O peixe



É normal as crianças não gostarem de algumas coisas. Umas porque detestam mesmo o sabor. Outras porque a textura não agrada. Ainda outras porque o cheiro é insuportável. E finalmente algumas porque… pois, porque ninguém sabe muito bem porquê, e são estas que levam a lutas infindas entre pais e filhos, sabendo de antemão que eles vão fazer cara feia para comer e os pais perderem tempo a insistir, quando afinal, mais tarde, por algum milagre da natureza, passam a gostar. É o caso da alface, dos cogumelos, das ervilhas, só para citar alguns exemplos…

Encontrar um equilíbrio entre as duas posições – intransigência e demasiada flexibilidade -, é complicado e difícil, sobretudo quando não os queremos deixar resvalar para o capricho, quando estamos (e eles também) cansados, e quando os nossos receios e as avós dizem que se não comerem isto ou aquilo poderão ficar doentes ou magrinhos.

Não é bem assim. E com calma, sem stresse, sempre se consegue ir mais longe. Importa negociar, de certa forma, mantendo a face e não cedendo na totalidade (nunca esquecer que quem tem o «poder executivo» são os pais), mas conseguindo a adesão das crianças ao nosso «plano».
O caso que contamos acima é paradigmático. O Francisco percebeu o que era melhor para ele. E a mãe soube apelar ao que, nele, era o «ponto fraco» – a curiosidade do saber, a fantasia, o desejo de ir mais além. No fundo, é uma questão de pensar um pouco, não ir atrás de chavões ou dos primeiros instintos, e não esquecer que, perdoem-me a comparação, «todos os burros comem palha, depende é da maneira como lha damos»…

O peixe é um dos alimentos mais equilibrados, em termos de nutrição e tudo o que se possa fazer para manter e até aumentar o consumo de peixe em Portugal é bem-vindo.
Como no caso do Francisco, as crianças olham muitas vezes desconfiadas para os pratos de peixe, mas quase sempre acabam por gostar A razão principal para este – olhar de lado» tem a ver com relacionarem o que têm no prato com a imagem de peixes vivos, mais facilmente do que com ver num bife uma vaca ou um porco. Por outro lado, o aspeto de um peixe antes de confecionar não é muito atraente, como o cheiro, as escamas, as vísceras e outras coisas mais. Esta é também uma razão para os habituarmos a comer peixe desde pequenos (se não houver qualquer contraindicação, claro) e termos algum cuidado com a confeção e a apresentação.

O peixe é uma importante fonte de proteínas na nossa alimentação, proteínas essas de elevado valor biológico. Conhecido o risco que algumas proteínas representam em ter- mos de agressão renal – e se considerarmos que as crianças atuais vão ter uma longevidade muito maior do que a das gerações anteriores -, a escolha das melhores proteínas é fundamental para proteger os rins e garantir que essa vida longa vai ser uma vida saudável, com um grau mínimo de incapacidade.

Comentários

O peixe | Para Pais.