Os «empresta-avós»



Com a reconstrução de famílias separadas, entraram em cena novos atores: os avós não de sangue, mas avós na mesma, muitas vezes mais dedicados e com responsabilidades acrescidas no dia-a-dia da criança, tios e primos, mulheres do pai e maridos da mãe.

É claro que, tal como acontece nos empregos, nos clubes de futebol ou em qualquer outro «grupo de pertença», a chegada de «estranhos» com as mesmas competências que nós e, aparentemente, sem provas dadas, pode criar um clima de suspeita.

Há que desdramatizar a situação. As crianças têm sentimentos de sobra para lidar com todos estes avós e para gerir o tempo e o espaço, afetivo e outro, que devem a cada um deles.

Na melhor das hipóteses, em caso de divórcio dos pais, se ambos voltarem a casar, a criança poderá ter quatro avós naturais mais quatro «de empréstimo», oito bisavós naturais mais oito de empréstimo – só aqui já estão vinte e quatro – e se calhar ainda algum trisavô daqueles que resistem às «intempéries do tempo».

Não vale a pena fazer uma tempestade num copo de água e o bom relacionamento é fundamental, a bem da criança. Não vale também a pena – pelo contrário, é contraproducente e quase sádico -, desfazer a imagem dos outros, criticando-os, humilhando-os, reduzindo a sua importância.

O poder e o amor podem e devem ser partilhados, sobretudo no caso das crianças e jovens, que têm ainda uma enorme capacidade para receber e dar…e que não hesitarão em escolher segundo os seus próprios parâmetros, estando-se «nas tintas» (desculpem os puristas da língua) para as escolhas que os adultos pretendem fazer por eles.

Dois quartos, duas famílias, irmãos daqui e dali, dois Natais, férias variadas, realidades diferentes, mimo em dobro…às vezes deveres redobrados e contratempos acrescidos, enfim, o resultado é na maior parte dos casos muito satisfatório, principalmente se não nos virmos todos como inimigos, adversários ou em concorrência permanente.

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