O que se pode esperar de um bebé nas várias idades



Estas indicações correspondem à média que, como já se afirmou, não representa obrigatoriamente a normalidade. No entanto, estas linhas servem como referencial: se o bebé se afastar muito, em vários parâmetros, pode haver sempre uma razão fisiológica (ser prematuro, por exemplo, ter estado doente ou ter uma doença crónica), mas de qualquer modo, só nesses casos os pais deverão levar o filho ao médico assistente.

É por isso muito importante que os pais levem o bebé às consultas de rotina, conforme consta do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. São idades-chave em que o desenvolvimento, a par do crescimento e de outras áreas, são avaliadas no momento e também numa perspectiva dinâmica.
A avaliação do desenvolvimento psicomotor de um bebé tem a ver com as competências que distinguem o Homem de outros animais:

•a postura e a motilidade grossa, a marcha (e o caminho até chegar a ela)

•motricidade fina, ao nível da mão, que permite controlar e fabricar objetos

•visão e audição, coordenadas e finas, o gosto, o olfacto, o tacto e o sentido propriocetivo (noção do próprio corpo) e cinestético (percepção das posturas e dos movimentos)

•linguagem (designadamente a linguagem verbal)

•competências cognitivas

•competências e relacionamento social

•e, claro, a mistura de todas estas vertentes, que revela a competência e capacidade global da criança, em termos de resposta às situações, adaptação ao mundo e às pessoas, e capacidade de vencer.

Por volta das seis semanas

•começa a sorrir

•responde à face humana, expressando agrado

•tem uma visão nítida, já focalizada, que permite por exemplo olhar com alguma atenção para os mobiles colocados sobre o berço

•reconhece a voz e o cheiro dos pais

•deita a língua de fora depois de ver os pais fazerem o mesmo

•além do choro, emite uma série de sons que equivalem a expressões emocionais,
para além de «rosnar», suspirar, etc.

•consegue levantar a cabeça alinhada com o corpo, quando antes a tinha em baixo

• quando puxado a sentar, o pescoço faz esforço para manter a cabeça direita e consegue, por momentos

• quando se deita de costas flecte as pernas e os braços

• se se segurar pelo ventre, de barriga para baixo, faz um grande esforço para se endireitar

• ainda não tem a motricidade fina desenvolvida – não procura segurar em objetos

• fica quieto se os pais produzirem um som prolongado

Por volta dos três meses

• começa a reparar nas mãos

• abre e fecha as mãos, coordenadamente

• agarra objetos que se colocam nas mãos

•estica-se para agarrar um briquedo que esteja próximo

•reconhece bem pessoas e objetos

•ri, como expressão de felicidade

•fica excitado com o biberão ou com o banho

•deitado de bruços levanta a cabeça e ombros. Apoiado nos antebraços, aguenta-se

•já aguenta relativamente bem a cabeça, quando sentado

•interessa-se pelas mãos e rapidamente vai controlá-la, podendo começar a agarrar ou tocar objetos próximos, como as grades do berço

•demonstra que gosta de ouvir música

•acalma-se ou fica excitado com a voz dos pais, mesmo quando estes não estão presentes à vista se alguém vier de lado e chamá-lo, vira a cabeça para esse lado

•vocaliza

Por volta dos seis meses

• rola sobre si próprio

• começa a sentar-se sem apoio

• segura um copo ou um biberão com as mãos

• colocado de bruços, consegue levantar-se e, apoiado nos braços, rola sobre si próprio

• deitado de costas, consegue levantar a cabeça e apoiar-se no calcanhar

• puxado a sentar, fica muito bem ereto

• já consegue ficar encostado a um muro sem apoio lateral

• pondo-o de pé, já se apoia firmemente nas pernas

• já agarra em pequenos objectos e leva-os à boca

• com uma roca, já sente graça em fazer barulho

• brinca com os pés e leva-os à boca

• dá gargalhadas

•usa vários tons de voz para se expres-
sar, conforme está contente ou zangado

•produz sons batendo nas coisas, para chamar a atenção

•já gosta muito de brincar, quer com brinquedos, quer com as pessoas

•já volta quase instantaneamente a cabeça quando ouve alguém chegar, e está atento a pequenos sons, voltando a cabeça para o lado deles

Quando os bebés, pelos 7-8 meses, começam a achar graça às coisas que desaparecem, demonstrando pois que sabem da sua existência mesmo sem as verem, têm o que se chama o «conceito de permanência». São os ursos que atiram para o chão (e que os pais têm que apanhar), os objetos que escondem numa mão ou atrás de uma almofada.

Esta fase é muito importante, e deve ser estimulada com os jogos de esconde-esconde («não está cá!» «está, está!»),com uma fralda que tapa o bebé ou com o desaparecimento de objectos nas mãos dos pais ou noutro local.

Este ponto de partida dará ao bebé um nível superior de segurança os pais, mesmo quando desaparecem da visão, poderão estar presentes e à distância de um gritinho.
Trata-se de uma fase muito importante do desenvolvimento, e sinal de que o bebé quer «sair de si» e descobrir o mundo.
Noutras palavras, a «tempestade tropical» vai tornar-se num «furacão de grau 5»…

por volta dos nove meses

•senta-se sem ajuda durante 10 a 15 minutos

•mantém o equilíbrio, sentado, enquanto faz outras atividades (tentar agarrar um boneco, por exemplo)

•já se pode aguentar de pé, apoiado

•pode já dar uns passinhos, agarrado

•pode gatinhar, embora não seja uma etapa obrigatória

•agarra bem nas coisas, com a pinça que forma com o polegar e o indicador

•procura brinquedos que deixou cair

•experimenta os brinquedos, puxando, agitando, batendo no chão ou segurando

•pode já segurar numa colher

•responde pelo nome

•diz adeus e faz «gracinhas»

•começa a reagir às pessoas e ambientes diferentes

•começa com ansiedade de separação dos pais

• já percebe que as coisas quando desaparecem da visão não deixam de existir gosta de brincar às escondidas, quer com objetos, quer com as pessoas e consigo próprio

• começa a pairar, a emitir sons e a gostar de se ouvir; começa a gostar de entender os diversos sons

Por volta dos doze meses

• pode já andar

• pode dizer palavras com significado

• pode segurar um lápis na mão

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