Efeitos do ruído na criança



O sentido da audição é dos mais importantes para a sobrevivência, não apenas para a comunicação entre as pessoas, elemento fundamental para a integração numa vida em comum e socializada, mas também para a activação do sistema de alerta que nos faz antever e prever os perigos e actuar conforme. Um caso exemplar é o fato de a maioria das crianças e adolescentes, ao viverem envolvidos em tanto ruído, perderem esse importante sinal de alerta que os faz reagir instintivamente e sem darem por isso ao ruído de aceleração de um automóvel ou de outro perigo qualquer. Infelizmente, nas sociedades ocidentais, esse sentido está a perder-se com as consequências que se sabem ao nível, por exemplo, dos acidentes, nomeadamente dos atropelamentos.

O ruído pode ser definido em duas dimensões: as lesões físicas que provoca e as perturbações psicológicas que desencadeia.

Muitas vezes torna-se difícil estabelecer uma relação directa, clara e inequívoca, entre o ruído e as lesões ou os comportamentos que plo, uma criança que, no jardim-de-infância, está sujeita a um ruído intenso e sistemático desenvolve problemas em adormecer, insónias, um mau desenvolvimento das diversas  fases do sono (incluindo a fase «REM» ou de sonho, toá importante, em que o nosso cérebro se «desfaz» de informação irrelevante e se organiza) nervosismo, irritabilidade, agressividade (ou um modo menos pacífico de lidarcom os problemas) e até hipertensão, além de perda da audição sobretudo em relação a algumas frequências do som.

Curiosamente, enquanto não há provas de que o uso de walkman e ipods, mesmo em som elevado, produza alterações importantes; pelo contrário, o ruído de uma sala, se elevado e mantido, já é clara e idubitavelmente pernicioso. Muitas pessoas preocupam-se com os adolescentes, mas esquecem-se que as crianças de 1 a 5 anos passam o dia num ambiente extremamente barulhento, ainda que o ruído seja produzido essencialmente por elas.Como as próprias crianças são agentesprodutores de ruído, se um ambiente for ruidoso e mal construído, mal concebido e favorecedor de atitudes pouco assertivas, convidará a gritos e berros, portanto a mais e mais ruído, com acréscimo de agressividade e de problemas de comunicação, concentração e serenidade. E quando cada vez mais se resume a  saúde e a qualidade de vida à tranquilidade e ao bem-estar, poderemos calcular como o ruído pode ser um dos maiores factores perturbadores destes mesmos objectivos.

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