Masturbação



A primeira questão está ligada a este subtítulo. Devemos chamar masturbação ou manipulação dos órgãos sexuais? Se por um lado o ato não se acompanha, nesta idade, de fantasias sexuais, por outro é inegável que a criança tem um prazer próximo do orgasmo. Para simplificar adotarei este termo, mas com as reticências de que ele se acompanha.

Estas e outras situações causam apreensão, são confundidas com doenças (como convulsões) e suscitam embaraços e vergonhas.

As crianças masturbam-se. É verdade. Sobretudo a partir dos 3 anos. E fazem-no porque a exploração do corpo leva-as a descobrir uma experimentação nova e que, ainda por cima, dá prazer. Aliás, descrevem o que sentem como «um choque elétrico muito bom», «uma coisa boa que arrepia» ou frases similares.

A masturbação é um comportamento normal e como tal deve ser encarado. E associá-la a algo lascivo ou malévolo é transportar para a infância as leituras tortuosas dos adultos. A prova de que as crianças não têm qualquer sentimento «menos próprio» é que o fazem, como o Rodrigo, no caso em seguida relatado, à frente de toda a gente.

São fases da vida da criança, necessárias e saudáveis, apesar da sua expressão ser diferente em cada uma.

A atitude dos pais deve ser de respeito e sem emitir qualquer juízo. Quanto menos ênfase se der ao assunto, mais depressa esta fase passará. Pelo contrário, se se fizer um bicho-de-sete-cabeças, pode até ser que a criança deixe de se masturbar, mas ter-se-á inserido um componente anómalo no percurso normal da sexualidade, podendo mais tarde essa bomba-relógio rebentar de um modo estranho e a desoras.

Remeter a sexualidade infantil e respetivos comportamentos para o domínio da vergonha é errado e pode ter consequências indesejáveis.

No entanto, é bom passar a mensagem de que há comportamentos que requerem intimidade e privacidade. Numa conversa a sós, fora de um episódio, é bom dizer que os órgãos genitais são sensíveis e que esfregá-los pode causar dor ou lesão, e que assim como não se anda nu na rua ou até na praia, também a manipulação dos órgãos genitais deve ser um assunto íntimo, e que não deve ter lugar em frente das outras pessoas.

Como a sexualidade infantil foi negada durante muito tempo, a normalidade da masturbação nesta idade ainda custa muito a aceitar como algo de saudável. Desde estar possuída até epilepsia, ouve-se de tudo.
Se por alguma razão o comportamento se torna francamente obsessivo, acontece em qualquer local (designadamente fora de casa) ou não se reduz com a passagem dos meses, pode haver algum trauma a esclarecer, e a intervenção de um psicólogo será o primeiro passo a dar.

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