O stresse do parto



O parto é, talvez, um dos momentos mais «fortes» da vida de uma pessoa. Passar-se de um ambiente calmo, quente, relativãmente insonorizado, sem ruído, com sons filtrados, ouvindo os batimentos pendulares do coração materno, acompanhado, envolvente, para um ambiente diferente, mais agressivo, menos receptivo, com variações térmicas grandes, luz, som e outros estímulos, com variações fisiológicas muito grandes (expansão dos pulmões, alterações a nível do coração, corte do cordão umbilical, etc). Cada vez que o bebé abre os olhos, apanha uma autêntica enxurrada de informação. Pior ainda se o ambiente de casa, que deveria ser de contemplação, calma e tranquilidade, está perturbado constantemente pelas visitas, telemóveis, ansiedade e outras coisas semelhantes. Tudo isto constitui um tator de stresse muito grande. Nenhum de nós, provavelmente, aguentaria atualmente essa carga. Os bebés têm que a suportar.

E, logicamente, têm que a descarregar.
O intestino é o órgão-alvo para esta reação, como o será durante toda a vida as cólicas antes dos exames, antes das entrevistas para um emprego, quando os nossos superiores hierárquicos resolvem visitar-nos ou quando resolvemos declarar-nos à nossa amada (ou amado) são bem conhecidas de todos nós. Daí o choro, a necessidade de consolo, de mimo, de envolvência, e daí também as cólicas, verdadeira reacção psicossomática, provavelmente uma das primeiras deste tipo, das muitas que teremos pela vida fora.

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