E se ele não anda?!



A preocupação do «não-andar», por parte dos pais, tem a ver essencialmente com duas coisas: por um lado o receio (natural) que o bebé tenha algum problema; por outro o desejo de mostrarmos os nossos
rebentos à sociedade.

A primeira razão é, quanto a mim, a que deve merecer alguma atenção. No entanto pode-se afirmar que a maioria das crianças que não andam até aos 18 meses são perfeitamente saudáveis e isso não cor-
responde a nenhum problema. Os sinais de alarme relativamente ao desenvolvimento infantil deverão ser vistos numa perspectiva global: se a criança não anda, não fala, já teve atrasos noutros parâmetros, enfim, se o seu desenvolvimento global está perturbado, então já é mais provável repito, provável, que exista um problema.

Aliás, se todas as crianças forem assistidas regularmente pelo seu médico assistente, é natural que qualquer situação de doença seja suspeitada ou detectada precocemente. Contudo, a observação e as
suspeitas dos pais e educadores, que são quem conhece a criança e passa com ela a maior parte do tempo, devem ser sempre valorizadas. Pais, se acharem que «há qualquer coisa de errado» com o vosso
filho não se inibam de o referir ao médico dele. É importante evitar preocupações mas, de modo algum, negar que podem existir problemas.

A maioria dos bebés tem um desenvolvimento normal. Mas quantas vezes a nossa ânsia de os fazer andar não contribui também para que se atrasem nos primeiros passos: pomo-los em pé, largamo-los, caem e ganham medo. A partir daí pode ser mais difícil, e quanto mais insistirmos, pior. Se, em vez de um «ohhhhh!» decepcionante, que damos quando a criança cai, como se fosse um futebolista a falhar um golo de baliza aberta, entusiasmarmos cada pequeno avanço e apoiarmos a criança quando ela «falha», então ela sentir-se-á motivada para continuar, até porque quer «brilhar para o seu público».

Em última análise, se houver alguma dúvida por parte dos pais, então deverão debater o assunto com o médico assistente.

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