Multiculturalidade



Um país de dez milhões de habitantes que tem mais quatro milhões a viver fora dele.

Que se gaba de ter «dado mundos ao mundo». Que se orgulha de ouvir falar português
em cada esquina do planeta ou que encontra simbologias lusas um pouco por todo o lado.

Num qualquer país, haver quem tenha reações de xenofobia seria sempre ridículo. Com
a nossa História, ainda o é mais. E a multiculturalidade e a partilha étnica, ao contrário do que alguns pensam, só aprimora os povos e
os enriquece.

Tenhamos pudor e aceitemos a realidade como um desafio. E ensinemos isso aos nossos filhos desde a mais precoce das idades. Ser racista é, segundo a definição geralmente aceite, afirmar duas coisas: 1.° que existem indivíduos à partida melhores do que
outros, por razões biológicas e fisiológicas;

2° que a convivência, coexistência e mistura de indivíduos diferentes é de evitar.

Para além de carecerem de demonstração científica e serem, portanto, meras convicções pessoais, o que está profundamente errado é esses sentimentos e convicções assumirem exteriorização e traduzirem-se por comportamentos condicentes.

O primeiro argumento rebate-se, pois, facilmente: não há raças ou povos de «primeira» ou de «segunda». Haverá pessoas melhores ou piores (atenção: aos nossos olhos e segundo os nossos parâmetros!), mas estender esse conceito a grupos e fazê-lo superficialmente de acordo com características biológicas é um monumental erro científico e ético, bem como um atentado à inteligência, sobretudo de quem propaga estes dislates.

O segundo argumento, de que não é bom haver interpenetração e mistura de pessoas de origens diferentes aos vários níveis, é também um erro crasso: precisamente, o que
enriquece o espírito, a mente e o ser humano é a capacidade de aprender, de partilhar e de melhorar – basta olhar para as crianças numa creche ou num jardim-de-infância para o constatar. De igual modo, tal como para os animais, é sabido que o elevado grau de consanguinidade não contribui para uma melhoria dos padrões biológicos e mentais.

Por outro lado, para além dos aspectos meramente físicos ou psicológicos, há os culturais: A diversidade cultural, religiosa e etológica é essencial para o aperfeiçoamento de cada indivíduo. Se estivéssemos sempre com as mesmas pessoas, a falar das mesmas coisas e a contar as mesmas anedotas, a sensação de aborrecimento e de «estupidificação» aumentaria. É por isso que, como referi acima, não devemos escolher os amigos dos nossos filhos segundo as bitolas dos nossos grupos
de pertença.

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