O que é que acontece num acidente a uma criança não segura?



Os panoramas que a seguir vos apresentamos, podem parecer quase irreais.

Muitos questionar-se-ão: «Será possível?», «Não terá havido engano nos números?», «Será gralha?».

Infelizmente não. A realidade é mesmo esta:

• Se tiver um acidente a 45 km/h (velocidade que pode ser considerada pela maioria das pessoas como relativamente baixa, na maioria dos percursos, até mesmo dentro de localidades):

– a criança colide com a estrutura do carro ou com outra pessoa ou objeto dentro dele com a mesma força de um mergulho de cabeça de um quarto andar… um quarto andar.

• A 90 km/h:

– a força equivale a uma queda de cabeça de um 12.° andar! A criança só parará quando o seu corpo se tiver deformado enormemente as lesões ósseas e das partes moles serão seguramente muito graves.

E tudo isto ocorre num fragmento de segundo! Escusado será dizer o que acontece a velocidades superiores.

Espreite pela janela de um quinto ou de um décimo segundo andar e pense no que seria cair dessa altura.

• Num choque frontal:

– uma criança que viaje não segura, no banco da frente, sai do banco, os joelhos batem na parte de baixo do tablier, o corpo dá uma volta e os órgãos internos rompem-se. A cabeça bate no pára-brisas, o tórax embate violentamente no tablier, uma criança pequena atravessa o vidro e corre o risco de ser atropelada, para além de poder sofrer cortes e lesões secundárias ao embate na estrada;

– uma criança no banco de trás bate violentamente nos passageiros da frente, podendo ficar com lesões gravíssimas, ou continua até à parte da frente do carro, colidindo com a cabeça no tablier e/ou passando o vidro.

• Num choque lateral:

– se estiver sentada do mesmo lado do embate pode ter lesões de esmagamento dos ossos e dos órgãos internos;

– se estiver do outro lado bate com muita força na estrutura do carro, com provável rompimento das estruturas musculares, ósseas e articulares.

• Num impacto traseiro:

– se estiver deitada no banco de trás recebe a totalidade da força nas costas pode fazer lesões da coluna e da espinal medula; podem ocorrer lesões graves do pescoço e da coluna; pode, em qualquer dos casos, bater no teto do carro ou na janela traseira.

Queiram desculpar estas descrições.
Mas esta é a realidade. É a nossa realidade. E está em nós mudá-la. Podemos mudá-la. Não mencionámos estes dados para lhes criar ansiedade ou mal-estar. Mas apenas porque a ignorância destas situações e das suas consequências é a responsável pelos milhares de feridos e dezenas de mortos que, todos os anos, acontecem na população infantil e juvenil de passageiros, em Portugal. E que ninguém quer manter. Vamos então mudar a realidade.

Assim, e como consequência lógica, as crianças não devem NUNCA ir à solta, seja à frente ou atrás. Até porque, mesmo admitindo que somos bons condutores, podemos estar parados num sinal luminoso, num cruzamento ou até estacionados, e outro automóvel bater-nos.

É bom que, para além do perigo do incumprimento da lei e das situações em que desrespeitamos o direito das crianças e adolescentes à segurança, estejamos conscientes também das vantagens de uma atitude correcta e adequada:

• O passageiro não anda a «voar» pelo carro, não bate em pessoas ou na estrutura do carro, não atravessa o vidro, não cai na faixa de rodagem.

• A criança desacelera e imobiliza-se com o automóvel, como se fizesse parte dele, e a força descomunal resultante do acidente (energia do embate) é distribuída pelas estruturas do carro e pelo dispositivo de segurança e, assim, a que chega à criança é muito menor e espalha-se, evitando as lesões diretas da cabeça, da coluna ou dos órgãos internos, como as que foram descritas acima.

• Além disso, há menos hipóteses de brincadeiras ou outras acções que possam distrair ou irritar o condutor, baixando o nível de atenção que este tem que dar à condução e aos elementos do ecossistema rodoviário.

• É assim que se percebem os espantosos níveis de redução de passageiros mortos e de feridos que mencionámos atrás.

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