Dores de barriga



Dói-me a barriga» é uma queixa muito frequente, nas crianças entre o 2 e os 5 anos. E como a dor é algo de subjetivo, é sempre difícil aos pais conseguirem ter uma dimensão real da situação. É sempre importante pensar nas questões que levantei acima, e que dizem respeito a qualquer dor. No entanto, a ausência de outros sintomas ou sinais, por exemplo, não significa que a dor seja leve ou irrelevante, ou de origem psicológica e emocional. Na maioria dos casos, as dores de barriga não traduzem nenhuma doença grave.

Algumas dores são mesmo fisiológicas, correspondendo a movimentos mais intensos do intestino, que funciona por contrações (designadas por movimentos peristálticos) que fazem com que o conteúdo fecal avance de uns segmentos para os outros. O estômago também é um músculo e ao contrair-se pode provocar dor.

Outro aspeto a ter em conta é se as dores de barriga são comuns ou não. Algumas crianças têm movimentos peristálticos fortes, que têm exclusivamente a ver com a maneira de funcionar do tubo digestivo (assim como algumas são mais obstipadas e outras menos). Uma dor de barriga numa criança que nunca se queixa pode ter um significado diferente de uma dor numa que é «presa» e que todos os dias se queixa antes de ir à casa de banho.
Se a dor for forte, violenta, em jejum, se aparece em «ondas» de agravamento e relativa acalmia, com diarreia ou vómitos contínuos, febre alta, sangue nas fezes ou desidratação, quebra do estado geral e progressivo agravamento, há que levar a criança ao médico imediatamente (ver Apendicite, Gastroenterite, Helicobacter, Invaginação intestinal, Obstipação).

Enquanto se espera pela evolução, quando não há sintomas ou sinais de gravidade, pode dar-se paracetamol ou antiespasmódico. No entanto, há que ter cuidado para não se mascarar o quadro, quer dando antibióticos (se for uma apendicite, por exemplo, adia-se o diagnóstico, com efeitos nocivos), quer anulando a dor que é, afinal, um sinal importante para avaliar o quadro.

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