Medicinas alternativas



A utilização de medicinas designadas por «alternativas», em situações de doenças em crianças, tem vindo a aumentar. Um outro estudo, realizado no Reino Unido, mostrou que as crianças com doenças crónicas utilizavam três vezes mais tratamentos «alternativos» do que as crianças saudáveis. O que é curioso é que os médicos pediatras não sabiam que os seus clientes estavam a fazer outras formas de tratamento, por opção dos pais.

Já se sabia que as chamadas medicinas alternativas vinham tendo um papel crescente na gestão da saúde e da doença, nos países ditos ocidentais, mas os estudos até agora realizados debruçavam-se sobretudo sobre a população adulta.

Estes estudos vêm confirmar o que os mais atentos já tinham previsto: as crianças são, também, grandes consumidoras deste tipo de medicinas.

As medicinas designadas por «alternativas» não deveriam ser menosprezadas e inferiorizadas. O próprio nome, «alternativo», é errado: trata-se de metodologias de tratamento «complementares» da chamada «medicina ocidental». Também é errado designar esta por «científica», dado que muitas das terapêuticas utilizadas nas «complementares» são cientificamente válidas (e muitas das que nós utilizamos ainda carecem de prova cabal…).

Para além dos achados deste estudo, uma conclusão é óbvia: chegou a altura de deixar «a falar sozinhos» os corporativistas que defendem que «medicina só há uma, a ocidental e mais nenhuma», e estudar, em conjunto e colaboração, as várias medidas terapêuticas que podem beneficiar, do ponto de vista biológico, psicológico e social, as crianças e suas famílias.

É bom admitirmos que não sabemos nem dominamos tudo, e que a separação do trigo e do joio passa por reconhecer que há trigo e que há joio. Na medicina «alternativa, mas também na medicina «ocidental»…

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