Evitar a agonia da despedida



Um dos momentos trágicos é a despedida.

Não se pode prolongar demasiado, mas há que durar o suficiente para se dizer «adeus», explicitamente. Escapulir sem dizer nada pode criar sentimentos de desconfiança e de incerteza. Se os pais têm de se ir embora devem fazê-lo honestamente. Claro que isto não quer dizer estar horas com beijinhos e miminhos, a prolongar a situação de despedida.

É bom expressar os sentimentos: «Sei que gostavas que nós ficássemos e nós também gostávamos de ficar, mas não podemos», e deixar a situação o mais organizada possível (banho, alimentação, etc). É também muito importante cumprir o prometido: se disserem:

«Eu depois telefono.», convém telefonar, mas sem exageros. E, igualmente, tentar dar uma ideia de quando se voltarão a ver – «Depois de dormires- ou «Logo depois de veres os desenhos animados.»

Acostumar desde cedo as crianças a jogos de separação «esconder atrás da fralda», sair da sala e entrar, etc. -. podem ajudar a trabalhar a autoconfiança e os sentimentos securizadores. Algumas histórias infantis têm elementos de separação, mas há que ter cuidado para que terminem bem e os heróis não fiquem «sozinhos para sempre».

Parece paradoxal. É paradoxal. Manter uma pessoa presente quando está ausente. Se a nós. adultos, nos custa tanto fazê-lo quando alguém morre, admitir que o pai e a mãe estão lá, no quarto de dormir, quando eles já se foram embora, implica um esforço de abstração muito grande, quase diria impossível para um bebé tão pequeno, como os nossos filhotes de 2 e 3 anos.

Um objecto de transição no qual delegamos as nossas competência e do qual falamos (não dizemos «a mamã está aqui ou o papá está cá», mas «o ursinho tal ou a girafa tal»), será o nosso delegado, o nosso capataz. junto da criança. E através dele, perfumado com a água-de-colónia dos pais, a criança reviverá a presença dos pais na sua ausência.

Durante a noite convém dizer: «O ursinho está aqui», e não «os pais estão aqui». São os pais que estarão presentes no coração da criança – são eles a sua família, para sempre – mas os objetos transicionais podem facilitar a construção desse conceito abstrato que é os pais estarem sem estarem. Complicado?

Muito. Bem sabemos quando um amigo ou familiar morre ou desaparece…

Comentários

Evitar a agonia da despedida | Para Pais.