Os objetos de transição



Os objectos de transição, como já referi no capítulo do Sono, são elementos que nos ajudam a fazer a passagem – afinal, o luto transitório até que os nossos amados regressem.

Um boneco, um urso de peluche, uma fralda, uma fotografia. Até que a repetição estandardizada do reaparecimento nos dá a tranquilidade necessária para viver a separação.

É nessa idade que algumas crianças começam a sentir ansiedade quando vão para a cama ou quando os pais saem da sala.

Claro está que muitos manipulam esta situação e chantageiam emocionalmente os pais,
se descobrem terreno fértil para tal, mas o que está na base é o medo de ficar só e
abandonado. À medida que as situações de separação se vão tornando habituais e que o
bebé entende que as coisas de que necessita não lhe vão faltar e que outras pessoas
são também capazes de tratar dele, bem como o facto de saber que os pais acabam por regressar, a ansiedade começa a diminuir porque a certeza de que tudo está bem ajuda a securizar os seus sentimentos e a sentir-se bem.

Por outro lado, é também um sinal de que a criança desenvolveu vínculos fortes e que
encara a separação – dado que não a consegue ainda abstrair e viver interiormente sem o estímulo da presença física -, como um evento desagradável, insecurizante ou de risco.

A progressiva aprendizagem do ««carregar os nossos e vivê-los, dentro de nós», levará a que se aceite, com uma crescente tranquilidade, a separação física dos seus queridos. Queridos. «Aqueles a quem queremos!»

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