Fatores a ter em conta



Há vários fatores que devem pesar na decisão de escolher fraldas descartáveis ou de pano.

Em que medida a pele do bebé é melhor cuidada com este ou aquele tipo de fralda?

As fraldas descartáveis saem vitoriosas da contenda. A incidência do chamado eritema das fraldas («rabinho assado») é menor com este tipo de fraldas, embora há quem diga que os estudos realizados neste campo são tendenciosos, dado que a maioria foi financiada por… Empresas Iigadas a fraldas descartáveis. Os defensores das fraldas de pano argumentam que o eritema das fraldas – que resulta do contacto prolongado da pele com a urina e com as fezes, pode ser evitado se as fraldas de pano forem mudadas frequentemente e se se cobrir a pele com um creme impermeável. «Tanto trabalho para obter o mesmo resultado»-riem-se os «descartáveis».

Qual a fralda que proporciona menor risco de infeções?

A maioria dos pais deita fora as fraldas sujas usadas no caixote de lixo caseiro, com todo o seu conteúdo. Embora em muitos países seja ilegal deitar fora lixo com resíduos humanos nas lixeiras, na prática isso acaba por não se verificar nem aplicar às fraldas descartáveis. Os microrganismos contidos nas fezes das fraldas contribuem para um aumento das possibilidades de infeção, sobretudo se por qualquer razão atingirem lençóis de água subterrâneos.

Contudo, há quem argumente que o número de micróbios com que as fraldas descartáveis contribuem para a poluição biológica das lixeiras é muito reduzido e praticamente negligenciável, e a inexistência documentada de epidemias originadas em fraldas descartáveis usadas poderá fazer cair por terra o argumento dos seus detratores, desde que, evidentemente, as lixeiras sejam organizadas e manipuladas convenientemente.

Por outro lado, e considerando o problema das contaminações em infantários e creches, os defensores das fraldas descartáveis afirmam que as probabilidades de as fezes ou a urina saírem na mudança de fraldas é menor com este tipo de fraldas do que com as de pano, o que leva a uma redução do risco de transmissão de doenças (p. ex. gastroenterites ou parasitoses) de bebé para bebé. De facto, demonstrou-se que as probabilidades de as fezes saírem é de 1 % com as descartáveis e de 20% com as de pano.

Há ainda o problema da preservação do ambiente ecológico…
Se admitirmos que, em Portugal, cada criança usará cerca de cinco fraldas por dia durante uma média de 1000 dias (quase 3 anos de vida), teremos algo como 5000 fraldas por criança o que, para o total da população infantil portuguesa, dará cerca de 600 milhões de fraldas (custa a acreditar…) isto só num ano! Como praticamente todas as crianças usam fraldas deste tipo, todos estes milhões vão parar às lixeiras.

Ora, precisamente, alguns autores referem que, sendo muito escasso o processo de biodegradação nas lixeiras e como, por outro lado, para evitar os perigos de contaminação o ambiente das lixeiras tem que ser mantido seco para que não haja essa biodegradação que produziria gases e produtos tóxicos, as fraldas acumulam-se sem sofrerem alterações.

Embora a camada interior de celulose, que constitui cerca de 85% do volume das fraldas, seja biodegradável em condições ideais, não são estas condições que se encontram nas lixeiras, não sendo assim de esperar, portanto, a sua biodegradação.

Relativamente a este problema, os defensores das fraldas descartáveis defendem que, feitas as contas, nada é degradável numa lixeira, pelo que a única solução, para qualquer tipo de resíduo sólido, é a sua reciclagem e a integração do problema no contexto de um programa municipal de tratamento de resíduos. A solução estará aqui e não na abolição das fraldas descartáveis argumentam. Há experiências em alguns países, em que os municípios têm «fraldões» à disposição dos cidadãos, um pouco como as opções já existentes nos ecopontos.

As fraldas de algodão, podem ser utilizadas 50 a 100 vezes cada uma e ainda recicladas. Quando deitadas fora desintegram-se em um a seis meses. As fezes deverão ser lavadas antes da traída ser deitada tora, de modo a que os excrementos vão parar ao sistema de esgotos e não às lixeiras. Por outro lado, a lavagem das fraldas de pano consome água e energia, contribuindo para o desperdício de água o que, em certos países, constitui um problema. A somar a estes gastos do precioso líquido, há que contabilizar a água consumida na lavagem do bebé e das roupas, quando ocorre a saída da urina e das fezes o que, como vimos, é bastante mais frequente com as fraldas de pano do que com as descartáveis. Além disso, a indústria do algodão também está associada a múltiplos problemas do foro ambiental; a cultura do algodão é muito erosiva para o noto, consome muita água e exige o uso de pesticidas que podem ser tóxicos.

E no que toca à segurança do produto…

Outro problema levantado na sequência da utilização de fraldas descartáveis relaciona-se com um produto chamado dioxina, que resulta do processo de modificação da cor castanha da madeira na cor branca que vemos na polpa das fraldas, processo esse que utiliza fundamentalmente odoro. Esse produto, embora presente em muito pequenas quantidades, poderá ter eventualmente, segundo alguns autores, efeitos indesejáveis nos seres humanos.

E o alfinete…

As fraldas de pano exigem a colocação de um alfinete-de-ama, que pode ser causa de picadas no bebé. Atualmente já existem algumas com velcro, mas são pouco práticas porque com o decorrer do tempo o velcro acaba por fechar mal…

Conselho

Na Holanda, um município resolveu instalar um «fraldão»», no fundo um ecoponto para fraldas. Outros países, como o Canadá, EUA, Austrália, entre outros, têm experiências semelhantes. Considerando o volume de fraldas usado diariamente, uma empresa encarregou-se de separar os diversos componentes das fraldas, reciclando o possível e não as misturando com os resíduos ambientais.

Provavelmente, demorará muito tempo até que esta ideia chegue a Portugal. No entanto, é bom guardar as fraldas em sacos, para não se misturarem, e deitá-las fora em locais próprios, onde não possam ser sujeitas à ação de animais ou de lixeiros.

A contaminação ambiental é um fator que deve ser levado em linha de conta.

Em resumo

As fraldas descartáveis superabsorventes reduzem a incidência de dermatite das fraldas e a transmissão de infeções.

Ambos os tipos de fraldas levantam alguns problemas de ordem ambiental, mas não se pode afirmar que este ou aquele tipo é mais ou menos agressivo para o ambiente tudo depende do tipo de problemas já existentes na região e na capacidade de resposta das autoridades e da sociedade.
Os custos de ambos os sistemas – descartável e pano —, incluindo não só o preço da fralda mas também das manobras adicionais (lavagem, secagem, etc), é comparável.

Em termos práticos, para as mães e pais que trabalham e que têm reduzida ajuda em casa, as fraldas descartáveis são no geral bastante mais convenientes.

Comentários

Fatores a ter em conta | Para Pais.