Não se dorme à força



Obrigar alguém a dormir é difícil.. pelo menos mais difícil do que obrigar a estar acordado. Mas pode dar-se uma ajuda, isso sim:

• um quarto agradável, onde a criança se sinta bem;

• uma cama quentinha e confortável;

• silêncio, ou em alternativa música calma, rítmica, não muito alta;

• luz apagada ou, no máximo, uma luz de presença;

• porta entreaberta com tendência para encostar e fechar;

• sons da casa, que permitam aos vossos filhos saber que os pais estão em casa. De vez em quando podem tossir ou falar, de modo a que eles sintam a vossa presença;

• bonecos na cama, especialmente os que desempenham um papel especial à noite, mas deixar a criança escolher diariamente a bonecada com a qual vai dormir – há crianças que preferem só um boneco, outras levam sei lá quantos para a cama, quase nem tendo espaço para dormir. Mas  cada um deve arranjar o seu ambiente securizante do modo que entender.

É preciso, para a própria segurança das crianças, que os pais mostrem a sua presença mas. ao mesmo tempo, que não cedam a caprichos ou pedidos injustificados.

Embora a princípio elas pareçam assustadas e a tendência seja para as ir tranquilizar, há que distinguir entre uma criança assustada e ansiosa e uma que está a tentar manobrar o espaço que tem. As cedências constantes geram mais insegurança, porque a firmeza afectiva é uma condição para que os nossos filhos se sintam seguros e adormeçam mais facilmente. O contrário será levar a que sejam eles, a pouco e pouco, a dominar a vida dos pais e as suas horas de serão – podem na altura achar que é uma vitória, mas ficarão cada vez mais dependentes e inseguros. E se a cada chamamento corresponde uma ida, será mais difícil conceber a ausência física dos pais como presença abstracta.

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