Gastroenterite



A diarreia aguda é ainda uma causa importante de doença nas idades pediátricas. Define-se diarreia numa criança como um aumento do número de dejeções e diminuição da sua consistência, em relação ao que é normal para essa criança.

Embora corresponda na maioria dos casos a situações autolimitadas e banais, a diarreia aguda pode frequentemente complicar-se de alterações graves, sobretudo nos primeiros 3 anos de vida. As causas mais frequentes de diarreia aguda são as gastroenterites agudas.

Contudo, erros alimentares (biberões hiperconcentrados), intoxicações ou outras doenças podem eventualmente manifestar-se por diarreia.

Os agentes mais frequentemente implicados ia gastroenterite aguda são os vírus, seguindo–se as bactérias e outros agentes, como os parasitas.

As bactérias podem invadir a parede do intestino (provocando ulcerações da mucosa com aparecimento de muco, sangue e pus nas fezes ou mesmo invadir a corrente sanguínea (com sinais gerais de infeção – febre, mal estar, quebra acentuada do estado geral, etc.). A diarreia por alguns vírus pode ser muito aquosa e geralmente precedida por vómitos.

É frequente a febre e, em muitos casos, existe uma infeção respiratória alta. O período de incubação é de 2-3 dias e a duração da doença é de cerca de 8 dias.

Perante uma criança com diarreia, há vário; aspetos acerca dos quais nos deveremos interrogar e que deverão ser veiculados aos pais e aos médicos, nem que seja num primeiro contacto através do telefone ou e-mail:

  • características das fezes e das dejeções – há quanto tempo dura a situação? Se há mais de três dias, é conveniente consultara médico. Quantas dejeções tem a criança? Mais de cinco? E a cor das fezes? É anormal? E a consistência? Muito líquida? E as fezes têm sangue ou muco (com o aspeto de «ranho»)?
  • a criança está com vómitos? E febre? Se vomita incessantemente ou se tem febre alta será melhor consultar o médico;
  • a criança consegue beber líquidos, pelo menos em quantidade suficiente para compensar o que está a perder pela diarreia? Se não, consultar o médico;
  • o estado geral e de nutrição é bom? Se sim, a criança poderá aguentar a situação por algumas horas ou dias, se não, a descompensação será mais precoce;
  • a criança está irritável? Chora sem parar? Inconsolável? Grita, de um modo diferente do «chorar alto»?
  • a respiração? Como está? A frequência respiratória está aumentada?
  • acham que os olhos estão encovados? Isso é um sinal de desidratação. Necessita de cuidados urgentes;
  • e tem ausência de lágrimas? Significa também que está desidratada;
  • e o mesmo se passa com a secura da boca e das mucosas ou, nos mais pequenos, com a fontanela («moleirinha») que pode estar deprimida e metida para dentro. Neste caso é melhor ir a um serviço de urgência imediatamente;
  • e a pele da barriga? Se derem um «belisco», ela volta imediatamente ao normal ou fica com a prega que lhe fizeram? É que, neste último caso, é provável que o bebé esteja desidratado e necessita de cuidados médicos urgentes;
  • quanto é que diminuiu de peso? E bom saber, se forem a um serviço de urgência, para os médicos saberem quanto é que o bebé terá perdido e reporem essa quantidade;
  • há sinais de colapso circulatório (pele fria e seca, extremidades frias, prostração, quase não dá acordo de si) – o melhor é levá-la quanto antes a um serviço de urgência.

Importa dizer que, na maioria dos casos, são os pais quem sabe melhor se o estado da criança se encontra muito ou pouco alterado. Os vómitos precedem geralmente a diarreia e, se não conseguirem ser controlados, podem levar também a perturbações hidro-electrolíticas importantes ou agravá-las.

Independentemente da causa, o maior problema da diarreia aguda é a desidratação, donde ser essencial assegurar que a criança consegue beber pelo menos tantos líquidos quanto está a perder pela diarreia, vómitos, febre e respiração acelerada. Além das causas já apontadas para a diarreia aguda, a permanência em ambiente muito quente e/ou a inadequada ingestão de líquidos podem conduzir à desidratação da criança.

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