Doença celíaca



A maioria dos cereais contêm uma proteína, chamada gliadina, integrada num componente designado por glúten, e que permite que o pão, bolos e bolachas cresçam. Só o milho e o arroz não o contêm, pelo que, por exemplo, há que adicionar sempre um pouco de farinha de trigo ao pão de milho para que não fique espalmado.

Algumas crianças (cerca de 50 novos casos por ano em Portugal) têm uma anomalia congénita que as torna intolerantes ao glúten, apresentando sintomas e sinais algum tempo (muito variável) depois de ter começado a comer cereais, genericamente associados a inflamação intestinal. Os sintomas de doença celíaca podem aparecer em qualquer mo- mento da vida, e quanto mais tarde, mais difícil se torna relacioná-los com a ingestão específica de cereais, dado que a criança já come uma larga variedade de alimentos e está exposta a muitos fatores ambientais.

Os sintomas mais comuns são má progressão de peso, crises de diarreia sem vómitos (fezes amareladas, gordurosas), mudança de humor (tristeza, irritabilidade, desinteresse por brincar), fraqueza muscular, distensão abdominal e, mais tarde, sintomas de má absorção intestinal, como carência de ferro, vitaminas ou minerais.

Perante uma suspeita, o médico-assistente pedirá análises que poderão mostrar, por um lado, os problemas de absorção; por outro, a existência de anticorpos contra as proteínas do glúten (gliadina, reticulina e endomísio). Por vezes é necessário realizar outras provas de absorção e biópsia do intestino, para constatar a lesão. A «prova terapêutica», que consiste em retirar o glúten da dieta e verificar se esta atitude proporciona melhoras, é um dos elementos do diagnóstico.

Quando de uma diarreia arrastada, por outras razões (por exemplo, por infeção), pode surgir temporariamente também uma intolerância ao glúten (como à lactose do leite), mas que passa com o tempo.

Para além do trigo, centeio, cevada e aveia, alguns alimentos também têm glúten, como alguns produtos de salsicharia, café solúvel e enlatados em geral. No caso de existir uma doença celíaca, a dieta sem glúten é para toda a vida. Se isto, numa primeira fase, pode assustar os pais, depois verão que não é tão complicado assim, existindo já produtos em muitos supermercados destinados a crianças com esta situação.

Existe uma associação que dá apoio aos pais, livros de receitas, enfim, é importante que a criança com doença celíaca não se sinta «doente», mas sim especial, no sentido de ter apenas de fazer algumas restrições alimentares que, em nada, deverão alterar a sua qualidade de vida e a sua auto-estima. Desde muito pequenas, as crianças aprendem que não devem comer certos alimentos, e geralmente cumprem muito bem o esquema nutricional proposto.

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