Pais – os primeiros cuidados de saúde



Quem conhece melhor as crianças? Quem se levanta às tantas da madrugada para resolver um «sonho mau», pôr a fazer xixi ou pura e simplesmente devido à preocupação de «algo não estar bem»? Quem acompanha os sintomas desde o início, como a febre, a diarreia, a tosse? E quem decide o que vai fazer, que medicamentos vai dar, se telefona ou chama o médico? Quem decide se já estão esgotadas as possibilidades de intervenção?

Quem tem de lidar, no imediato, com uma queda, um entalão ou uma queimadura? Quem vai ao médico com os filhos? E, no final da consulta, quem tem de ir à farmácia, quem vai para casa e dá a medicação, tantas vezes a horas incómodas, quem vigia a criança, faz aerossóis ou dieta? É por isso que não tenho dúvidas em reafirmar: os pais são os verdadeiros «cuidados primários e primeiros» dos seus filhos. E são muito bons nesta função!

Uma vez assumido este direito (com a consequente responsabilidade), valerá a pena indagar: estará a maioria dos pais plenamente informada quanto às situações de saúde e de doença mais comuns nos seus filhos, designadamente quando e como agir? Por vezes talvez não.

Para além do falhanço evidente de alguns dos serviços de primeira linha (nomeadamente alguns centros de saúde e médicos-assistentes), muitos pais reagem mal a qualquer sintoma ou sinal de doença, fazendo tábua rasa do famoso ditado que diz «saber esperar é uma grande virtude», o que é explicável – e quem é pai sabe isso, eu que o diga!

E se para algumas situações a urgência é de facto grande e o tempo curto, para a larguíssima maioria sobram horas e dias até que seja necessária a intervenção de um profissional.

Há dois ou três fatores que se tem de levar em linha de conta:

  • é frequente as crianças adoecerem, sobretudo entre o 1 e os 4 anos;
  • a maioria das doenças só tem o cortejo total de sintomas numa fase mais tardia, ou seja, por volta do terceiro, quarto dia;
  • a ida a um serviço médico, principalmente um serviço de urgência onde a continuidade de observação e de cuidados não é a regra, serve muitas vezes para «subir um ou mais degraus» na escala da medicação e dos exames complementares, ou seja, ira um hospital é dar um passo na direção das análises, das radiografias e dos antibióticos, entre outros medicamentos. E se às vezes estes meios são indispensáveis, também há muitas vezes em que são utilizados como «bengala» pelos pais e pelos médicos, os quais raramente conhecem a criança e a família e assim, não podendo ver a criança nas horas ou dias seguintes, «jogam pelo seguro»;
  • ir a um serviço onde estão muitas crianças doentes é arriscar-se a entrar sem doença e sair com duas ou três doenças infeciosas.

Quando se exige aos pais que sejam perfeitos, gerando um natural «medo de falhar», valerá a pena perguntar: não poderão muitas das situações de doença ser lidadas em casa? E quais os riscos dessa atitude? Embora não compita aos pais serem médicos, também há que não esquecer que o bom senso, o instinto, a experiência e a calma são todos bons conselheiros, os quais na maioria dos casos permitem manobrar a situação sem fazer grandes «asneiras».

Valerá no entanto relembrar que:

  • as indicações do médico ou equipa assistente da criança – seja ele pediatra ou médico de clínica geral/médico de família, com ação do enfermeiro -, devem sempre ser seguidas;
  • se os pais têm dúvidas quanto à sua capacidade de lidar com a situação é sempre melhor recorrerem à ajuda de alguém;
  • finalmente, quanto mais nova e mais frágil a criança (designadamente se tem uma doença crónica ou qualquer problema), mais cuidado se deve ter no seguimento da situação.

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