E se ele não anda?



A preocupação do «não-andar», por parte dos pais, tem a ver essencialmente com duas coisas: por um lado o receio (natural) que o bebé tenha algum problema; por outro o desejo (em que se juntam uma pitadinha de egoísmo com duas de exibicionismo) demostrarmos os nossos rebentos à sociedade como na divisa «citius, altius e fortius» – os bons, os melhores.

A primeira razão é, quanto a mim, a que deve merecer alguma atenção. Quase todas as crianças que não andam até aos 18 meses são saudáveis e o facto não corresponde a nenhum problema, desde que não apresentem quaisquer outros sinais de atraso de desenvolvimento.

Os sinais de alarme relativamente ao desenvolvimento infantil deverão ser vistos numa perspetiva global: se a criança não anda, mas também não fala, se já teve atrasos noutros parâmetros, enfim, se o seu desenvolvimento global está perturbado, então já é mais provável – repito, provável, – que exista um problema.

Aos 18-24 meses uma criança já tenta dar um pontapé numa bola, mesmo que isso não lhe augure de imediato uma carreira de sucesso futebolístico. Aos 2 anos os passos são coordenados (e já não anda, corre…) e começa a saltar. Depois a trepar, e rapidamente conseguirá mais e mais façanhas, como equilibrar-se num só pé ou saltar a pé coxinho.

O tempo de latência entre os primeiros passos e o «esquecer-se» que está a andar é extraordinariamente rápido, e é por isso que, durante uns meses, a criança esbarra em objetos ou tropeça neles, porque o seu objetivo já não é andar, mas sim alcançar alguma coisa, desviando o olhar e a atenção do chão para os objetos que o atraem e que quer apanhar.

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