Gémeos



O fenómeno «gémeos»* e o estudo da gemelaridade sempre foi um motivo de interesse para a humanidade, tendo assumido, nos últimos anos, um grande desenvolvimento.

Calcula-se que existam no mundo cerca de 125 milhões de gémeos. Entre eles, os filhos de Madeleine Albright, Muahammad Ali, Ingrid Bergman, George W. Bush, Robert de Niro, Ricky Nelson, Pele, Mia Farrow, Michael J. Fox, Mel Gibson, James Stewart, Denzel Washington ou Margaret Thatcher, entre outros. E o «Rei», Élvis FVesley, tinha um gémeo, mas morreu à nascença – tinha que ser, até porque «rei há só um», claro.
Talvez não saiba que existe uma ciência chamada «gemeologia» e que a palavra «criptofasia» se refere à linguagem desenvolvida pelos gémeos, para comunicação exclusiva entre eles e que só eles compreendem.

A incidência de partos múltiplos aumenta de acordo com factores familiares, mas supostamente apenas nos chamados «gémeos irmãos» ou «falsos» (heterozigóticos) e não nos «gémeos idênticos» ou «verdadeiros» (homozigóticos), ao contrário do que se poderia à primeira vista pensar. Mas esta aparente falta de lógica comprende-se bem, se não, reparem: os gémeos verdadeiros aparecem pelo seguinte fenómeno:

um óvulo fecundado por um espermatozóide separa-se duas vezes, logo no início das divisões celulares, dando origem a dois seres perfeitamente iguais em termos de material genético. São os gémeos verdadeiros, iguais, e que têm uma composição genética igual, embora o ambiente intra e extra-uterino possam fazer com que não sejam fisicamente «fotocópias»* exactas.

Este fenómeno é muito raro e episódico ou seja, pode acontecer a qualquer pessoa e a tendência para ele acontecer não depende de factores hereditários. Assim, os gémeos «verdadeiros*», ou «iguais», podem surgir em qualquer gravidez de qualquer pessoa.

Outra coisa é a ovulação dupla que faz com que, no mesmo ciclo menstrual, se libertem dois óvulos que serão fecundados por dois espermatozóides diferentes.

Assim, formam-se dois bebés, com dois sacos amnióticos («bolsa de águas»), e duas placentas, embora possa haver fusão das placentas e, na altura do parto, surgir uma só, como no caso dos gémeos «verdadeiros». Mas o que acontece aqui é gerarem-se duas crianças «de uma vez só» – são geneticamente como irmãos, e tal como irmãos podem ser mais ou menos parecidos fisicamente. O facto de terem a mesma idade e o mesmo tamanho (e estarem frequentemente vestidos de igual) faz com que a tendência para os achar parecidos seja maior, quando estão lado a lado.

Mas é mais uma ilusão. O material genético que carregam tem as semelhanças de qualquer outro par de irmãos. E a única coisa comum é terem vivido «debaixo do mesmo tecto» durante nove meses, nesse «TO» chamado útero. Como a tendência para ovulação dupla é hereditária, isso explica as famílias com altíssimas incidências de gravidezes gemelares espontâneas (não estamos a falar das gravidezes induzidas por fertilização in vitro (FIV) ou outras formas de assistência). Essa herança «para ter gémeos»» interessa se for da parte da família da mãe dos bebés, mas para chegar a esta pode vir da família da sua própria mãe ou do seu próprio pai. Por vezes há mulheres que têm gémeos em ambas as famílias – a probabilidade aumenta muito. O facto de o pai do bebé atual ter gémeos na família não altera muito as coisas.

Por sua vez, uma mulher que seja, ela própria, gémea falsa (heterozigótica), tem uma probabilidade cinco vezes maior de ter gémeos. Por outro lado, parece não se confirmar a noção de que a gemelaridade «salte»» uma geração. E depois de ter gémeos falsos, a probabilidade de ter novamente gémeos numa próxima gravidez é superior a 30%… o que já representa, pelo menos, um «arrepio na espinha»»…

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