Liberdade e segurança – Conceitos que se complementam



Quando se fala do grande número de acidentes e do enorme impacte que este problema tem para a população infantil e juvenil, a tendência é responder com soluções que são uma mistura de «caldinhos» de candura e de boas intenções, daquelas que enchem o Inferno, com um pouco de arrogância à mistura: pois se os meninos se acidentam muito é porque se portam mal.

É porque sobem às árvores ou aos armários, é porque saem da porta de casa a correr e não olham para os carros, é porque são «brutos» a jogar à bola ou querem espreitar pela janela para ver as pessoas lá em baixo.

O que é preocupante nesta linha de pensamento, para além da sua ingenuidade, é a sua total ineficácia, e o uso da dicotomia «liberdade versus acidentes», como se para ter uma se tivesse de ter os outros, ou para evitar os segundos se tivesse de abdicar da primeira.

A liberdade, peça essencial do desenvolvimento e da dignidade humana, fez-se para ser vivida plenamente. No caso da atividade física, e estando as crianças do 1-5 anos numa fase de plena descoberta das suas potencialidades físicas, num corpo que cresce e se matura, é natural que surjam problemas, como os acidentes. Mas sendo a prevenção das consequências dos acidentes uma tarefa urgente, não é restringindo a liberdade natural e normal que se atinge esse objetivo.

Será possível conjugar as duas coisas – viver em liberdade e evitar os acidentes? Sim, através da promoção da segurança dos bens e dos serviços, dos lugares e das coisas.

Sendo consumidores exigentes e interessados, incluindo a segurança como critério sine qua non para as nossas escolhas em termos de objetos e de espaços, dando aos nossos filhos condições para que exerçam plenamente o seu direito à liberdade de crescer sem verem ferido o seu direito à integridade física e mental.

E também negociando com as crianças os seus comportamentos e a respetiva assertividade – debater com elas porque é que fazem «asneiras», tentar entender as causas e propor e explicar as alternativas para os mesmos objetivos.

Temos de relançar a ideia da cultura de segurança e do valor que representa, o que pressupõe educação, ensino e aprendizagem, exemplo, rigor, coerência e um ambiente favorecedor. E pressupõe também compreender porque é que as crianças se comportam desta maneira ou daquela. No fundo, há que entender a segurança como valor acrescentado de qualidade, e como garantia da liberdade.

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