Os difíceis “primeiros anos”, depois do primeiro ano…



Uma pequena nota introdutória a este capítulo. Se a alimentação do bebé com menos de 1 ano segue pistas mais ou menos estandardizadas, que têm a ver com os seus processos fisiológicos, a sua maturação orgânica e a adaptação aos novos alimentos, a partir de 1 ano de vida – salvo a existência de alguma doença, alergia ou condição particular -,a criança, tendencialmente, senta-se à mesa com os pais, ou seja, partilha a refeição e come «da panela». A regra fundamental da alimentação e da nutrição infantil é a adequação. Não apenas à idade, mas à criança. Aos hábitos da família. Aos hábitos da sociedade. Não apenas aos alimentos em si, mas a todo o ritual que os acompanha, desde os horários das refeições até ao significado de alguns alimentos e pratos.

Também vale a pena sublinhar que a adaptação que vinha desde o início, após a diversificação alimentar, vai-se sempre fazendo, mesmo que com um ritmo mais lento. Há sempre que pensar que aquilo que é, por exemplo, «pesado» para nós, mais será para uma criança, e quanto mais nova, maiores as probabilidades de rejeição. Bom senso, é o mandamento. Bom senso sem perder de vis ta algumas transgressões à regra, mas sabendo que as mesmas podem causar algum desconforto. Sejam vómitos ou diarreia – modos de o tubo digestivo expulsar o que considera lesivo – sejam alergias, sejam efeitos em outros órgãos.

Chamo também a atenção para os principais problemas que surgem neste grupo etário, apelando no entanto a que não se seja fundamentalista (salvo o álcool ou produto similar). Mais vale ensinar a comer chocolate do que nunca dar e chegar ao dia em que se cede e come a toda a hora. A obesidade é um problema importantíssimo, e a sua prevenção deve ser encarada como prioritária, por tudo o que está em causa. O fazer a refeição em família, sem televisão e com disponibilidade é outro dos assuntos a que temos de dar alguma atenção, pelos efeitos protetores a longo prazo que uma tal prática acarreta.

Os bons hábitos alimentares e transformar a alimentação num momento saudável e prazenteiro, substituindo a luta pela sobrevivência, sempre presente no nosso cérebro, por outros objetivos psicológicos e sociais  ainda outro aspeto em que vale a pena empenharmo-nos.

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