Para brincar não é preciso «brinquedos»



Todas as crianças brincam e não precisam de brinquedos. Os bebés servem-se do próprio corpo, que é um excelente brinquedo, e brincam com as mãos, com os pés. Brincar de esconde-esconde, bater palminhas, conhecer a própria cara, cantar músicas. Os mais velhos agarram em dois ou três objectos e fazem deles o que querem, inventam histórias e ações. As crianças brincam onde quer que estejam, porque também consideram brinquedos todos os objectos e utensílios que manuseiam. E quantas vezes nos irritamos quando queremos que eles se despachem a comer ou a vestir, de manhã, quando faltam cinco minutos para o autocarro ou para o trânsito, ou para isto ou para aquilo, e eles já estão a utilizar os talheres ou as roupas para inventar histórias. E nós dizemos: «Mas come!» e eles já estão noutra. E nós então dizemos: «Mas não sejas criança!» e não há ninguém por perto que nos faça ver o ridículo da nossa atitude, porque brincar é um processo do desenvolvimento e os processos de desenvolvimento são processos muito importantes, acima de qualquer poder de adulto, um processo contínuo, desde que se nasce até que se morre.

É bom brincar, brincar com as coisas e com as pessoas e uma brincadeira, por definição, não é maldosa, não é de mau gosto, é sempre honesta, inofensiva, é uma prova de amizade, é uma prova de solidariedade, senão não era uma brincadeira. E brincar com os objectos também.

Porque não com os brinquedos dos nossos filhos? Quantas vezes não nos apetece jogar ao berlinde, cavar buracos e túneis na areia da praia e sei lá mais o quê?

Não basta pegar nuns quantos brinquedos e bonecos e dar a um bebé para que este se sinta feliz. Pelo contrário, vai sentir-se, em determinados momentos, muito frustrado e infeliz. Os bebés precisam de aprender a brincar sozinhos, e fazem-no enquanto o brinquedo permite exploração e descoberta, mas logo esgotam as suas possibilidades individuais e precisam de quem lhes aponte mais soluções para o objecto ou para o jogo. É por isso que brincar com uma criança é estar com essa criança. Estar disponível, estar ao nível dela (no chão, olhos nos olhos), ter tempo e não dar ao bebé a sensação de que se está sempre com pressa e a despachá-lo.

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