Os mordedores de «raiva»



Muitas razões podem estar por detrás das frustrações que levam uma criança a desforrar-se -se do que julga ser pouca sorte: inveja, ciúme, não conseguir o que quer, ser contrariada ou não poder fazer tudo o que quer e bem lhe apetece. Já falámos destes assuntos por diversas vezes, neste espaço. Os dentes transformam-se, assim, em veículos de sentimentos e não é por acaso que, muitas vezes, estas manifestações (como outras que denunciam birras) se dão mais com pessoas próximas do bebé do que com estranhos.

Estas mordidelas devem ser reprimidas da mesma forma que os comportamentos anteriores (ou até ainda mais firmemente), mas há que entender o que as motivou. Em alguns casos, quando o adulto não está presente, o mordedor pode, ele mesmo, levar mais longe o seu teatro e começar a chorar, como se tivesse sido ele a vítima (e, no fundo, pensa que foi, vítima de uma injustiça). Esta situação ainda complica mais o quadro porque os pais ou educadores têm então de consolar duas crianças (e nesta idade, quando berram, é algo que só visto e ouvido). Nas crianças frustradas deve tentar levar-se a energia para coisas positivas, promover a sua autoestima e desviar a atenção do problema em causa, para não se estar sempre a repreender e a castigar.

Muitas vezes, as crianças mordedoras sentem-se o centro das atenções – o que é, afinal, o seu objetivo principal. -Cuidado que ele morde!- – basta os adultos dizerem isto para a criança se sentir olhada por todos os presentes, mesmo que não pelas melhores razões.

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