Ficar em casa de familiares



Ficar em casa de familiares, por exemplo os avós, é às vezes mais fácil do que a hipótese anterior, até porque é mais comum serem os pais a ter maior poder de deslocação do que os avós e, portanto, a poder organizar a sua vida de modo a levar a criança a casa de outrem. Os problemas que surgem e que limitam esta hipótese são idênticos aos mencionados antes. A instituição «avós» está infelizmente a desaparecer enquanto tal, sobretudo nas grandes (e pequenas) cidades.

Os avós têm uma grande vantagem: são dedicados e fazem tudo por amor. Desde os purés de legumes às brincadeiras, o seu único interesse é o melhor interesse da criança. Não é fácil arranjar alguém assim, que saiba tantas histórias e cantilenas, mesmo tendo em conta que também os avós estão a mudar, e rapidamente.

É uma boa solução, desde que se «acertem as agulhas» todas de modo a não haver conflitos de opinião sobre as rotinas do bebé, ciúmes, invejas, ou alianças que dividam o casal.

Por outro lado, uma coisa é ser avô de fim de semana, com direito a «estragar» os netos, outra é desempenhar a função de substituto de pais. Aqui, o «estragar» já tem que ser substituído pelo «educar», com afeto, mas também com firmeza. E não criando situações que ponham a criança perplexa pela inconsistência e incoerência educativa entre pais e avós, ou em que ela possa jogar com uns e com outros para, como escreveu Maquiavel, «dividir para reinar».

Também é típico o olhar dos avós ser diferente do olhar dos pais, e isto às vezes é irresolúvel: achar os netos magrinhos quando eles estão até «redondos», não acreditar que já possam ter manhas, contemporizar com pequenas más criações (arranhar, morder, bater na cara, tirar os óculos), e essa dupla educação (pais versus avós) pode servir para culpabilizar mais os pais, ou fazè-los abrandar na vertente educativa.

Há também que referir que um bebé pequeno dá muito trabalho. Não apenas os aspectos do cuidar, mas quando foge, trepa, chora, quer coisas. Alguns avós podem, a determinada altura, sobretudo depois dos 9 meses, não ter «pedalada» para os netos. E alguns avós sofrem do coração, têm doenças reumatismais ou diabetes, enfim, necessitam de descansar, de fazer a sesta. Há que entender todos estes problemas para que ninguém se sinta pais e avós pressionados num determinado sentido.

Claro está que, depois de o bebé estar com os avós e quando vai para um infantário, é natural os avós sentirem algum alívio mas, simultaneamente, alguma melancolia, um sentimento de «já não servimos» ou de «eles já não confiam em nós». É bom pôr tudo em pratos limpos, e se alguns avós já não conseguem, a determinada altura, tomar conta dos netos, podem sempre desempenhar uma função importante, como ficar com eles ao fim da tarde, ir buscá-los ao infantário, etc…

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