«És “muita” bom…»



Se no ano passado uma criança de 3 anos conseguia tocar no botão do elevador do 3.° andar e este ano já consegue chegar ao botão do 4.°, os pais aplaudem-no, mas para a criança representa mais do que uma boa exibição: representa o «Eu já consigo!», e também «Se é assim, onde é que isto vai acabar? Será que um dia vou tocar no botão do infinito? Será que, em breve, serei igual ao Super-homem ou ao Homem-aranha?»

Transportando este pensamento para outras situações, o receio que à partida a limitaria e faria retroceder, é vencido pela necessidade e gozo de enfrentar o desafio. Está lá escrito, nas entrelinhas e no ar, «Mostra que és capaz. Vamos lá ver se tu és capaz!»

As vezes são os outros que estimulam e provocam: «És um mariquinhas se não saltares ou se não fizeres. Tens miúfa.» Mas mais do que os outros, é o próprio corpo que pede.

E se passamos a vida a elogiá-los porque estão «muita bons», como é que lhes podemos dizer que, afinal, estão na mesma? Complicado. Não é?

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