E ouve muito bem



A audição da criança recém-nascida tem também sido alvo de intensa investigação.
Sabe-se agora que o bebé é capaz de, a partir da 26.a semana de gestação, reconhecer e diferenciar sons de diversas frequências e manifestar o seu contentamento ou o seu desagrado relativamente a um som, o que é avaliável pela observação das alterações do ritmo cardíaco e dos movimentos fetais em resposta a estímulos auditivos.
Sabe-se que um bebé que tenha ouvido certas melodias durante a gestação pode, depois de nascer, reconhecê-las e acalmar-se ao ouvi-las, demonstrando afinal a «nostalgia» do conforto uterino.
Do mesmo modo, um bebé acalma-se, geralmente, ao ouvir sons ritmados… provavelmente por evocar o barulho dos batimentos cardíacos da mãe. aos quais se habituou durante nove meses consecutivos e que lhe relembram o ambiente calmo e agradável em que viveu durante esse tempo.
E pode também reconhecer facilmente a voz do pai. se teve a oportunidade de a ouvir durante a gravidez – é importante, por isso, que os pais falem com o feto, quando ate ainda está na barriga da mãe.

Logo depois de nascer pode avaliar-se a audição do bebé, provando que volta nitidamente os olhos ou a cabeça na direção do som. Por outro lado. ruídos inesperados (como o estrondo de uma porta a fechar-se) provocam uma reação de agitação ou «sustos» (reflexos de Moro) enquanto barulhos rotineiros e mantidos (como o som de um aspirador) não lhes provocam qualquer reação.
A criança é especialmente sensível à voz humana. Falar com o bebé e um momento essencial na relação pais filho. Ouvir a voz dos progenitores, especialmente a voz aguda que tendem a adotar quando falam com os bebés ou, pelo contrário, sons de tonalidade grave, tem um efeito pacificador e tranquilizante sobre a criança. Deve falar-se com os bebés, especialmente quando eles estão acordados e não têm fome ou não se sentem desconfortáveis.
Com calma, sem stresse (caso contrário, ele detectará logo os «trémulos» da voz e perceberá que os pais estão inquietos ou angustiados, interpretando depois esses sinais como ele próprio podendo estar em perigo), com um tom de voz lúdico e com graça, brincando com o bebé (não é por acaso que os pais inventam «mil e um» nomes através dos quais apelidam o seu filho), desdramatizando a tendência natural para o seu bebé dramatizar as coisas, no fundo correspondendo à desconfiança natural que o seu instinto de sobrevivência exige.

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