Hiperprotecção



Paradoxalmente, a hiperprotecção é uma situação de risco para a criança. Com receio de que possa acontecer alguma coisa está-se a provocar desequilíbrios no desenvolvimento.

Muitos fatores podem estar por detrás desta atitude, uns relativos à mãe (por exemplo história de abortos espontâneos anteriores, dificuldade em engravidar, reprodução medicamente assistida), ao pai (receio de que possa acontecer alguma coisa, por exemplo, a uma filha rapariga que nasceu depois de rapazes), ou à criança (doenças crónicas, handicap). O modo como foi vivida e interiorizada a infância dos pais é mais um aspeto determinante.
Outra causa pode ser um afastamento conjugal e a sensação (geralmente materna) de que a vida pouco oferece a não ser a criança. A depressão materna pode originar hiperprotecção.

A pressão familiar (por parte dos avós) é mais um fator a ter em conta.

Paralelamente à hiperprotecção desenvolve-se hiperansiedade. É natural todos os pais terem um certo grau de preocupação e ansiedade, sobretudo quando sentem alguma fragilidade nos seus filhos, seja uma integração escolar que não se está a fazer facilmente, seja algum sintoma ou sinal de doença, ou quando já passaram, por exemplo, por um episódio de internamento por bronquiolite e entram em quase-pânico em cada episódio de tosse. A ansiedade exagerada, que leva a tresler o que a criança revela, torna-se asfixiante. Tudo é mal interpretado, e sempre num sentido negativo e pessimista.

Vejo muitas vezes atitudes de desdém, por parte de profissionais e de outras pessoas, relativamente a alguns pais por se preocuparem e revelarem dúvidas e inexperiência. Alguns avós classificam também os pais como hiperansiosos, muitas vezes com o objetivo de deterem eles o comando e minimizarem a função parental. A solução passa por os pais terem uma pessoa de referência (ou duas, não muitas), a quem peçam conselhos quando as dúvidas se instalam. Ouvir todo o «cão e gato» só vai criar mais ansiedade.

O medo exagerado do frio, calor, sol, praia, pedófilos, raptores, infeções, acidentes ou sujidade, só para mencionar alguns, leva a uma proteção desproporcionada, e a imaturidade, com falta de desenvolvimento de mecanismos naturais de defesa, além de limitações que prejudicam a aprendizagem e a socialização. E leva ainda a agressividade e hipocondríase. Um dos riscos reais da hiperprotecção materna é a efeminização comportamental do rapaz, mesmo que isso nada tenha a ver com a orientação sexual.

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