O que é necessário para falar uma língua?



• ouvir os outros e monitorizar a própria voz – Audição
• analisar, separar e reconhecer os sons – Discriminação auditiva
•produzir esses sons (fonemas) – Fonologia
•formar as palavras – Morfologia
•formar frases – Sintaxe
•atribuir significado a padrões de sons de forma a poderem ser lembrados (vocabulário) – Semântica
•entoar as palavras e frases, e dar ritmo à conversa – Prosódia
•usar efetivamente a linguagem – Pragmática
• arquitectar as palavras de modo a que tenham significado em termos de frases, de acordo com regras gerais da língua, utilizadas também pelas outras pessoas, por forma a simplificar o processo de entendimento e comunicação – Gramática
• traduzir acções e objectos para palavras que os simbolizam – Codificação
• relacionar a palavra falada ao objeto ou ação de que é o símbolo – Descodificação

Até aos 2 meses o bebé aprende a arrulhar, para chamar a atenção dos pais, e é capaz de manter uma «conversa», se os pais forem respondendo, por um tempo relativamente grande. Balbucia um con-
junto de sons básicos. Entre os 2 e 6 meses ri, em resposta a palavras e frases de que gosta e de que entende o sentimento, e chora se for o contrário.

A partir dos 6 meses já paira – maa, daa, paa – e experimenta a voz, os sons que emite, e o efeito que eles têm. É quando começa a usar os «rrrr» e os gritos para ver se «assusta» os pais com essas expressões de agressividade.
E dia após dia grava tudo o que ouviu.
Da maneira que ouviu. Organiza dicionários, gramáticas e prontuários, dentro da cabeça. Mas só carregará no botão do play quando for necessário, gostoso e forçoso – não quando os pais ou os avós
querem.

As primeiras palavras, com sentido, são geralmente ditas cerca do ano de idade. As suas primeiras palavras: se disser papa, a mãe dirá, ironicamente, que ele quer papa.
Se disser ma-ma, o pai diz que ele quer mama. Seja «papaia» ou «manga», falem com o vosso filho, escutem-no. Dêem-lhe tempo e peçam-lhe tempo. Transformem esta aprendizagem em algo estimulante e todos os dias diferente. É bom, podem crer…

Os rapazes são mais «atrasados» do que as raparigas, no que respeita à linguagem, embora apenas em termos populacionais. A área cerebral correspondente à fala está mais desenvolvida nas pessoas do sexo feminino. Isto tem a ver com as funções diferentes que homens e mulheres desempenhavam no momento em que os nossos genes ainda estão. Eles, caçadores e guerreiros, bastavam-se com palavras-chave e frases curtas e lacónicas. Elas, no ambiente do gineceu, criando crianças, precisavam de falar, de discorrer sobre as coisas e de dizê-las com mais palavras. O nosso cérebro ainda funciona assim…

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