Ineficácia educativa de gritos e insultos



Gritar, berrar, humilhar, pode dar-nos a sensação que ganhámos a guerra. Mas não. Está mais do que provada a ineficácia educativa dos gritos e insultos. Em primeiro lugar porque os efeitos duram pouco e exigirão castigos cada vez maiores.

Depois porque as relações entre pais e filhos ficam num estado lamentável e um dos efeitos principais do castigo passa a ser oferecer à criança uma imagem depreciativa, acusadora e negativa, até ela se convencer que é má ou defeituosa, mas sem dar a esperança de que se pode aperfeiçoar e corrigir os eventuais erros.

Esta imagem negativa e acusadora apresenta-se constantemente, de forma obsessiva e persistente, e a criança sente-se desgraçada, depreciável, má, malvada, com uma auto-imagem negativa, mas capitalizando a situação (terá sempre um alibi para o que fizer de errado: é «mau de origem»…).
Este tipo de atitude gera um stresse constante e altos níveis de ansiedade, com descida da auto-estima e do sentimento de competência. A criança sente-se inútil, incapaz de correr riscos ou tomar decisões de maneira serena e confiante.

Desenvolve um sentimento de inferioridade e desconfiança em si próprio, e torna-se difícil estar em paz consigo próprio e ter calma e tranquilidade para ser reflexivo e se auto-avaliar. Acumula ódio e agressividade contra si próprio, contra os outros e contra as coisas e situações.

Há, portanto que infundir alento e ânimo para que opte pelo comportamento desejado, e é nosso dever colaborar e apoiar a criança nesta tomada de decisão, proceder de forma gradual, com pequenos objetivos, oferecer modelos coerentes, ensinar e desenvolver as capacidades e habilidades necessárias à tarefa, mostrar sinais graduais que regulem e orientem a ética dos comportamentos, extinguir as condutas inadequadas, sendo firme e coerente, e desenvolver nas crianças a auto-estima, autoconceito, auto-imagem, empatia, reflexividade, contemplação, adequada gestão do tempo e o gosto por coisas pequenas, sabendo saborear os momentos, relativizar as coisas e adiar a recompensa, contentando-se com o que se tem e não sofrendo ansiosamente pelo que não tem.

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