Desmamar a chupeta ou o dedo



Talvez a maioria das crianças chegue ao segundo ano de vida (e ao terceiro ou até ao quarto) usando chupeta ou chuchando no dedo.

Chuchar funciona como um fator securizante, porque os movimentos rítmicos relembram o coração da mãe e a rotina sem quebras, devolvendo por isso a segurança a uma criança que esteja amedrontada, ansiosa ou simplesmente com medo de adormecer e de se entregar ao destino.

Todos nós usamos «chupetas» – mas repararam nas aspas, ou seja, vamos desenvolvendo, ao longo da vida, fatores protetores e equivalentes rítmicos dos quais nos socorremos quando sentimos estados de maior ansiedade. É por isso que as crianças, a determinada altura, deverão ter conquistado uma autoconfiança e processos de securização que lhes permitam largar a chupeta ou o dedo, e passar a adormecer sem ela.

Não há idade para isto acontecer, mas o momento pode ser estimulado pelos pais, fazendo ver à criança que não há perigo no ato de adormecer ou de enfrentar ambientes diferentes. Este processo não pode contudo ser «à bruta», primeiro porque é um bom princípio não penalizar as crianças por comportamentos que escapam ao seu controlo; depois porque não é criando mais insegurança que se gera segurança!

Um dos receios dos pais, mais do que o atraso no desenvolvimento da autonomia e da securização, é que os dentes fiquem tortos. E é verdade que ficam, quanto mais tempo o hábito da chupeta ou do dedo se mantiverem. E também é verdade que, quando os dentes já só se sobrepõem nos caninos, deixando os oito incisivos em oval, No Inverno o ar entra frio e lesa as estruturas faríngeas, provocando mais infeções respiratórias. No entanto, não há dentes que não se endireitem, enquanto crescer no medo e na insegurança são mais difíceis de reparar. O mesmo se diz de ridicularizar ou humilhar a criança, chamando-a -bebé», «atrasadinho» ou outro epíteto similar, como já tive infelizmente ocasião de ouvir algumas vezes.

Regra geral, até aos 3 anos abandona-se a chupeta, embora o dedo possa ficar por mais uns tempos Por vezes a criança precisa ape- nas de um estímulo ou de uma data {fazer anos, ser Natal) para largar o hábito Combinar estratégias, como fazer uma «caminha» para a chupeta, com uma caixa de fósforos e deixá-la ao lado da criança para que não se sinta, de repente, expoliada, pode funcionar, como pode também guardar numa gaveta ou colocar numa estante, tipo bibelot.

Não aconselho deitar no lixo, dizer que o cão levou ou qualquer desaparecimento irreversível. Este procedimento pode criar ansiedade. Em certas circunstâncias, como separação dos pais. mudanças de escola ou de casa, morte de um familiar, nascimento de um irmão ou qualquer evento semelhante, a criança pode querer continuar a usar chupeta ou voltar a usá-la. O facto não deve ser demasiadamente valorizado.

Substituir a securização do chuchar por outros rituais rítmicos, como adormecer na ouvir música clássica, ajuda a criança a evoluir nos seus processos de acalmia e a entender que cada idade deve ter a sua expressão regressiva.

Se, sem qualquer causa próxima, aos 5 anos ainda usa chupeta, o assunto deve ser discutido com o médico-assistente, para se analisar o comportamento da criança e ver se há qualquer outro sintoma ou sinal que expressem mal-estar, dificuldade na progressão autonómica ou perturbação psicológica.

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