importância de os pais e educadores serem facilitadores destes processos, seja estimulando-os, seja dando os materiais e condições para a sua construção, seja ainda expressar a crítica (não obrigatoriamente um aplauso incondicional) ao produto final.

Aplaudir muito a minha filha de 4 anos é útil para ela ser mais criativa?

Deve aplaudi-la sempre que entender, mas tenha em atenção que o excesso de recompensas e incentivos podem interferir negativamente com o processo criativo.

Aplaudir tudo o que a criança faz retira o estímulo para ir buscar novas respostas e soluções e consequentemente a fluência raciocínio. A maior recompensa, sobretudo a partir dos 4-5 anos, deve ser a satisfação pessoal e a sensação de progresso.

Tenho um filho de 3 anos e meio, e parece que anda sempre a brincar. Perde-se com a brincadeira, nem que seja descer no elevador.

O jogo imaginativo é um dos grandes pilares desta idade em que tudo serve para brincar e qualquer atividade – como refere, até descer no elevador – é pretexto para inventar brincadeiras e descobrir novos usos para os objetos. O botão do seu elevador pode ser o botão que abre qualquer mundo mágico, um passaporte para universos mágicos.

A minha filha, de 4 anos, costuma brincar ao pé de nós. E reparamos que, com
as mesmas coisas, faz sempre jogos diferentes, e até de sinal contrário.

A exprimentacão de enredos diferentes vai obrigar a montar cenários diferentes, por vezes sem ser apenas na imaginação, e essa tentativa, mais realista ou mais surrealista, ajuda a criança a passar do domínio da fantasia para o domínio do real.

Do mesmo modo, ao inventar esse teatro, a criança de 3-4 anos começa a entender que pode forjar vários fins para a história, para além do desenrolar do enredo. Pode imaginar um fim bom ou mau. agradável ou desagradável, castigador para algum dos personagens ou gratificante para outro.

Porque é que o meu filho, de 3 anos, nunca empresta os brinquedos a outros meninos à primeira. É sempre preciso insistir…

O sentido de partilha não se desenvolve inteiramente antes dos 4 anos. ou ainda mais tarde. Tudo depende do contexto familiar, da existência de irmãos ou outras crianças, da frequência de infantário e jardim-de-infância, do modo como a família alargada (designadamente os avós) a tratam, da personalidade da criança, dos seus medos, emoções e receios, e da forma como foi educada.

O meu filho, de 3 anos, isola-se muito para brincar. Os irmãos, que são gémeos, de 5 anos, irritam-se com ele e dizem que ele é um «urso». É normal?

Algumas crianças preferem brincar sozinhas, longe dos outros. Tal não significa que estejam a ser anti-sociais Em primeiro lugar, há que ver a idade. Os mais novos (até aos 3 anos) não se entusiasmam muito com brincadeiras colectivas, especialmente se não houver um adulto a moderar Acresce que, por não terem ainda entendido que partilhar é bom, têm sempre medo que os outros meninos lhes tirem os brinquedos Mais tarde, aos 4-5 anos, o tipo de brincadeira já exige vários protagonistas, mas mesmo assim pode haver lutas e amuos, se o papel que lhe cabe não corresponde às expectativas, ou se quer liderar e tem de competir com vários candidatos a «chefe».

O meu marido, quando tenta brincar com os nossos filhos, de 3 e 5 anos, acaba sempre a discutir com eles porque querem que o pai seja sempre o mau da fita e ele irrita-se…

Se na vida real queremos ser nós a «mandar-, então que na vida fictícia e no jogo haja uma parte em que são as crianças quem dirige as operações. Quando os pais aceitam jogar, mas transformam os filhos em meros espectadores, definindo eles as regras, deveriam pensar duas vezes se não precisam, eles próprios, de ter uma actividade em que se possam libertar e jogar…ou brincar.

Há brinquedos ideais?

Os brinquedos e os jogos devem sobretudo responder aos objectivos a que se destinam.

E devem servir também os gostos e interesses da criança, e atender às facilidades e dificuldades da criança Mesmo os brinquedos que estão dentro das chamadas -recomendações para a idade- podem não ser apropriados para os vossos filhos, porque cada criança é diferente da outras e cada criança tem o seu naipe de competências, apetências. gostos e ritmos

O meu filho, que tem 4 anos, gosta de brincar com bonecas, e o meu pai está
sempre a dizer-me que o neto pode vir a ser gay…

As crianças devem brincar com tudo o que é a representação da vida real, conforme as necessidades e desejos, conforme as variações e experimentações necessárias ao longo do tempo. Cada um brinca como quer e com o que quer – como os homens prestam cuidados às crianças, é natural e desejável que ele inclua essas funções nessa representação.

O meu filho tem 2 anos e meio. Quando está a brincar com qualquer coisa que não deve e lhe dizemos para parar, faz uma birra…

É importante dar-lhe alternativas. Não se pode exigir de uma criança uma mudança de comportamento sem lhe propor algo que seja suficientemente interessante. Muitas razões, que para os adultos fazem sentido, não são. na óptica de crianças desta idade, suficientemente apelativas e sólidas. Ninguém, seja com que idade for, muda um comportamento se não tiver uma alternativa, e não entender que o que lhe ô proposto é melhor para si ou para os outros.

Devo permitir que o meu filho brinque com brinquedos a fingir de armas?

Pessoalmente, creio que é de evitar Mais vale que invente as deles (desde o dedo a papéis) porque será sempre do domínio da fantasia, além de não se habituar a manusear objetos que são idênticos aos reais Se essa for a opção dos pais. creio também que deverão recusar que alguém as ofereça aos vossos filhos, e explicar à criança que não desejam esse brinquedo e que o vão trocar por outro. Não deve haver cedências mesmo que seja para salvar a face a um tio ou a um padrinho.

É conveniente as crianças brincarem no exterior, no Inverno?

As crianças podem e devem brincar ao ar livre, apanhar chuva e frio. Enquanto uma criança desenvolve atividade muscular, desenvolve também calor e não há risco de apanhar chuva ou frio. desde que haja alguma habituação e treino. A questão está quando pára. pelo que depois de brincar à chuva ou ao frio. é necessário manter a criança quente e secá-la. mudando até de roupa São as transições que causam vulnerabilidade e susceptibilidade à doença.

Devo deixar o meu filho sujar-se, quando brinca? Não pode apanhar infeções?

Há que não confundir ficar cheio de lama e de relva com poluição ou contrair doenças. Se os elementos naturais – terra, relva – não estiverem contaminados com dejetos animais, perigos como garrafas ou vidros, pontas de cigarros, pesticidas ou qualquer outro elemento similar, não há qualquer risco de brincar à vontade mesmo sujando-se.

O que quer dizer a marca CE dos brinquedos?

O símbolo CE, que todos os brinquedos do mercado têm de exibir, significa apenas que o fabricante e/ou representante declaram que o brinquedo cumpre a legislação em vigor Trata-se pois de uma presunção de conformidade, uma vez que esta não tem de ser confirmada por ensaios laboratoriais. Só depois do brinquedo se encontrar no mercado é que essa declaração poderá ser desafiada. É essencial poder contar com a ajuda dos milhões de potenciais «fiscais» espalhados pelo País: os pais e educadores.

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