“Pequenos nadas» na diversificação alimentar, conforme a Sociedade Europeia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátricas (ESPGAN)



A introdução de alimentos não lácteos na nutrição do bebé deve ter lugar entre os 4 meses completos e os 6 meses de vida.
Esta introdução deve ser mais tardia se o bebé tem alergias ou se na família direta há história acentuada de alergia.
Há que ter em atenção que a sociedade ocidental exagera no consumo de proteínas, bem como de sal. Assim, e porque o consumo destes elementos é muito fruto dos hábitos que se adquirem, ó recomendável que, desde o início, se evite a ingestão de excessos de proteínas e de sódio (sal).
A cárie, a diabetes, a obesidade… razões não faltam para recomendar uma restrição dos açúcares na alimentação das crianças.
Deve-se habituar o bebé a comer pelo menos 5 refeições por dia.
E irrelevante qual o tipo de alimento sólido que se introduz primeiro (papa ou puré).
Seja o que for que se introduza primeiro, é necessário garantir as reservas de cálcio e de ferro que o bebé, nesta idade, começa a perder. Assim, o bebé tem que continuar a beber leite e laticínios e, por outro lado, deve não tardar demasiado a comer carne, que é a principal fonte de ferro.
A realidade cultural e socioeconômica deve ser levada em conta: a carne a introduzir, por exemplo, pode variar conforme as regiões; vaca, vitela, borrego, pombo, frango, peru, etc…
A introdução de novos alimentos deve ser gradual, começando com pequenas quantidades que, com o tempo, serão aumentadas em volume e variedade.
Os alimentos com maior probabilidade de causarem alergias «como o ovo, o peixe, a laranja, etc.» não devem ser introduzidos antes dos 6 meses; se a ança for alérgica ou tiver familiares diretos com alergias provadas, estes alimentos devem ser dados apenas depois do ano de vida.
O leite de vaca «em natureza» deverá ser introduzido apenas por volta dos 12 meses.
Para além destas pequenas (mas importantes) regras pouco mais há a acrescentar. As crianças normais e saudáveis que não querem comer quando têm alimentos à sua frente fazem-no por sua conta e risco, ou seja, os pais não devem partir para a hora da refeição carregados de stresse, não devem ficar preocupados se a criança começar a «fazer teatro», muito menos embarcar nesse jogo e fazerem-se de
capachos, ou de palhaços!
Se uma criança não tem outros sinais de doença e tem comida à frente, comerá se tiver fome, não comerá se mesmo com fome quiser fazer birra, mas os pais não deverão ceder nem mostrar medo. Como dizia a minha bisavó: «fome é de três dias!» Segue-se um resumo de alguns dos erros alimentares principais no primeiro ano de vida. Evitem que isso aconteça ao vosso filho. Está inteiramente nas vossas mãos!

Principais erros alimentares
no primeiro ano de vida

• Abandono do aleitamento materno e introdução de substitutos comerciais sem razões que justifiquem.

• Introdução muito precoce de leite de vaca «em natureza» (ou seja, leite de vaca dos pacotes ou da vaca) – a maioria dos autores recomenda que essa introdução se faça apenas depois do ano de vida, ao contrário do que se fazia há alguns anos.

• Administração de chás, sumos de frutos e refrigerantes nos primeiros meses, nomeadamente no primeiro trimestre – há muitos à venda mas não são recomendados. A água é o líquido por excelência para matar a sede… se assim não fosse a natureza teria evoluído para fontes ou rios de colas ou de refrigerantes!

• Diluição errada do leite comercial (que, salvo exceções indicadas pelo médico assistente, deve ser de uma medida para 30 ml de água).

•Diversificação alimentar antes dos 4 meses de vida.

•Baixa ingestão de leite ou derivados (que deve ser de, pelo menos, o equivalente a 500 ml) após a diversificação.

•Falta de flexibilidade nos horários das refeições, quer quanto à quantidade de alimentos em cada refeição, quer quanto à ordem de introdução dos alimentos.

•Refeições demasiado prolongadas, com rituais excessivos e excesso de atenção em coisas secundárias.

Comentários

“Pequenos nadas» na diversificação alimentar, conforme a Sociedade Europeia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátricas (ESPGAN) | Para Pais.